Out
06

Poemas da Dalva Saudo - Preconceito

Categoria(s): Contos e Poemas


Emoções

Colaboradora: Dalva Saudo *

* Poetisa Paulista

PRECONCEITO

O jovem negro dançava

Marcava os compassos com os passos,

Sorrindo, sentindo calma em sua alma.

Pela simpatia, alegria, gingado e graça,

Encantava a muitos no salão.

Muito feliz, fazia a dama sorrir.

Sintonizado com a canção, estava seu coração.

Na busca de divertimento,

deixara lá fora seu sofrimento.

Distraidamente, num movimento,

No pé do branco pisou.

Todo sem jeito o negro se desculpou.

O preconceito não demorou:

–Negro, só serve para pisar em branco

Que desencanto! O negro entristeceu

Seu sorriso emudeceu

O pranto rolou quente e doído

Fora atingido com chicotada em sua alma.

Mesmo assim, manteve a calma.

Apenas seu pranto derramou

Um grito dentro do peito sufocou!

Cecília Meireles, diz em ¨CANÇÃO DO AMOR PERFEITO¨

¨  O tempo seca a beleza. Seca o amor seca as palavras.

O tempo seca a saudade. Seca as lembranças e as lágrimas¨

Será que um dia o tempo dará um jeito e “secará” o preconceito?

A ocorrência se deu em dezembro de 2006.

118 anos após o término da escravidão.

Quando o preconceito terá realmente um fim?

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