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Insuficiência cardíaca congestiva – Miocardiopatia dilatada

Categoria(s): Cardiogeriatria, Caso clínico




Insuficiência cardíaca – Miocardiopatia dilatada: Interpretação clínica

  • Homem de 63 anos foi internado pelo setor de emergência 24 horas antes, com intensa dispnéia. Refere que os sintomas de dispnéia foram crescente dos exercícios ao repouso nos últimos 8 meses. Nas últimas duas semanas tem notados inchaço nas pernas e aumento de peso de 6,4 kg.
  • Há 4 anos um exame ecocardiograma mostrou fração de ejeção estimada de 30% e dilatação significativa do ventrículo esquerdo. A cintilogafia de perfusão realizada há 1 mês foi negativa para isquemia, porém confirmou a cardiomegalia e a baixa fração de ejeção (25%).
  • Os medicamentos em uso são: benazepril 10 mg diários; furosemida 40 mg diários; e digoxina 0,125 mg diários.
  • Na manhã seguinte a internação, após urinar 2 ,5 litros durante a noite com furosemida endovenoso, apresentava-se melhor. Ao exame físico, o pulso é de 90 bpm e PA 110/70 mmHg. Estase jugular pulsátil bilateral à 45º; pulmões limpos; hepatomegalia (8 cm) dolorosa; edema leve nos tornozelos e região pré-tibial. Coração com ausculta rítmica e presença de terceira e quarta bulhas. Sopro sistólico de regurgitação mitral 2+/6.

Além da determinação dos eletrólitos séricos, qual o procedimento a ser tomado a seguir?

Que o paciente é portador de miocardiopatia dilatada com sinais de insuficiência cardíaca sistólica nos já sabiamos, o ponto atual é por que ele descompensou?  Temos que buscar as causa que levou a esta descompensação.

1. devemos repetir o ecodopplercardiograma para reestudar a anatomia e função do coração e determinar se houve progressão da doença e se isso levou a descompensação.

2. Outro ponto a ser investigado é o quadro pulmonar, que apesar de sugerir ser consequente à descompensação cardíaca, pode estar mascarando um quadro de infecção pulmonar. As infecções respiratórias podem provocar episódios de descompensação, e sempre que um paciente outrora compensado descompensa rapidamente devemos pensar que está tendo infecção ou respiratória, ou urinária, ou intestinal. Segundo algumas escolas de cardiologia deve utilizar de antibióticoterapia nas descompensações agudas, pois os pulmões congestos estão propensos a instalação de infecções.

3. Não existem evidências clínicas de intoxicação digitálica nesse paciente, que é outro fator de descompensação cardíaca.

4. Se anteriormente não foi descartado coronariopatia, este estudo deverá ser feito o mais breve possível. Mesmo com o fato do paciente melhorar rapidamente e aparentemente não apresentar evidências de isquemia aguda, a angiografia coronaria deve ser solicitada durante a internação. Devemos lembar que episódios de isquemia miocárdica transitória pode se manifestar com descompensação cardíaca.

5. Sob o uso crônico de diurético (furosemida) o paciente pode ter hipocalemia (hipopotassemia) que enfraquecem o miocárdio e pode provocar arritmias. Como o paciente fêz uso de diurético endovenoso na noite anterior, preventivamente devemos descartar possível hipocalemia.

Referências:

Bristow JD, Metcalfe J – Physical igns in congestive heart failure. prog Cardiovasc Dis. 1967;10:236-245.

Opasich C, Febo O, Riccardi PG, Travesi E et al – Concomitant factors of descompensation in chronic heart failure. Am J Cardiol. 1996;78:354-357.

Suaide Silva CE, Seixas MA, Moreira MM, Ortiz J – Insuficiência Cardíaca Congestiva – Novos Métodos de Avaliação da Função Ventricular. Rev Soc Cardiol Estado de São Paulo 1999;1:44-54

Pimenta J, Amaral G, Moreira JM – Fibrilação atrial em Insuficiência Cardíaca: Significado, prognóstico e manuseio Rev Soc Cardiol Estado de São Paulo 2004;5:787-789.

Figueiredo MJO – Fibrilação Atrial: O que os estudos recentes nos ensinam? Rev Soc Cardiol Estado de São Paulo 2003;5:660-8.

