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Estudo de caso – Ferimento com agulha de injeção

Categoria(s): Caso clínico, Infectologia


Interpretação clínica

  • Uma enfermeira foi atingida por uma picada profunda de agulha usada em atendimento de um paciente infectado pelo vírus da hepatite B (antígeno e positivo)  e hepatite C. O paciente nunca esteve em atendimento médico até a presente data, quando sofreu uma queda de uma escada e foi detectado estas infecções virais. Exames para HIV negativos.

Qual o risco dessa enfermeira vira a apresentar hepatite B ou C, ou ambas?

O risco maior é para hepatite B (antígeno e positivo) – cerca de 30% a 40% das picadas com agulhas contaminadas;  hepatite C – cerca de 3%; HIV – aproximadamente 0,25%. A probabilidade de algum vírus ser transmitido depende do número deles presente no material contaminado, da natureza da lesão e de fatores do hospedeiro (enfermeira), como estado imune prévio.

Hepatite B

Vírus da hepatite B – O vírus da hepatite B apresenta oito genótipos, determinados de acordo com a variação da seqüência completa do genoma do HBV. Tais genótipos se expressam em áreas geográficas distintas no mundo e têm participação diferente na progressão da doença e na resposta ao tratamento. Eles podem influenciar, por exemplo, a taxa de progressão de fibrose ou o índice de desenvolvimento do CHC e deveriam ser levados em consideração antes de ser definido o tratamento. Embora as estatísticas sobre a expressão do HBV no Brasil sejam precárias, sabe-se que os genótipos A, D e F são os mais encontrados,

O vírus HBV apresenta uma parte central chamada core. Nele se encontra o ácido nucléico vírus, uma enzima DNA-polimerase e três diferentes antígenos: o antígeno da superfície viral, denominado pela sigla HBsAg – Austrália, o antígeno do core, o HBcAg e o antígeno E ou HBeAg. Cada um estimula a produção de anticorpos específicos: respectivamente, anti-HBs, anti-HBc e anti-HBe. Em pessoas não vacinadas, a presença do vírus é detectada pela identificação do antígeno HBsAg e HBeAg. A pesquisa desses marcadores é importantíssima não somente no diagnóstico, mas no controle da hepatite B viral, pois a persistência dos antígenos ou a sua predominância em relação aos anticorpos indicam o estágio clínico da doença.

Para detectar a carga viral, é preciso medir a concentração do DNA do vírus por meio da reação em cadeia da polimerase. O teste de PCR é o mais eficaz. Se a carga viral for acompanhada do antígeno HBeAg em alta concentração, a chance de replicação do HBV é maior; se o antígeno HBeAg apresentar-se em concentração muito baixa, dificilmente o vírus terá capacidade de infectar outras pessoas.

A hepatite B crônica não tem cura, como se sabe. As drogas antivirais existentes não conseguem inibir completamente a replicação do HBV, o que explica os altos índices de recorrência da doença quando há interrupção do tratamento. Entretanto, os medicamentos disponíveis podem evitar que o vírus cause danos irreversíveis como a cirrose e o câncer. A produção de anticorpos contra o vírus (anti-HBs), a sua supressão prolongada, a redução da taxa de cirrose, da insuficiência hepática e do carcinoma hepatocelular, bem como a diminuição da morbidade e da mortalidade pela doença estão entre os principais objetivos dos tratamentos atuais.

Hepatite Crônica – A infecção pelo HBV evolui para hepatite crônica na ausência de produção de anticorpos anti-HBs (anticorpo esterilizante). Essa progressão ocorre em 5% a 10% dos casos de infecção em adultos. Os indivíduos cronicamente infectados podem passar por quatro fases distintas da doença: a fase de tolerância imunológica; a fase de reação imune, ou fase de clearance, como é chamada, ou HBeAg-positivo; a fase de portador inativo, de baixa replicação do vírus; e a fase de reativação ou HBeAg-negativo. Os casos de hepatite B crônica HBeAg-negativa tendem a ser os mais agressivos. Levam a um desenvolvimento rápido de cirrose e CHC e exigem tratamento mais longo.

Entre 15% e 40% dos doentes desenvolvem complicações como cirrose, insuficiência hepática ou câncer do tipo carcinoma hepatocelular, denominado de CHC. Calcula-se que 50% dos casos atuais desse tipo de câncer estejam associados à infecção crônica pelo HBV, abreviatura do inglês para HepatiteBVirus. No Brasil, a porcentagem da população que apresenta anticorpos ao vírus, taxa denominada de soroprevalência, é de 7,9%.

Referência:

Petrosillo N, Puro V, Jagger J, Ippolito G – The risks of occupational exposure and infection by human immunodeficiency virus, hepatitis B virus, and hepatitis C virus in the dialysis setting. Italian Multicenter Study on Nosocomial and Occupational Risk of infections in Dialysis. Am J Infect Control 1995;23:278-285.

Mincis M. Gastroenterologia & Hepatologia. São Paulo, 3ª ed, Lemos Editorial 2002

Mattos AA, Dantas W. editores. Compêndio de hepatologia. 2ª ed. São Paulo, Fundo Editorial Byk. 2001

Coelho JCV. Aparelho Digestivo. Clínica e Cirurgia. São Paulo, Atheneu 2005

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1 Comentário »

  1. Giuliano Rafael Trentin comenta:

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