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Sudorese – Hipopotassemia

Categoria(s): Cardiogeriatria, Caso clínico, Dicionário, Emergências, Nefrogeriatria




Interpretação clínica

  • Senhor de 74 anos portador de insuficiência cardíaca crônica, por miocardiopatia chagásica. Foi trazido ao pronto socorro com sintomas de tonturas, fraqueza, náuseas e muitas câimbras. Faz uso de digoxina 0,25 mg e furosemida 40 mg ao dia. Há seis dias passou a ficar com muita canseira e inchaço nas pernas e passou a tomar, por conta própria dois comprimidos de furosemidas ao dia. O seu intestino sempre foi regula, mas há 1 dia parou de funcionar e ficou com abdomem distendido, usou laxante, tendo diarréia, mas não melhou a distensão abdominal.
  • Ao exame físico PA de 80/55 mmHg, FC 80 bpm, pele com turgor pastoso, mucosas secas, coração arritmico, soprosistólico em foco mitral 2+/6+, abdomem bastante distendido, sem ruído hidroaéreos e som timpânico a percussão.
  • Exames laboratoriais: Hemograma – normal, VHS 35 mm/1ªhora, creatinina sérica de 2,4 mg/dl, uréia sérica de 80 mg/dl, sódio sérico de 135 mEq/l, potássio de 1,8 mEq/l, cloro sérico de 99 mEq/l, Bicarbonato de 15 mEq/l, glicemia de 150 mg/dl.
  • O eletrocardiograma (abaixo) mostra ritmo sinusal, sobrecarga ventricular esquerda (SÂQRS=0º para trás e complexos QRS profundos em V1 e V2 e altos em V4,V5 e V6) o intervalo QT de 0,56 seg

Como entender o caso?

Trata-se de um paciente que está com hipopotassemia severa (hipercalemia) decorrente de sucessão de multiplos erros cometidos pela automedicação. A hipopotassemia pode provocar cãibras, íleo paralítico, que explica a para de evacuação e distensão abdominal, rabdomiólise (rutura de células musculares) e parada respiratória. A hipopotassemia inibe a secreção de insulina e pode produzir hiperglicemia (como no caso). A hipopotassemia crônica é um das causas do diabetes insipidus nefrogênico e pode causar múltiplos pequenso cistos renais.

Aspectos eletrocardiográficos

A hipopotassemia pode levar a instabilidade atrial com arritmias atriais, especialmente os pacientes que estão fazendo uso de digilálicos. A hipopotassemia diminiu a duração da onda T e aumento da onda U que pode “unir-se” a onda T aumentando o intervalo QT (como mostra o traçado acima).
A onda “p” montem-se normal em amplitude e duração, ao contrário da hiperpotassemia onde as onda “p” ficva com baixa amplitude, em aulgumas situações dando a impressão que não existem.

Abaixo os vários aspectos do eletrocardiograma de acordo com os níveis do potássio.

A – Normal =3,5 a 5,0 mEq/L; B = 3,0 mEq/L; C = 2,0 mEq/L; D = 1,0 mEq/L

A suplementação com sais de potássio é indicada quando perdas externas (diuréticos, sudorese excessiva) de potássio causam hipopotassemai. Quando possível, os sais de potássio orais devem ser utilizados. O cloreto de potássio (KCL) é o sal apropriado pra ser administrado quando a hipopotassemia está associada a alcalose metabólica (Ex. vômitos intensos). Os sais como o citrato de potássio são alcalinizantes e são indicados nos casos de hipopotassemia associada à acidose metabólica (Ex. diarréia).

A suplementação intravenosa de potássio geralmente não é necessária quando a hipopotassemia é resultante de um desvio interno. Contudo, se este desvio produzir uma hipopotassemia severa e sintomática, como em nosso caso, a reposição de potássio endovenoso se faz necessário. A concentração de potássio nas solucões infundidas por via intravenosa não deve exceder 40 mEq/l e a velocidade da infusão não deve exceder 10 a 40mEq por hora. É fundamental monitorar com frequência o potássio sérico durante a reposição intravenosa, porque a hiperpotassemia pode ocorrer antes dos depósitos de potássio terem sido repletos.

Magnésio – Tanto o potássio quanto o magnésio são ânions intracelulares e geralmente, são perdidos em conjunto. A reposição de magnésio é necessário, pois  a depleção de magnésio aumenta a excreção renal de potássio e, por isso, torna a reposição de de potássio mais difícil.

