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Sonolência e narcolepsia
Categoria(s): Neurogeriatria, Psicogeriatria, Sociologia |
Resenha

Narcolepsia não é uma doença rara, tendo um prevalência de aproximadamente 0,5% da população. O início dos sintomas geralmente ocorre em duas faixas etárias, no final da adolescência e na quinta década de vida, principalmente em mulheres após a menopausa. Narcolepsia significa ataque de sono (narco=estupor e lepsia= ataques). Foi descrita em 1881 por Gelineu como doença de ataques de sono irresistíveis, e em 1916, foi descrita por Hennemberg como fraqueza muscular associada aos ataques de sono e denominada de cataplexia. A narcolepsia se carateriza por sonolência excessiva, cataplexia, paralisia do sono, alucinações hipnagógicas e fragmentação do sono.
A hipersonolência é o primeiro sintoma e está presente na totalidade dos pacientes. Esta sonolência diurna ocorre com diferentes graus de severidade. A cataplexia ocorre em 70% dos narcolépticos e é o sinal mais característico da doença, podendo ser avaliado por um instrumento denominado de Escala de Sonolência de Epworth (ESE) - questionário de oito situações rotineiras, em que o paciente gradua de zero a três a chance de adormecer. A sonolência é considerada excessiva quando a pontuacão nesse teste for maior que 9 pontos. A paralisia do sono e as alucinações hipnagógicas são observadas ao redor de 25% dos casos.
Fisiopatogenia – Em 1998 foi descoberto um neuropeptídeo (hipocretina ou orexina) produzido no hipotálamo lateral com função reguladora do sono, vigília e apetite. A hipocretina é um peptídeo de ação global no sistema nervoso central com dois receptores reconhecidos, denominados de 1 e 2, com funcão de modulação do controle da vigília-sono. Em 2000 verificou-se que em pacientes que sofriam de narcolepsia com cataplexia havia menor concentração e até ausência de hipocretina na líquido cefaloraquidiano. Posteriomente, estudos histocitológicos confirmaram a diminuição da população de células hipocretinérgicas no hipotálamo lateral em necrópsia de pacientes narcolépticos com consequente diminuição de hipocretina no líquor. Genéticamente, observou-se a presença do alelo HLADQB1*0602 em 95% dos narcolépticos com cataplexia típica e ao redor de 50% nos com narcolepsia atípica ou sem cataplexia.
Diagnóstico – O diagnóstico de narcolepsia baseia-se na apresentação clínica de hipersonolência diurna e cataplexia ou hipersonolência diurna e cataplexia ou hipersonolência diurna com alucinações hipnagógicas e paralisia do sono. O estudo eletrofisiológico com polissonografia e teste de múltiplas latências para o sono diurno é importante no diagnóstico da narcolepsia.
A diminuição da hipocretina no líquido céfalorraquidiano abaixo de 200 nanogramas é encontrada em todos os pacientes narcolépticos com cataplexia típica e em 50% dos narcolépticos com catalexia atípica ou sem cataplexia.
Tratamento – Na maior parte dos casos, o paciente é visto pelos familiares e amigos como prequiçoso e isso dificulta sua carreira profissional e atividades sociais. Assim, o tratamento visa medidas comportamentais de reintegração social e familiar, pois a média de evolução dos sintomas até o diagnóstico é de dez anos, período em que ocorre muita estigmatização do paciente. Portanto, é muito importante as orientações e esclarecimentos dos familiares e pessoas do convívio social, pois resulta no melhor controle da doença.
Higiene do sono – Horários regulares para as atividades do dia-a-dia e para o sono são fundamentais. Os pacientes devem evitar situações de privação do sono noturno e, sempre que possível, devem realizar cochilos programados por 15 a 20 minutos, duas a três vezes durante o dia, para facilitar o controle da sonolência diurna.
Farmacos – Drogas estimulantes do sistema nervoso central como: metilfenidato (semelhante à anfetamina), modafinil, e droga como a selegilina (antagonista da monoaminoxidase B), podem ser usadas no tratamento. Os ataques de cataplexia são controlados com antidepressivos tricíclicos como, amitriptilina, imipramina e clormipramina.
Referências:
Black JL 3rd. – Narcolepsy: a review of evidence for autoimmune diathesis. Int rev Psychiatry 2005.Dec; 17(6):461-469.
Houghton WC, Scammell TE, Thorpy M – Pharmacotherapy for cataplexy. Sleep Med Rev. 2004 Oct;8(5):355-366.
Culebras A – Update on idiopathic narcolepsy and the symptomatic narcolepsy. Rev Neurol Dis. 2005;2(4):203-210.
Tags: cataplexia, hipocretina, narcolepsia, sonolência

Fabiana comenta:
11 fevereiro, 2010 @ 7:03 AM
Olá! Parabéns pela matéria esta muito esclarecedora!
Tenho 24 anos, comecei a sentor os sintomas de narcolepsia após os 20 anos… Faço tratamento á menos de 6 meses e posso dizer que sou outra pessoa!!!
A sonolencia diminuiu muito!!!
Estou casada a pouco mais de um ano e gostaria de ter filhos a partir do ano que vem… Gostaria de saber se alguém conhece uma pessoa que tenha narcolepsia e já teve bebe….
Abraços!!!
Juliana comenta:
30 abril, 2010 @ 10:58 AM
Excelente a resenha!!
Preciso fazer um trabalho sobre doenças do sono e esse artigo ajudou bastante. Conheço pessoas com narcolepsia que dormem até mesmo dirigindo. Complicado…
Achei um teste online de sonolência com Base na Escala de Sonolência de Epworth muito interessante pra quem suspeita ter sonolência excessiva.
http://www.polisono.com.br/sono/teste-grau-sonolencia.asp
Bem legal o teste…nesse site também tem informações sobre doenças do sono como a Narcolepsia…
Abraços!