30 - jan
  

Transplante pulmonar

Categoria(s): Caso clínico, Pneumologia geriátrica




Interpretação clínica

  • Homem de 58 anos, tabagista crônico, com história de enfisema de longa data, se apresenta no consultório com intensa falta de ar, dificuldade de se locomover, utilizando oxigênio suplementar a 2 litros/minuto. Gostaria saber sua opinião a respeito de transplante pulmonar.
  • Ao exame físico paciente emagrecido, com 173 cm de altura e peso de 57 kg. Freqüencia respiratória de 20  cpm com fase expiratória prolongada. O exame de tórax mostra aumento do diâmetro ântero-posterior, hipertimpanismo à percussão, entrada de ar diminuída em ambos os lados pulmonares, sibilos expiratórios nas bases. Cianose de extremidade e labial.
  • Suas medicações incluem salbutamol, brometo de ipratrópio e beclometasona.

A figura ilustra um modelo de pulmão artificial com um cateter que recebe o sangue pobre de oxigênio da artéria pulmonar e envia oxigenado para a aorta, aliviando os sintomas do paciente que está na espera de um transplante pulmonar. A maioria dos pacientes submetidos ao transplante pulmonar, independente da doença pulmonar que causou sua indicação, apresenta melhora importante na qualidade de vida, melhorando a tolerância as atividades da vida diária e libertando da suplementaçnao de oxigênio.

O transplante pulmonar para fibrose cística terminal, fibrose pulmonar idiopática e hipertensão pulmonar primária ou secundária (cardiopatias de alto fluxo) oferece uma expectativa de vida melhor do que apresentada pelos pacientes não transplantados. Como em todo tipo de transplante (coração, renal,etc) o paciente transplantado do pulmão necessita de administração diária de medicações imunossupresoras (ciclosporina ou tacrolimus, azatioprina ou micofenolato e glicocorticóides) para previnir a rejeição do enxerto. Este esquema medicamentoso coloca os pacientes transplantados em maior risco de infecções do que na época antes do tranplante, principalmente no primeiro ano após o transplante, período no qual o nível de imunossupressão é maior.

A doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) é a principal indicação para o transplante pulmonar. Nessa, ocorre uma melhora na qualidade de vida, porém não prolonga a sobrevida, quando comparada com os pacientes não-transplantados. A sobrevida do transplantado é baixa. Cerca de 30% morrem no primeiro ano, e após cinco anos apenas 50% estão vivos.

A maioria dos pacientes com DPOC submetida ao transplante de pulmão único mantém evidência laboratorial e espirométrica de obstrução significativa. Porém, melhoram a qualidade de vida e continuam obtendo benefício com o tratamento com broncodilatadores inalatórios após o transplante.

Referências: Arcasoy SM, Kotloff RM – Lung transplantation. N Engl j Med 1999;340:1081-1089. Hosenpud JD, Bennett LE, Keck BM, Edwards EB, Novick RJ – Effect of diagnosis on survival benefit of lung transplantation for end-stage lung disease. lancet. 1998;351:24-27.

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