04 - set
  

Hipotireoidismo

Categoria(s): Cardiogeriatria, Endocrinologia geriátrica




Interpretação clínica

  • Senhora de 62 anos,  último ano teve dois episódios significativos de hipertensão arterial paroxística necessitando de tratamento em unidade de terapia intensiva. não respondeu adequadamente a vários agentes antihipertensivos e há 1 ano está fazendo uso de amiodarona, 200 mg/dia,  por apresentar extrassístoles atrias e ventriculares. Ao longo das últimas semanas seu nível de energia diminuiu, e ela desenvolveu constipação significativa. Nega sintomas anginosos.
  • Ao exame físico, mostra-se cansada, ofegante com frequência cardíaca de 48 bpm com ritmo regular. Pressão arterial de 150/100 mmHg. O exame do pré-cordio não mostrou sopros valvares, pulsos arteriais normais e rítmicos. Pescoço magro, sem sopros ou alargamento palpável da tireóide. No exame neurológico apresenta hiporreflexia.
  • Exames laboratoriais: T4 sérica = 6,2µg/dl (normal, 5 a 12 µg/dl); TSH = 32,4 µU/ml (normal, 0,5 a 5µU/ml).

Como entender o que está ocorrendo com o paciente?

O paciente apresenta sinais de hipotireoidismo (FC baixa; obstipação intestinal; hiporeflexia e fadiga, possívelmente consequente ao uso de amiodarona. Os efeitos da amiodarona sobre a tireóide se deve ao seu grande conteúdo de iodo. Em comunidades ricas em iodo, o hipotireoidismo é mais comum, e nas áreas onde a quantidade de iodo é baixa, a tireotoxicose é mais provável de ser precipitada pelo uso da amiodarona.

Particularmente, a HAS está associada com o hipotireoidísmo. Hemodinamicamente, o débito cardíaco está reduzido, mas a resistência vascular periférica (RVP) está elevada, provocando aumento do componente diastólico da pressão arterial. O T3 (triiodotironina) age na camada média arterial, provocando vasodilatação. Assim no hipotireoidismo, o aumento da RVP se deve tanto a uma vasodilatação deficiente, como também à maior concentração de noradrenalina circulante e menor número de receptores vasculares do tipo beta-adrenérgicos. Os níveis de vasopressina circulante estão ligeiramente elevados nos pacientes com hipotireoidísmo.

Tratamento – A amiodarona tem meia-vida muito longa e é a droga de escolha para muitos pacientes com arritmias preocupantes. Assim, interromper a terapia com amiodarona não é necessária, nem desejável. Nesse caso indica-se um leve tratamento com hormônio tireoidiano em doses baixas. O controle do distúrbio tireoidiano regride as alterações hemodinâmicas, com controle dos níveis pressóricos.

Veja – Estudo de caso -Uso de amiodarona

Referência:

Harjai KJ, Licata AA – Effects of amiodarone on thyroid function. Ann intern Med. 1997;126:63-73.

Satio I, Saruta T – Hypertensão in thyroid disorders. Endocrinol Metab Clin North Am. 1994;23(2):379-386.

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1 Comentário »

  1. Geraldo comenta:

    23 novembro, 2011 @ 12:01 PM

    Boa tarde,
    Por favor , gostaria de tirar uma dúvida. faço tratamento cotra depressão a mais de um ano, portanto, agora foi diagnosticado HAS e HIPOTIREOIDISMO, O QUE SIGNIFICA ISSO? POR FAVOR ME ENVIA UM LINK OU RESPOSTA POR EMAIL.
    OBRIGADA
    GERALDO

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