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AIDS entre os idosos brasileiros – Parte 1. Aspectos epidemiológicos

Categoria(s): Demografia, Infectologia


Resenha

O estigma do preconceito

Colaboradora: Daniela Maria Cardozo *

* Médica generalista e pós-graduada do curso Saúde e Medicina Geriátrica da Metrocamp

A AIDS – Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, é uma doença que se manifesta após a infecção do organismo humano pelo vírus da imunodeficiência humana, mais conhecido como, Human Immunodeficiency Vírus (HIV). Os pacientes infectados pelo HIV apresentam um espectro de manifestações que vai desde a ausência de sintomas até a Aids, ou seja, pacientes que apenas portam o vírus até pacientes que já desenvolveram a imunodeficiência (GOLDMAN; AUSIELLO, 2002).

O vírus HIV age no interior das principais células do sistema de defesa imunológica das pessoas, os linfócitos. Ao entrar nessas células, o HIV se integra ao seu código genético gerando cópias de si mesmo.  Os linfócitos  infectadas pelo vírus HIV – Entre os linfócitos, o tipo mais atingido pelo vírus é o chamado linfócito TCD 4 – passam a trabalhar com  menos eficiência até serem destruídas. Dessa forma, com o passar do tempo, a habilidade do organismo para combater doenças comuns diminui, permitindo, então, o aparecimento de infecções oportunistas, como fúngicas.

Tornando-se uma epidemia global, o vírus HIV e a Aids tornaram seus números de incidência dinâmicos e instáveis, e com múltiplas dimensões e que vem sofrendo transformações epidemiológicas significativas (BRITO; CASTILHO; SZWARCWALD, 2001).  Tais mudanças, por serem de certa forma significativas no perfil epidemiológico no Brasil, refletem a grande discrepância social, entre as camadas da população brasileira. A contaminação pelo vírus HIV e a AIDS, que era de certa forma restrita a determinados grupos de risco como os homossexuais, os hemofílicos e os usuários de drogas injetáveis dos grandes centros urbanos, tem sua disseminação entre as mulheres, heterossexuais, idosos e pessoas de nível social baixo e aos pequenos centros urbanos. Isso ocorreu devido a baixa escolarização e o desconhecimento sobre os meios de contágio do vírus e sua disseminação e métodos de se prevenir a doença, como também o aumento no número de usuários drogas injetáveis nos pequenos centros urbanos do país e a não utilização de preservativos entre indivíduos casados.

Epidemiologia

Conforme o Boletim Epidemiológico, publicado em 2007, o Brasil registrou 192.709 óbitos por aids, de 1980 a 2006, considerando que os dados do ano de 2006 ainda não são conclusivos. A proporção de pessoas que são portadoras do vírus HIV e convivem com a aids em até cinco anos após  diagnosticada a doença, em 2000, apontam que cerca de  90% das pessoas com aids residem no Sudeste. Em  outras regiões, os percentuais foram de 78%, no Norte; 80%, no Centro Oeste; 81%, no Nordeste; e 82%, no Sul.  Esse mesmo boletim demonstra que 20,5% dos indivíduos diagnosticados com aids no Norte haviam morrido em até um ano após a descoberta da doença. No Centro Oeste, o percentual foi de 19,2% e no Nordeste, de 18,3%. Na região Sudeste, o indicador cai para 16,8% e, no Sul, para 13,5%. A média do Brasil foi de 16,1%.

O Programa das Nações Unidas para Aids / Unaids (2009) -  divulgou recentemente dados mais assustadores e alarmantes de que diariamente cerca de 14 mil pessoas são infectadas no mundo; 20 milhões de pessoas já faleceram e aproximadamente 40 milhões estão vivendo com HIV / Aids. E, se não houver uma mudança de paradigmas com relação à doença, até o ano de 2010, a doença irá deixar 25 milhões de crianças órfãs pelo mundo. [on line]

Perfil dos infectados

No início dos anos 80, o governo brasileiro intensificou-se em promover campanhas educativas, com o objetivo de promover o sexo seguro entre os principais grupos de risco como os homossexuais, as prostitutas, os usuários de drogas injetáveis, os jovens heterossexuais e as mulheres casadas, alertando sobre o problema da contaminação com o vírus HIV, pelo não uso de preservativos por esses indivíduos.

O que veio a surpreender os profissionais de saúde no Brasil, foi que o número de pacientes com idades acima de 50 anos, começou a aumentar consideravelmente como nunca tinha sido detectado em nenhuma outra faixa etária e, conforme o Ministério da Saúde, principalmente entre as mulheres idosas, foi assustador, chegando a estatística de 567% entre os anos de 1991 a 2001.  O HIV avançou sobre os brasileiros idosos, justamente porque as pessoas sempre tiveram uma impressão errada, um preconceito sobre a prática sexual entre os idosos.

Papel do parceiro – É comum que a mulher a partir dos 50 anos de idade perca consideravelmente a libido, e tenha a lubrificação vaginal diminuída. Mas, com o homem não ocorre o mesmo com relação a sexualidade.  Diante do avanço farmacológico, como o descobrimento das drogas contra a disfunção erétil e pela falta de interesse no sexo pela parceira, então ele busca o sexo fora do casamento, com pessoas mais novas, geralmente prostitutas ou de grupo de risco, e, numa eventualidade, faz sexo com sua mulher, podendo contaminá-la com o vírus HIV.

O médico geriatra deve ficar atento para esta mudança no perfil dos infectados pelo HIV, pois  em virtude do preconceito existente com relação à prática sexual por esses idosos, muitos profissionais de saúde, mesmo diante de um quadro sintomatológico clínico de AIDS, não realizavam testes para identificação do vírus nesses pacientes, retardando o tratamento.

Veja as referências na página do dia 26 de maio de 2009 – AIDS entre os idosos brasileiros – Parte 3. Prevenção

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