23 - jun
  

Menopausa – Hormônio Folículo Estimulante (FSH)

Categoria(s): Caso clínico, Endocrinologia geriátrica, Ginecologia geriátrica




Menopausa – Hormônio Folículo Estimulante (FSH)

 

Interpretação clínica

  • mulher de  52 anos se apresenta com queixas de ondas de sudorese e irregularidades menstruais. Sempre teve ciclos menstruais regulares, até uma ano atrás, quando se tornaram gradualmente irregulares. A sudorese, geralmente, ocorre à noite, acordando-a. A paciente não toma medicamentos. Teve dois filhos de parto normal e nunca foi submetida a nenhuma cirurgia. Exame físico normal.
  • A concentração de hormônio folículo estimulante (FSH) é de 15 mU/ml (normal, 5 a 20 mU/ml).

Ela quer saber se já está na menopausa e se a terapia hormonal a fará sentir-se melhor.

O climatério é o período da vida da mulher em que ocorrem alterações importantes na endocrinologia, decorrentes da redução do patrimônio folicular ovariano, as quais conduzem a diminuição da produção de estradiol e inibina (hipoestrogenismo) e esterilidade definitiva, que corresponde a última menstruação (denominada menopausa). Observa-se, com a queda do estradiol e da inibina por mecanismo de retroação negativa, aumento inicialmente do FSH, enquanto os níveis sangüíneos de LH ainda permanecem normais. Nessa fase a mulher ainda tem possibilidade de ocasionalmente menstruar, ovular e engravidar.

Os níveis elevados de gonadotrofinas na pós-menopausa atuam no estroma ovariano aumentando a produção de androgênios (testosterona e androstenediona). Estes androgênios juntamente com os produzidos pelas adrenais são convertidos nos tecidos periféricos, especialmente tecido gorduroso, através da aromatase em estrona, principal hormônio da mulher no climatério.

O início da menopausa é tipicamente um processo que vai e volta, e a uma única dosagem do FSH sérico normal não descarta a menopausa como causa dos sintomas da paciente. Se outras causas forem descartadas (exemplo hipertireoidísmo) pela história e pelo exame físico, é razoável fazer um teste terapêutico com terapia de reposição hormonal com estrogênio. Caso a paciente não apresentar um melhora dos sintomas em um mês, deve-se fazer novas avaliações para outras potenciais causas de seus sintomas. Se a paciente tiver melhora dos sintomas pode-se continuar a reposição de estrogênio e uma progestina pode ser adicionada ao regime.

Devemos lembrar que a queda do estrogênio determina alterações atróficas na pele e nas mucosas, que conduzem a sintomas importantes no aparelho genitourinário: atrofia vaginal causadora  infecções; atrofia do assoalho pélvico ocasionando distopias; atrofia da mucosa do aparelho urinário com conseqüente aparecimento de disfunções miccionais e infecções urinárias.

As alterações comportamentais, como ansiedade, insônia, irritabilidade e depressão, são freqüentes neste período e podem ser atribuídas a alterações nos neurotransmissores nas mudanças físicas. Porem, mais importante do que as repercussões precoces da menopausa são as manifestações tardias que podem com freqüência levar a complicações sérias para a saúde da mulher, como: osteoporose, doenças cardiovasculares, obesidade, diabetes e alterações cognitivas.

Referências:

Belchetz PE – Hormonal treatment of postmenopausal women. N Engl J Med 1994;330:1062-1071.

Abdo, CHN & Oliveira Jr., WM. Aspectos psiquiátricos do climatério. In: Pinotti, JA; Fonseca, AM; Bagnoli, VR (eds.) – Tratado de Ginecologia. Condutas e Rotinas da Disciplina de Ginecologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.Rio de Janeiro. Livraria e Editora Revinter Ltda. 2004. cap.50. p.337-341.

Fonseca, AM; Hegg, R; Guarnieri Netto, C de; Melo, NR & Salvatore, CA. Climatério: aspectos epidemiológicos e clínicos. Rev. Bras. Clin. Terap. 1985; 14(11/12):389-91.

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