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Estudo de caso – Síndrome de Sjögren

Categoria(s): Bioquímica, Caso clínico, Emergências, Gerontologia, Reumatogeriatria


Interpretação clínica

  • Mulher de 53 anos foi encaminhada pelo médico ginecologista para avaliação de exames laboratoriais alterados. Ela é professora de ballet clássico e no ano passado teve vários problemas osteoarticulares, incluindo dor no ombro direito, que respondeu com antiinflamatórios não hormonais. Também teve dor noa região lombar, epicondilite do cotovelo direito, dor no calcanhar e dor no joelho esquerdo. Por causa desse problemas, o médico ginecologista  solicitou exames para artrite. Os exames mostraram fator reumatóide de 43 IU, anticorpos antinucleares 1/160 (pontinhados) e  velocidade de hemossedimentação de 60 mm/h.
  • Tem sentido muitos fogachos nos últimos 5 meses, desde que parou de menstruar. Tem tomado muita água, até quatro litros por dia, pensou que estava diabética, mas não perdeu peso e nem sentiu-se enfraquecida. Os sintomas músculoesqueléticos praticamente desapareceram, com o uso de vitaminas e sais minerais, segundo ela.
  • No exame físico bom estado geral hemodinamicamente estável, pulmões e coração normais. Apresenta hiperemia conjuntival moderada (refere que este fato tem sido freqüente), e leve aumento das parótidas bilateralmente. Mucosa bucal seca, sem eritema. Articulações normais, sem edema ou limitação dos movimentos.

Qual o possível quadro reumatológico da paciente que explica as alterações laboratoriais?

Os paciente portadores de síndrome de Sjögren (ceratoconjuntivite sicca primária), como é o caso desta paciente, geralmente não comentam sobre a falta de saliva e lágrima, a não ser quando perguntado a respeito, e nem relacionam este achado com os problemas osteoarticulares. Ocorre aumento de parótida, mas freqüentemente não é detectado, pelo médico que não procura por este achado.

A síndrome de Sjögrem produz artralgia de pouca intensidade, mas pode ser confundida com dores da atividade esportiva, como no caso dessa paciente.

A formação insuficiente da lágrima pode ser comprovada pelo teste de Schirmer, que é feito com um papel filtro especial colocado em contato com a lágrima.

Os pacientes com síndrome de Sjögren apresentam fator reumatóide e anticorpos antinucleares no sangue. Freqüentemente ocorre elevação dos níveis de imunoglobulina, resultando em velocidade de hemossedimentação elevada, assim, como anti-SS-A/Ro e antiSS-B/La.

Síndrome de Sjögren secundária – A síndrome de Sjögren secundária ocorre em pacientes com artrite reumatóide e lúpus eritematoso sistêmico (LES)

Fator antinúcleo (FAN) – A pesquisa de auto-anticorpos contra antígenos celulares, também conhecida como fator antinúcleo ou FAN, tem grande utilidade na investigação de doenças auto-imunes. No entanto, com o advento de metodologias progressivamente mais sensíveis, houve um aumento na detecção de padrões anormais que podem carecer de especificidade diagnóstica.

Estima-se que a freqüência de testes positivos de FAN em pessoas sem evidências clínicas de processos de auto-imunidade varie entre 10% e 15%. O fato é que a chance de um resultado “positivo” sem significado clínico se eleva em triagens realizadas em indivíduos que não apresentam sintomatologia compatível. De qualquer modo, a valorização de um resultado positivo de FAN depende do padrão observado e dos títulos detectados.

Um estudo feito no Laboratório Fleury com 30.728 amostras analisadas para FAN mostrou que a grande maioria das 13.641 pesquisas positivas apresentava padrões em geral não associados a doenças auto-imunes sistêmicas, especialmente o pontilhado fino simples (figura) em títulos baixos (até 1/160) e o pontilhado fino denso em qualquer título. Em contrapartida, o encontro de um FAN em título moderado ou alto, com padrão homogêneo, pontilhado grosso, nucleolar ou centromérico, remete a uma maior possibilidade de doença auto-imune manifesta ou incipiente.

Referência:

Price EJ, Venables PJ – The etiopathogenesis of Sjögren´s syndrome – Semin Arthritis Rheum. 1995;25:117-133.

Reveille, John D. and Frank C. Arnett.  1992.  The Immunogenetics of Sjogren’s syndrome.  Rheumatic Disease Clinic of North America 18(3): 539-50.

Dermis Dermatology Internet Service.  1998.  Sjogren’s syndrome.  Unversity of Erlangen Nurnberg.  6 April 2000 [on line]

Sjogren’s Syndrome Foundation. [on line]

Sjogren’s Syndrome Research Centre. [on line]

Veja – Síndrome do olho seco

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3 Comentários »

  1. Neri comenta:

    5 fevereiro, 2009 @ 6:15 PM

    Dr. eu tenho ausência total de lágrima,sialoadenite crònica nas glandulas submandibulares,gastrite erosiva leve,ulcera bulbar cicatrizada (S2 de Sakita),pseudodiverticulo duodenal,laringite,hiato glótico rinite e pele ressecada o médico que eu me consulto acha que é Sindrome de Sjogren, tem alguma chance de ser essa doença?
    Pois eu nunca havia ouvido falar nela, o médico me encaminhou para um rematologista,mas faço exame de sangue e dá normal ,somente o ácido úrico é um pouco elevado.
    Se for confirmado SS,tem tratamento e algum dia ,vou chorar normalmente?
    Aguardo resposta.

  2. Neri comenta:

    5 fevereiro, 2009 @ 6:18 PM

    Tenho 34 anos ,esqueci de informar a minha idade

  3. Neri comenta:

    27 março, 2009 @ 7:07 PM

    Enviei minha pergunta e ainda não obtive resposta

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