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05 - fev

Drenagem linfática: 100 dúvidas a respeito – 4ª Parte.

Categoria(s): Angiologia Geriátrica, Fisioterapia, Terapias Alternativas

Esclarecimentos

61. Como o organismo se defende?

  • O organismo possui barreiras naturais que são obviamente inespecíficas, como a da pele (queratina, lipídios e ácidos graxos), a saliva, o ácido clorídrico do estômago, o pH da vagina, a cera do ouvido externo, muco presente nas mucosas e no trato respiratório, cílios do epitélio respiratório, peristaltismo, flora normal, entre outros.
  • Além dessas barreiras naturais o organismo tem um sofisticado sistema de defesa que resulta em inflamações que combatem os agentes agressivos, sem que o mais específico é o sistema imunológico, onde a linfa cumpre papel fundamental.

62. Como é formado o sistema imunológico?

  • Simplificadamente, o sistema linfático é constituído pelos vasos linfáticos, pelos linfonodos e pelo baço.

63. Como age o sistema imunológico?

  • O sistema imunológico ou sistema imune é de grande eficiência no combate a microorganismos invasores. Mas não é só isso; ele também é responsável pela “limpeza” do organismo, ou seja, a retirada de células mortas, a renovação de determinadas estruturas, rejeição de enxertos, e memória imunológica. Também é ativo contra células alteradas, que diariamente surgem no nosso corpo, como resultado de mitoses anormais. Essas células, se não forem destruídas, podem dar origem a cânceres.

64. Como o sistema linfático trabalha quando ocorre uma reação de defesa, como na inflamação?

  • Em função da inflamação, aumenta a drenagem de líquido e de materiais pelos vasos linfáticos e a chegada desses materiais aos gânglios linfáticos da região, onde existem muitos macrófagos (ver figura). Entre as células que normalmente são encontradas nos gânglios linfáticos destacam-se os linfócitos e os macrófagos que são as células “apresentadoras” de antígenos (agentes agressores, bactérias, vírus, células cancerosas), que reconhecem substâncias estranhas ao corpo. Essas estimulam os linfócitos T4 ou auxiliadores a produzirem inúmeras substâncias capazes de estimular outros linfócitos T e outras importantes células de defesa. Essas substâncias são as interleucinas e os interferons.

65. Como ocorre o transporte da linfa?

  • A linfa é transportada pelos vasos linfáticos em sentido unidirecional e filtrada nos linfonodos (também conhecidos como nódulos linfáticos ou gânglios linfáticos). Após a filtragem, é lançada no sangue, desembocando nas veias subclávias através do ducto torácico.

66. Como é a anatômia do vaso linfático?

  • Algumas peculiaridades anatômicas dos vasos linfáticos são importantes em relação ao sistema hidrodinâmico. Uma delas é a presença de válvulas, que desempenham o importante papel de manter o fluxo unidirecional, evitando o refluxo, e fazem parte da estrutura contrátil do vaso linfático (linfangion).

67. O que é o linfangion?

  • O linfangion é a porção de vaso linfático compreendido entre duas válvulas que exerce atividade pulsátil. É semelhante ao coração, por ter atividade contrátil própria. O linfangion, esse verdadeiro “coração” do sistema linfático, impulsiona a linfa por contração da musculatura lisa da parede dos vasos, e essas contrações impulsionam o fluido através dos vasos seis a sete vezes por minuto e pelo estiramento reflexo dos vasos

68. O que são os linfonodos?

  • Os linfonodos ou gânglios linfáticos constituem naturalmente barreiras limitantes e funcionam como “filtros” do nosso organismo contra os agentes agressores. Essa importante estrutura do sistema imunológico, limita o fluxo da linfa, de modo a deixar as células imunológicas agirem sobre o agente agressor. Este fato, faz o linfonodo aumentar de tamanho, adquirir sinais inflamatório como aumento de temperatura e dor, popularmente conhecido como “ingüa”. Como ilustra a figura acima, vários canais linfáticos chegam a parte cortical e dois deixam o linfonodo pelo seu hilo. As válvulas desses canais direcionam a circulação da linfa, no sentido cortical (camada superior) para a porção medular do linfonodo.

69. Qual o papel do baço?

  • O baço é o órgão linfático, excluído da circulação linfática, interposto na circulação sangüínea e cuja drenagem venosa passa, obrigatoriamente, pelo fígado. Possui grande quantidade de macrófagos que, através da fagocitose, destroem micróbios, restos de tecido, substâncias estranhas, células do sangue em circulação já desgastadas como eritrócitos, leucócitos e plaquetas. Dessa forma, o baço “limpa” o sangue, funcionando como um filtro desse fluído tão essencial. O baço também tem participação na resposta imune, reagindo a agentes infecciosos. Inclusive, é considerado por alguns cientistas, um grande nódulo linfático.

70. Como podemos estudar o sistema linfático?

O sistema linfático pode ser estudado pela linfocintilografia, como na imagem acima. Outro método, atualmente em desuso, é a linfografia que utiliza contraste radiopaco.

