06 - mai
  

Síndrome miofascial ou fibromialgia?

Categoria(s): Reumatologia geriátrica




Síndrome miofascial ou fibromialgia?

Resenha

A síndrome miofascial é definida quando clinicamente encontramos um determinado grupo muscular comprometido que desenvolve faixas de contratura, mais conhecidas como pontos-gatilho (do inglês, trigger points). Estes músculos são dolorosos a compressão, contração ou alongamento e, quando estimulados, produzem dores localizadas e referidas. O termo miofascial vem de mio, que significa músculo, e fáscia que é a estrutura composta por tecido conjuntivo, responsável pela sustentação e modelação da musculatura e do esqueleto. Veja o exemplo o conjunto fibroso que envolve o braço, sede de processos dolorosos.

Fáscias

O mecanismo que dá origem ao desenvolvimento da síndrome miofascial e seus pontos-gatilho não está bem elucidado, embora se saiba que o estilo de vida atual é o principal fator implicado. Existem causas fisiológicas, também, na origem de parte dos casos, como deficiência de vitaminas e sais minerais; alterações metabólicas e endócrinas, relacionadas, por exemplo, ao hipotireoidismo ou hipoglicemia.

Sítios dolorosos -  A síndrome miofascial afeta determinados grupos musculares em especial, como:

• Músculos da região cervical posterior.
• Músculos esternocleidomastóideo e escaleno.
• Trapézio.
• Infra-espinhoso.
• Supra-espinhoso.
• Elevador da escápula, rombóide e musculaturaparavertebral dorsal.
• Músculos extensores e flexores do antebraço.
• Músculos peitorais (maior e menor).
• Musculatura paravertebral lombar (ou sacrolombar) e o quadrado lombar.
• Músculos glúteos, tensor da fáscia lata e piriforme.

Diagnósticos diferenciais – A síndrome miofascial deve ser diferenciada das seguintes doenças:

• Espasmo muscular
• Deficiência muscular
• Síndrome facetária
• Artropatias mecânicas e inflamatórias
• Radiculopatia
• Tendinites e tenossinovites e bursites
• Miopatias
• Fibromialgia

Fibromialgia – A síndrome miofascial se superpõe, em diversos aspectos, com a síndrome da fibromialgia. Na realidade, muitas das publicações do passado referentes à “fibrosite” descreviam pacientes com o que atualmente é classificado como síndrome miofascial. Enquanto a síndrome da fibromialgia é marcada pela presença de dor difusa, a síndrome miofascial é definida como a presença de dor muscular regional.

Tratamento

Além de ser difícil de diagnosticar, a síndrome miofascial não é sujeita ao mesmo tipo de abordagem terapêutica das doenças miálgicas ou reumáticas. O tratamento da dor muscular crônica é algo individualizado, de acordo com o quadro clínico do paciente, suas preferências e disponibilidades ou até mesmo on perfil de sua família”. O tratamento da síndrome miofascial é necessariamente multidisciplinar e deve, além do médico, incluir psicólogos, fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais dependendo da complexidade do caso. A abordagem consiste basicamente em dois tipos de terapias, de alí­vio e coadjuvantes. As terapias de alívio, cuja finali­dade é diminuir os sintomas agudos, podem envolver o emprego de fármacos, como relaxantes muscula­res, dipirona e paracetamol, bem como a infiltração dos pontos-gatilho com anestésicos locais. Às vezes o anestésico nem é importante. Já se observou que a simples introdução da agulha no centro do ponto-gatilho produz o alívio da dor. O efeito é semelhante à ação da acupuntura, um recurso a ser considerado, sem dúvida, no tratamento posterior da dor, passada a crise. A infiltração na crise, com ou sem anestésico, tem uma desvantagem: o agulhamento constante dos pontos-gatilho pode provocar lesões musculares.

As terapias coadjuvantes, não-farmacológicas, são indispensáveis no tratamento de longo prazo, com vistas à reabilitação e à reeducação postural do paciente. Há uma diversidade de métodos, atualmente, mas a escolha deve levar em conta o tipo, a duração e a severidade da dor; as habilidades e capacidades do doente; o acesso ao tratamento e o custo, bem como o tipo de preferência, visto que são terapias de longa duração, com efeito lento, progressivo. A fisioterapia, o método Pilates, a reeducação postural global (RPG) e os exercícios físicos são algumas alternativas terapêuticas.

Existem, ainda, as terapias que interferem nas estruturas conjuntivas do sistema musculoesquelético, ou seja, as fáscias, com resultados eficazes, entre elas a integração estrutural Rolfing é a mais conhecida.

Veja mais – Fibromialgia

Fáscia – Esqueleto fibroso do corpo

Referências:

Yunus MB. Fibromyalgia syndrome and myofascial pain syndrome: clinical features, laboratory tests, diagnosis, and pathophysiologic mechanisms. In: Edward S. Rachlin. Myofascial Pain and Fibromyalgia. Mosby Ed. 1994;3-29.

Bengtsson A, Henriksson KG, Jorfeldt L et al. Primary fibromyalgia: a clinical and laboratory examination of 55 patients. Scand J Rheumatol. 1986;15:340-347.

Brown BR. Diagnosis and therapy of common myofascial syndromes. Jama. 1978;239:646.

Cooper BC, Alleva M, Cooper DL et al. Myofascial pain dysfunction: analysis of 476 patients. Laryngoscope. 1986;96:1099.

Fourie LJ. The scapulocostal syndrome. S Afr Med J. 1991;79:721-724.

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1 Comentário »

  1. marina comenta:

    9 novembro, 2009 @ 3:03 PM

    adorei esta reportagem p/ mim foi muito importante

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