Nov
17

Estudo de caso - Polimialgia e cefaléia

Categoria(s): Caso clínico, Reumatogeriatria


  • Homem de 73 anos, vem à consulta por não estar se sentindo bem há algum tempo. Refere rigidez matinal acentuada, especialmente nos ombros e quadris. Na última semana está apresentando muita dor de cabeça, e dor no couro cabeludo. Há dois dias está tendo dificuldade para se alimentar, sente muita dor na mandíbula quando está se alimentando, e melhora quando para de mastigar. Não sabe dizer se a dor do queixo tem alguma relação com a dor de cabeça. Não fuma e nega etilísmo.
  • Ao exame físico, arterial temporal direita endurecida, com sinais flogístico e dolorosa a palpação, pulso diminuído. olhos (incluindo o fundo de olho), ouvidos, nariz e garganta estão normais. Força muscular normal. O exame das articulações mostra leve crepitação dos joelhos, mas nenhuma sinovite franca. Exames laboratoriais, hematócrito de 27% e velocidade de hemossedimentação de 120 mm/h. Fator reumatóide negativo.

Como entender o caso?

Este paciente apresenta dos sinais clássicos da polimialgia reumática, com rigidez de membros, anemia e velocidade de hemossedimentação elevada. Também, apresenta sintomas de arterite temporal, como cefaléia, dor no couro cabeludo, claudicação da mandibula, presença de nódulo e dor na artéria temporal.

Alguns pacientes com polimialgia reumática desenvolvem arterite temporal no curso da doença, o que parece ser o caso. O tratamento atual deste paciente deve priorizar a polimialgia reumática, com a utilização de fármacos antiinflamatórios não esteróides ou prednisona em baixas doses.

Arterite temporal

A arterite temporal pode ocasionar cefaléia, dor no couro cabeludo, perda da visão, claudicação da mandíbula ou tosse, além da dor e nódulos nas artérias temporais. A vascularização da cabeça como mostra a figura abaixo explica os sintomas causados pela arterite temporal.

Referências:

Hunder GG - Giant cell arteritis and polymyalgia rheumatica. Med Clin North Am 1997;81:195-219.

Swannell AJ - Polymyalgia rheumatica and temporal arteritis: diagnosis and management. BMJ 1997;314:1329-1332.

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1 Comentário »

  1. Monica Motti comenta:

    17 Novembro, 2008 @ 12:58

    É sempre bom nos mantermos informados e relembrarmos que a cefaléia tem sua importância,nem tudo é enxaqueca ou uma simples cefaleia devido a tensão. Nossos idosos estão tão acostumados a chegar no consultório e relatar a cefaleia cronica e o uso indiscriminado do analgésico, que acabamos por aceitar o diagnostico e culpar a pressão alta, o estresse e o nervosismo. Por isso a importância deste site e deste assunto. Parabens.

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