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9 Comentários »

  1. mariaeliandranunesantunes comenta:

    16 janeiro, 2011 @ 9:15 AM

    eu tenho ,uma miocardipatia dilatada que foi gerada pela minha gravidez , não sei se vai durar pro resto da minha vida, mas eu tomo medicamentos diariamente pode ser que com tempo melhore, gostaria de dizer que é muito esclarecedor esse site de vocês obrigado por colocarem essas explicações para que os portadores de doenças cardíacas entendam um pouco sobre o que tem .

  2. Daniela Carneiro comenta:

    26 abril, 2011 @ 8:10 PM

    eu tenho uma miocardiopatia dilatada que foi gerada pela minha gravidez, gostaria de saber o que causou isso?
    se tem cura? e por que não posso mais pensar em engravidar? qual o risco de uma outra gravidez?

  3. michelle comenta:

    14 janeiro, 2012 @ 7:02 PM

    ola,eu tenho miocardiopatia dilatada,so foi aparecer os sintomas depois da minha gravidez ,mas meu cardiologista diz que não foi por causa da gravidez,pois esta muito avansada então ele diz ,ele acha que por causa da gravidade vem a muito tempo,gostaria de saber a verdade ,sei que não tem cura,so queria sber quanto tempo tenho de vida,pois o cardiologista pediu para eu me aposentar.
    obrigada,se alguem saber mas a respeito me ajude.

  4. michelle comenta:

    14 janeiro, 2012 @ 7:06 PM

    deixo aqui meu e-mail,micheleespinola@ig.com.br

  5. ricardo almeida comenta:

    15 maio, 2012 @ 7:24 PM

    ola a tdos. sou ricardo de 38 anos idade e com uma miorcardiopatia dilatada..tomo medicamentos diarios, e estou a ser seguido na holanda.sinto-me a cada dia mais cansado e segundo os medicos aqui(holanda) disseram-me k ja nao ha solucao pra o meu caso( nem um transplante). vivo com essa noticia a cada dia, e feliz qdo sinto k Deus me deu mais tempo para viver… mas gostaria de saber cmo vivem pessoas cm esse problema, sabendo k nao ha solucao para o caso?

  6. ricardo almeida comenta:

    15 maio, 2012 @ 7:26 PM

    meu imail e ricardoalmeida101@live.com.pt

  7. leiliane comenta:

    25 julho, 2012 @ 10:14 PM

    Olá a tds, tbm sou mais uma vítima dessa doença miocardiopatia dilata no meu caso é aquela periparto, pós a gestação, gente eu já estive muito ruim, acredite fiquei 11 dias na uti entre a vida e a morte, existe um Deus todo poderoso que olhou por mim e me tirou de lá, hoje faço acompanhamento com um cardiologista tomo digoxina, vastarel, aldactone, carvedilol e captopril, estou me reculperando bem, e creem quando a medicina diz que pra voce não tem mais solução se Deus quiser voce vai viver muitos anos ainda, não se preoculpem o tempo do homem nem sempre é o de Deus. Jesus abençoe todos nós temos muito que viver ainda né…
    bjus

  8. edilson ferreira comenta:

    12 novembro, 2012 @ 4:12 PM

    olá,eu tambem tenho vivido com esse dilema, mas mesmo sabendo que não ha solução, eu continuo crendo num DEUS QUE FAZ MILAGRE,pois esse orgão chamado coração foi ele que criou!!!!!!!!!!!!! Ricardo Almeida tenho sua mesma idade, e o que tenho a lhe dizer é: ” ENTREGA O TEU CAMINHO AO SENHOR; CONFIA NELE, E ELE TUDO FARÁ” SL.37.5
    UM ABRAÇO MEU IRMÃO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

  9. joao franco comenta:

    22 novembro, 2012 @ 4:11 PM

    Esqueçamos a importância que damos a nossa existencia, pois ela é somente mais um ano letivo em nossas vidas que é eterna. Não sejamos como o homem vicioso, um amante vulgar, que ama mais o corpo que a essência. O amor verdadeiro esta por toda a natureza a qual adorna com ricas alfombras, onde então faz sua morada em companhia daqueles que mantem puro o coração, num ambiente de eterna paz.
    Tenhamos fé, pois bem aventurados somos todos nós.

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