71. O que é a linfocintilografia?

  • A linfocintilografia é, atualmente, o exame de escolha para avaliar o sistema linfático, pois avalia a função e a anatomia do sistema linfático, sendo um método pouco invasivo, de fácil realização e poder ser repetido sem causar dano ao vaso linfático.
    Esse exame não utiliza contrastes e não envolve a dissecção de vasos linfáticos, pode ser utilizado com segurança em crianças e, principalmente, permite o estudo tanto da anatomia quanto da fisiologia da circulação linfática.

72. Como é feita a linfocintilografia?

  • A linfocintilografia é realizada pela injeção intradérmica de radiofármaco (macromoléculas protéicas marcadas com material radioativo) na extremidade dos membros e aquisição de imagens através de uma gama-câmara.  (Veja imagem acima).

73. Como é o radiofármaco?

  • Vários radioisótopos têm sido empregados para a realização do estudo linfocintigráfico, porém o mais utilizado hoje é o Tecnécio-99 metaestável (Tc-99m), que é administrado mais freqüentemente como marcador da solução de Dextran 5005-7.
    O comportamento biocinético das partículas injetadas no interstício depende principalmente do seu diâmetro. As partículas que apresentam diâmetro inferior a 10 nm são absorvidas, preferencialmente, pelo sistema capilar sangüíneo, enquanto que aquelas cujo diâmetro situa-se entre 10 e 50 nm, como o Dextran 500, são rapidamente transportadas através dos vasos capilares linfáticos.

74. Como se interpreta o exame?

  • A linfocintilografia pode ser interpretada de três maneiras: quantitativa, que avalia o transporte do radiofármaco em relação ao tempo; qualitativa, que analisa visualmente as imagens; e semiquantitativa, que associa dados da dinâmica do transporte do radiofármaco com o tempo de aparecimento da radioatividade.

75. Qual a importância do entendimentos da anatomia dos vasos linfáticos e da localização dos linfonodos para a terapia da drenagem linfática?

  • A drenagem linfática manual deve obedecer ao sentido do fluxo, pois, se for realizada em sentido contrário, pode forçar a linfa contra as válvulas, podendo danificá-las e, conseqüentemente, destruir um “coração linfático”. Esta é a primeira lei preconizada para a realização da drenagem linfática.
  • Outro fator importante são as barreiras que podem ocorrer no conduto, nas quais pode-se aumentar a pressão ou a velocidade para vencer a limitação imposta. Tal procedimento pode levar à destruição dessa barreira ou do conduto. Esse fato pode ocorrer quando estamos realizando a drenagem linfática, e, portanto, podemos destruir ou lesar o sistema.
  • Os linfonodos constituem naturalmente barreiras limitantes e funcionam como “filtros” do sistema; portanto, são limitadores da velocidade de drenagem. Essa é a segunda lei da drenagem linfática, segundo a qual devemos obedecer à capacidade de filtração dos linfonodos, controlando a velocidade da drenagem e a pressão exercida.

76. Os vaso linfáticos podem aumentar em número e tamanho, como ocorre no caso das varizes?

  • Sim, a linfocintilografia permite visualizar aumento no número e do calibre dos vasos linfáticos. Através deste estudo pode programar melhor a conduta terapêutica.

77. Quais as estruturas componentes do sistema linfático?

  • O sistema linfático é composto por milhares de capilares linfáticos, localizados no interior das estruturas do corpo humano, este drenam a linfa para os vasos pré-coletores e coletores que, ao passarem através do linfonodo, são denominados pós-coletores. Estes últimos formam os 11 troncos linfáticos que drenam regiões específicas do corpo. Os troncos linfáticos formarão os ductos linfáticos, que constituem a porção final na drenagem linfática. Os ductos linfáticos desembocam no sistema venoso, na junção subclávio-jugular.

78. Quais ações podem interferir na mobilidade dos linfangions – “coração” do sistema linfático ?

  • Além do próprio sistema linfáticos, outras ações podem interferir na mobilidade dos linfangions: O bombeamento do sistema arterial, o bombeamento dos músculos, os movimentos respiratórios, o peristaltismo intestinal, a massagem de drenagem linfática, a pressão externa promovida por enfaixamento e contensão elástica.

79.  O que é insuficiência linfática dinâmica?

  • Considera-se insuficiência linfática dinâmica, quando o sistema linfático está integro e o volume a ser drenado excede a capacidade do sistema linfático (20 litros por dia), causando o edema. Esses edemas são pobre em proteínas, tendo como exemplo o edema da insuficiência cardíaca congestiva e os edemas venosos.

80. O que é insuficiência linfática mecânica?

  • Considera-se insuficiência linfática mecânica, na qual o volume a ser drenado é normal, porém o sistema linfático não consegue reabsorver esse líquido e as macromoléculas, resultando em uma linfa com alta concentraçnao protéica, que são os verdadeiros linfedemas.

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