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Delirium na UTI – Parte 5. Tratamento

Categoria(s): Emergências, Neurogeriatria


Delirium

Síndrome potencialmente letal e pouco diagnósticada

Colaborador: Jeyber Daoud Braz *

* Médico intensivista e pós-graduado do curso Saúde e Medicina Geriátrica da Metrocamp

O delirium é uma emergência médica cujo desfecho depende da causa, da saúde em geral do paciente e das chances e rapidez do tratamento. A abordagem inicial do paciente com delirium deve centrar-se no diagnóstico e tratamento de qualquer fator causal ou contribuinte e em medidas de apoio visando as funções vitais do paciente. Todo esforço deve ser realizado para minimizar doses de medicações com efeitos no SNC, exceto no delirium por abstinência a sedativos ou álcool, onde a dose do benzodiazepínico (lorazepam) administrado deve ser proporcional à que foi suprimida antes da instalação da síndrome de abstinência e do delirium. O tratamento do delirium varia com a condição específica que o está causando e objetiva controlar ou reverter suas manifestações, ou seja, o tratamento das condições que contribuam para a confusão mental, por exemplo, insuficiência cardíaca, hipóxia, hipercapnia, anemia, alterações tireoidianas, infecções, insuficiência renal, condições psiquiátricas como a depressão, etc. Portanto, o primeiro passo é identificar suas causas e corrigi-las.

Cuidados gerais

O tratamento deve incluir também intervenção nos processos de trabalho em ambiente hospitalar incluindo a implantação de protocolos para manuseio dos principais fatores de risco (idade avançada, problemas cognitivos, privação de sono, distúrbios sensoriais, desidratação, etc.., instituindo-se medidas como flexibilização dos horários de visitas para possibilitar uma maior interação com familiares ou amigos, o uso de relógios ou calendários para permitir uma melhor orientação do tempo, a redução de ruídos e iluminação noturna para aumentar o conforto do paciente. Em se tratando de pacientes idosos debilitados e com múltiplos problemas clínicos, contenção física é quase sempre indesejável e na maioria das vezes prejudicial ao paciente. Quando se decidir pelo seu uso seus aspectos negativos devem ser considerados e não deve ser permitida exceto se por tempo limitado e para situações muito particulares. Deve ainda deve ser priorizada a comunicação com paciente, oferecendo orientações sobre a doença e o tratamento com linguagem clara e adequada ao seu entendimento bem como de seus familiares além dos cuidados ambientais quando no momento da alta. Deve-se ainda tomar precauções quanto aos comentários em sua presença.

Aspectos farmacológicos

O tratamento medicamentoso para a paliação dos sintomas do delirium hiper-ativo é o mesmo que o empregado para quadros de agitação psicomotora; o objetivo será a contenção da agitação, da agressividade ou de ansiedade intensa. Se for necessário sedar o paciente idoso a droga de escolha é o haloperidol (Haldol) 0,5 a 1,0 mg por via oral ou parenteral de 30 em 30 minutos até que o paciente fique calmo ou sedado. Não devemos recorrer aos benzodiazepínicos ou neurolépticos de baixa potência ou outros sedativos como barbitúricos e antihistamínicos, os quais geralmente pioram o quadro.

Para os raros casos de agitação incontrolável com as medidas acima descritas, a exemplo de pacientes idosos francamente agitados na enfermaria ou em UTIs, haloperidol endovenoso, 5mg a cada 30 minutos até o controle da agitação ou em associação com diazepam na proporção de 4 mg de haloperidol para 1mg de diazepam, administrado em escala geometricamente progressiva tem sido igualmente eficaz e com menos efeitos colaterais extrapiramidais do que o haloperidol isolado endovenoso e menos ainda do que doses significativamente menores por via oral.

Uma situação grave contra-indica formalmente esse plano terapêutico que é a existência de miocardiopatia dilatada. Nessa circunstância, o uso endovenoso de haloperidol está associado à ocorrência de arritmias cardíacas graves, especialmente “torsades des points”. Por essa razão é mandatória a realização de um eletrocardiograma antes do início e durante a farmacoterapia intravenosa com haloperidol. Benzodiazepínicos se constituem no tratamento de escolha para os casos de delirium associados à abstinência ao álcool, barbitúricos e benzodiazepínicos e nos pacientes com doença extrapiramidal. O lorazepam, já mencionado, é a primeira opção deste grupo. Outras drogas a serem consideradas são a resperidona (a dose precisa ser tateada, e geralmente varia de 2.5 a 20 mg/d vo.) o lorazepan: 3 a 6 mg/d vo ( droga de escolha nesta classe por ter curta meia vida e não ter metabólitos ativos) ou o midazolan: 30 a 100 mg/d sc ou ev (usado quando o interesse é sedar o paciente a um nível de consciência onde seus sintomas não se expressem mais, por ter-se mostrado o delirium irreversível e refratário a outras medidas e a decisão precisa ser tomada em conjunto com a família.

Referências:

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Disponível no site: URL: http://www.mayo.edu/geriatrics-rst/DelMgMt.html

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