Comentários finais – Um sucessão de erros da automedicação do paciente colocou-o em risco. O diurético de alça, furasemida, é um grande expoliador de potássio, e o médico deve alertar este fato ao seu paciente. Seu uso abusivo prejudicou ainda mais o paciente, que provavelmente já estava sofrendo os efeitos da hipopotassemia (sintomas de tonturas, fraqueza, náuseas e muitas câimbras), causando obstipação (íleo paralítico), hiperglicemia. Além de causar a desidratação (pele com turgor pastoso, mucosas secas, hipotensão arterial) com hemoconsentração e insuficiência renal do tipo pré-renal. A  arrimia cardíaca é o grande fator de risco para o paciente que está em uso de digital e pode se intoxicar pelo medicamento.

Referências:

Halperin ML, Kamel KS – potassium. Lancet. 1998;352:135-140

Cohn JN, Kowey PR, Whelton PK, Prisant LM – New guidelines for potassium replacement in clinical practice: a contemporay review by the National Council on Potassium in Clinical Practice. Arch Intern Med. 2000;160:2429-2436.

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7 Comentários »

  1. suely rodrigues lima comenta:

    3 fevereiro, 2009 @ 7:16 PM

    gostei muito da explicaçao trabalho muito com paciente idoso e ,em alguns casos com a patologia parecida.

  2. maria lucia mariano de souza comenta:

    20 março, 2009 @ 4:22 PM

    COM 21 ANOS DE IDADE ENGRAVIDEI E NO 7 MES DE GESTAÇAO APRESENTEI UM QUADRO RARO PROS MEDICOS FOI HIPOPOTASSEMIA E POLIMIOSITE , FIQUEI INTERNADA DURANTE 2 SEMANAS TOMANDO SORO DE POTASSIO DIRETO , SO PARAVA PARA EU TOMAR BANHO , AGORA MEU FILHO TEM 9 ANOS , E TENHO MEDO DE ENGRAVIDAR DE NOVO, QUERIA SABER A OPINIAO DE ALGUM MEDICO, OBRIGADA

  3. jose comenta:

    31 outubro, 2011 @ 6:21 PM

    diuretico de alça ?

  4. Claudio N. dos Santos comenta:

    28 setembro, 2012 @ 9:24 AM

    Bom dia meu Pai tem 72 anos e é portador de insuficiência cardíaca crônica, por miocardiopatia , ele esta passando por crises constantes de câimbras, isso é realmente devido ao problema cardíaco??, tem alguma coisa relacionada com falta de liquido no corpo???, ele esta assistido por um excelente cardiologista que recomendou para Hipopotassemia, Slow K, 01 comp. de 6/6hs, esse é mesmo o mais eficáz???

    No aguardo.

    Grato.

  5. cida comenta:

    14 novembro, 2012 @ 8:06 PM

    minha mae faz uso desses medicamentos;2comprimidos de furosemida-diarios,10mg DE anlodipino,1 propanolol,1aldactone de 25mgtodos continuamente.todos indicados pelo medico acontece que ela ta cansando facil tem caimbras e dores nas costas abdomem distendido tem que tomar medicamentos para evacuar sera que ela esta com hipopotassemia por favor me responda.

  6. Dr. Armando Miguel Jr comenta:

    15 novembro, 2012 @ 3:54 PM

    Provavelmente.
    Converse com o médico que está cuidando dela e peça para solicitar dosagem de eletrólitos, sódio, potássio e magnésio

  7. rebecka ribeiro comenta:

    12 agosto, 2013 @ 11:59 PM

    Olá…tudo bem?
    Tenho hipocalemia, minha 1º crise foi aos 14 anos, hoje tenho 27, e desde então, tenho que conviver com crises 1 vez ao ano…inclusive na minha 1º gravidez, foi tão grave que fiquei 3 dias internada na U.T.I., do Hosp. da Mulher em Santo André, SP, meu potássio chegou a 1,7, e tive começo de parada cardíaca. Hoje estou com 21 semanas de gravidez do 2º filho e até agora não tive nada, graças a Deus.
    Meu avô paterno tinha, meu pai faleceu numa crise em setembro de 1999, foi tão forte, que ele não resistiu.
    Fiz investigação por um bom tempo No Hospital São Paulo. Os médicos disseram que eu poderia ter uma vida normal, mas com cuidados.
    Os sintomas sempre condiziam com as datas de minha menstruação e nervoso no serviço….e disseram que eu não deveria comer doce, principalmente a noite.
    Gostaria de receber mais atenção sobre o assunto. Já cheguei a esperar no consultório, pois ó médico não sabia o que eu tinha e foi pegar livros pra ler e ver como ele ia me ajudar. É triste saber que a qualquer hora eu posso ter uma crise dessa.
    Obrigada pela atenção!!!!!

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