17 - jan
  

Cor Pulmonale

Categoria(s): Cardiogeriatria, Dicionário, Emergências, Pneumologia geriátrica




Resenha: Cor Pulmonale

De maneira simples podemos definir cor pulmonale  como sendo alterações das câmaras cardíacas direitas conseqüentes a anormalidades do sistema pulmonar, ou no controle respiratório, ou da caixa torácica.
O cor pulmonale resultante de distúrbios da árvore arterial pulmonar pode se apresentar na sua forma aguda (embolia pulmonar) ou crônica (embolia pulmonar recorrente, hipertensão pulmonar primária e esquistossomose pulmonar).

O cor pulmonale também, pode, ser resultante de diversos fatores pulmonares que contribuem para aumentar a pressão artéria pulmonar na vigência de doença pulmonar crônica, como a redução do leito vascular pulmonar por destruição do tecido pulmonar, hipóxia provocando vaso-constrição, aumento do débito cardíaco, poliglobulia (policitemia vera), que leva a aumento da viscosidade sangüínea, ácidose que causa aumento da resistência vascular pulmonar.

As pessoas com obesidade extrema, também chamada de obesidade mórbida, apresentam um mecanismo de hipoventilação não totalmente esclarecido, possivelmente relacionado com a elevação da cúpula diafragmática, com conseqüente redução do volume pulmonar total e hipoventilação alveolar que recebeu a denominação de Síndrome de Pick-Wick. O tratamento consiste sobretudo na redução do peso.

A hipoventilação alveolar primária resulta de insensibilidade primária do centro respiratório ao CO2 ou de insensibilidade do mesmo centro ao estímulo reflexo dos efeitos da hipóxia sobre os quimiorreceptores do corpo carotídeo e aórtico.

A apnéia obstrutiva do sono, também conhecida como Maldição de Ondine, resulta de padrão respiratório anormal durante o sono, caracterizado por episódios de apnéia repetitiva durante o sono, seguido por hipersonolência durante o dia.

Como conseqüência da baixa oxigenação sangüínea o coração direito tem necessidade de trabalhar mais e por isso o paciente portador de cor pulmonale tem hipertrofia das câmaras direitas, que podem ser visíveis pelo eletrocardiograma, radiografia de tórax e pelo ecocardiograma.

Diagnóstico
– O diagnóstico de cor pulmonale é basicamente clínico, com o paciente apresentando poliglobulia, hipocratismo digital, cianose tipo L, hipoxemia, hipercapnia e ocasionalmente respiração de Cheyne-Stokes. Estes pacientes são pletóricos, cianóticos e sonolentos, podendo em alguns períodos apresentar hipertonia, agressividade, delirum pelo quadro isquêmico cerebral difuso.

ECO – O Ecocardiograma mostra hipertrofia e dilatação das câmaras direitas. O septo interatrial e interventricular tendem a ficarem “convexos” para o lado esquerdo.

Pode se medir, através do eco monodimensional acoplado ao eletrocardiograma, o período de pré-ejeção (PPE = intervalo entre o início do QRS e abertura da valva pulmonar) que estará aumentado nos casos com hipertensão pulmonar. Também pode-se medir o tempo de abertura e fechamento da valva pulmonar (TE = Tempo de ejeção do VD) que estará diminuído no cor pulmonale.  A relação PPE/TE deve ficar entre 0,16 e 0,30. O doppler permite calcular o tempo de aceleração na via de saída do VD (na hipertensão pulmonar fica abaixo de 106 milissegundos).

O melhor método de estudar o grau de hipertensão pulmonar é a medida da velocidade de regurgitação tricúspide, servindo de parâmetro de acompanhamento de tratamento.

Tratamento – O tratamento é clínico e visa melhorar as condições pulmonares, prevenir as infeções e diminuir a viscosidade sangüínea com sangrias terapêuticas.

Os diuréticos não são formalmente contra-indicados nos casos de cor pulmonale edemaciado, porém seu uso deve ser cauteloso evitando-se a desidratação e hiperviscosidade com conseqüente trombogênese.

Referências:

Kitabatake A, Inouse M, Asão M et al – Noninvasive evaluation of pulmonary hypertension by a pulsed Doppler technique. Circulation 1983;68:302-309.

Hansen AT, Eskildsen P, Gotzcher H – Pressure curves from the right auricle and the right ventricle in chronic constrictive pericarditis. Circulation, 1951;3:881-8.

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1 Comentário »

  1. liane Mrozinski comenta:

    15 fevereiro, 2009 @ 6:54 AM

    Sou Professora de Faculdade (enfermagem) , estou deixando este comentário como elojio a qualidade das informções prestadas neste site sobre Saúde e suas patologias !!!! Continuem assim!!. Liane

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