Arquivo de 12/jun/2009





12 - jun

Andropausa

Categoria(s): Endocrinologia geriátrica, Sexualidade e DST, Urologia geriátrica

Interpretação clínica

  • Homem de  52 anos se apresenta com queixas de canseira aos médios esforços nos últimos 4 mêses. A canseira tem sido progressiva, acompanhada de desmotivação e perda da força muscular e aumento do peso, especialmente na região abdominal. Refere perda da libido e dificuldade para manter ereção.
  • Exame físico sem anormalidades. Pressão arterial de 120/75 mmHg, coração ritmico e hemodinamicamente estável.
  • No exame laboratorial apresenta testosteronal sérica total de 215 ng/dl e livre abaixo de 4,3ng/dl.

Como entender o défict de testosterona e sua implicação com os sintomas apresentados pelo paciente?

O paciente pode estar apresentando a chamada Deficiência Androgênica no Envelhecimento Masculino (DEAM) também conhecida como Hipogonadismo Masculino Tardio ou mais popularmente como Andropausa que acomete principalmente indivíduos acima dos cinqüenta anos de idade, e se caracteriza pela diminuição da produção de testosterona (hormônio sexual masculino), provocando alterações a nível físico e emocional. No Brasil o número de indivíduos idosos com hipogonadismo encontra-se ao redor de 1,5milhão.

Apesar de neste caos o paciente apresentar sintomas que indicam a falta hormonal os níveis de testosterona podem variar durante a semana entre o limite baixo do normal e levemente abaixo do normal sendo, portanto importante dosar por duas vezes a testosterona para confirmação diagnóstica.

Andropausa

TESTOSTERONA

A testosterona, um esteróide sintetizado a partir do colesterol ou diretamente da acetil-coenzima A (esta é resultante da conversão de ácido pirúvico, que por sua vez é produzido da degradação da glicose), é o principal hormônio sexual masculino produzida pelas células intersticiais de Leydig, que constituem o compartimento endócrino da gônada masculina.

Após sua secreção a testosterona liga-se à albumina plasmática e mais fortemente a uma beta – globulina chamada Globulina de Ligação de Esteróides Gonádicos que circula até aproximadamente uma hora e atinge os tecidos necessários para posterior degradação.

Nos tecidos predomina a ação da testosterona ligada a albumina pelo fato desta ligação ser mais facilmente quebrada. A testosterona, no interior destes tecidos, em grande parte é convertida em diidrotestosterona para realizar suas funções.

O principal controle de produção de hormônios sexuais é feito pelo hipotálamo através do GnRh (hormônio de liberação das gonadotropinas). O GnRh estimula a adeno-hipófise a produzir hormônios gonadotróficos: LH (hormônio luteinizante) e FSH (hormônio folículo estimulante). O LH estimula as células de Leydig a produzir testosterona. O FSH se liga a receptores das células de Sertoli nos túbulos seminíferos. Através desta ligação as células crescem e produzem substâncias que estimulam a produção de espermatozóide.
A testosterona, por sua vez, mantém a espermatogênese por longo tempo. A quantidade de produção de testosterona varia ao longo do dia, normalmente os níveis séricos são mais elevados no período da manhã em relação ao noturno. A produção diária diminui ao longo da vida, principalmente após os 45 anos de idade.

Apresenta como funções: a diferenciação sexual masculina do embrião e do feto. Sua ação ajuda no desenvolvimento da genitália externa masculina, assim como próstata e testículo; diferenciação determinada pelo cromossomo Y que
caracteriza o sexo masculino.

Na puberdade contribui para a virilização masculina com o aumento da massa muscular, distribuição típica de pelos, crescimento e desenvolvimento do pênis e dos testículos e também das cordas vocais. No adulto, controla todas as funções
sexuais, desde a libido (desejo sexual) até potencia sexual e fertilidade. Atua também em gordura, sistema nervoso central, buscando um equilíbrio do organismo como um todo.

Vários estudos têm demonstrado a redução dos níveis de testosterona com o envelhecimento. Estima-se em 1% a queda anual em quantidade de testosterona circulante após os 30 anos de idade, associado a aumento nos níveis de SHBG
(globulina ligadora de hormônios sexuais) com o envelhecimento. Como já foi dito anteriormente a ligação da testosterona com esta globulina é de forte intensidade o que prejudica sua ação nos órgãos alvo.
A diminuição de testosterona tem três causas básicas: alterações testiculares primárias com diminuição da sua secreção; a segunda decorrente da irregularidade dos pulsos de LH e de menor produção de GnRh; a terceira é o aumento da capacidade de ligação da SHBG em torno 1,2% ao ano.

Tratamento – A reposição hormonal em homens com Hipogonadismo Tardio está indicada quando existe sintomatologia e níveis séricos de testosterona baixos (testosterona total abaixo de 300ng/dl e livre abaixo de 6,5ng/dl).

O tratamento deve objetivar a melhora dos sintomas já abordados anteriormente trazendo bem estar físico, psicológico e social para o paciente.

Veja mais – Deficiência androgênica no envelhecimento masculino

Referências:

CAMPUSANO,C.M. et al. Comparación de distintos métodos para evaluar la funcion andrógenica em el adulto mayor.Rev. Méd. Chile, v.134, p.1123-1128, Marzo 2006.

KOHN F.M., Testosterone and body functions.Aging Male.2006;9(4),p.183-188.

MARTITS, A.M., COSTA E. M. F. Hipogonadismo Masculino Tardio(Andropausa): Diagnóstico.Projeto Diretrizes-Associação Médica Brasileira e Conselho Federal de Medicina. Jul.2004.

MARTITS, A.M., COSTA E.M. Hipogonadismo Masculino Tardio (Andropausa): Tratamento. Projeto Diretrizes-Associação Médica Brrasileira e Conselho Federal de Medicina.Jul.2004.

MOCADA I., Testosterone and men’s quality of life. Aging Male. 2006 Dec.; 9(4), p.189-93.

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