jun
16

Xerostomia – diminuição da saliva

Categoria(s): Gastrogeriatria, Odontogeriatria


Dicionário

A saliva é uma mistura homogênea de secreções produzidas principalmente pelas glândulas salivares e pelas glândulas bucais menores, que desenham uma função dupla: participação no processo de digestão e facilitação da deglutição dos alimentos.

A saliva é um líquido claro, viscoso, alcalino (pH entre 6 e 7), que contém em sua composição: 95% de água, 3% de substâncias orgânicas e 2% de sais minerais. Além disso, também apresenta dois tipos de secreção protéica: uma secreção serosa e rica em ptialina, que contribui para digestão do amido; outra secreção mucosa, que contém mucina, elemento lubrificante que facilita a mastigação e a passagem do bolo alimentar pelo esôfago através da deglutição.

A cada minuto se secreta uns 0,5 ml de saliva, exceto durante o sono, quando a secreção é escassa. A saliva desempenha um papel importante na manutenção dos tecidos bucais, uma vez que exerce um efeito de limpeza arrastando substâncias alimentares e microorganismos patogênicos que se não fossem removidos, contribuiriam com o surgimento de cáries dentais, infecções e deterioração dos tecidos. Além disso, ela também possui enzimas proteolíticas e anticorpos protéicos que destroem as bactérias bucais.

A saliva é produzida e secretada por três pares de glândulas, as glândulas salivares menores (glândulas subliguais), que são glândulas dispersas em toda a camada de epitélio que reveste o palato , os lábios , as bochechas , as tonsilas e a língua, secretam apenas muco com a função de conservar a umidade da mucosa oral ; e as glândulas salivares maiores (parótidas e submandibulares), que estão localizadas fora das paredes da cavidade oral. As glândulas mais ativas são as submandibulares e as menos ativas são as sublinguais. Estas glândulas têm características exócrinas e são constituídas por ácinos seromucosos e mucosos, sendo estimuladas pelo sistema nervoso autônomo e pelos hormônios vasopressina e aldosterona.

Sintomas de secura na boca e nos olhos, mialgias e fadiga são extremamente comuns na população geral associados com ansiedade, depressão, efeitos colaterais de medicamentos (antidepressivos tricíclicos e alguns medicamentos para resfriados e certas cardiopatias) e, muitas vezes, com doenças que cursam com disfunção do sistema nervoso autonômico.

Xerostomia

Xerostomia (boca sêca) ocorre por diminuição do fluxo salivar que é causada pelo efeito colateral bucal de cerca de 60% dos remédios que o idoso ingere normalmente. Além de aumentar as cáries,doença periodontal, saburra na língua e mau hálito, impede uma mastigação adequada dos alimentos,que obrigam a pessoa mudar a consistência de sua dieta,que vai causar problemas digestivos.

Com a boca sêca o idoso perde a percepção de gosto dos alimentos e aí passa a  coloca mais açúcar e mais sal no que come, influenciando no controle da diabetes e da pressão arterial, respectivamente.

A xerostomia é considerada critério de difícil definição e mensuração, podendo ocorrer em outras condições:

1. temporárias – uso de anti-histamínicos etc.; infecções bacterianas e virais, em especial caxumba; de sidratação; depressão e síndrome do pânico;

2. crônicas – antidepressivos, diuréticos, clonidina, anticolinérgicos, neurolépticos etc.; doenças granulomatosas tais como sarcoidose, lepra, tuberculose; amiloidose; infecção por HIV; doença do enxerto versus hospedeiro; fibrose cística; diabetes mellitus não controlada;

3. outras – radioterapia, trauma ou cirurgia em cabeça e pescoço; glândulas malformadas ou ausentes.

Ocorre aumento de parótida, mas freqüentemente não é detectado, pelo médico que não procura por este achado.

Depressões do sistema imunológico do idoso, que somadas à xerostomia, causam um aumento exagerado do número de bactérias na boca, estas formam colônias, que além de permitirem maior chance de contaminação pulmonar e gengivas inflamadas, podem desencadear graves infecções cardíacas como a endocardite infecciosa, pois a região de orofaringe é rica em vasos e estas infecções podem ganhar a corrente sanguínea.

Referências:

PALLÀS, Mercê C. Importancia de la nutrición en la persona de edad avanzada. Barcelona: Novartis, 2002.

Tags: ,


Deixe seu comentário aqui !