Set
05

Bronquiolite obliterante com pneumonia em organização (BOOP)

Categoria(s): Dicionário, Pneumogeriatria


A Bronquiolite obliterante com pneumonia em organização (BOOP) foi descrita em 1985 por Epler e cols, como uma enfermidade distinta, com manifestações clínicas, radiológicas e prognóstico diferentes de outras doenças intersticiais pulmonares. Em 1983 Davison e cols haviam descrito uma entidade semelhante, que denominaram pneumonia criptogênica em organização.

A bronquiolite obliterante com pneumonia em organização (BOOP) é caracterizada pela presença de preenchimento de tecido conjuntivo no interior dos espaços aéreos distais, que ocorre predominantemente em ductos alveolares e alvéolos, e com o freqüente acometimento também de bronquíolos (Fgiura). Esse padrão histopatológico pode estar associado a doenças do tecido conjuntivo, vasculites, infecções, pneumonite de hipersensibilidade, pneumonia obstrutiva, aspiração, uso de drogas, toxinas sistêmicas ou inaladas, pneumonia eosinofílica crônica, malignidades hematológicas, ou também ser de doença idiopática.

A BOOP idiopática é a forma mais comum de BOOP e geralmente surge entre a quinta e a sexta décadas de vida, mais freqüentemente em não tabagistas, sem predileção entre os sexos. Sua incidência e prevalência ainda não foram estabelecidas. A sintomatologia é geralmente inespecífica, e pode estar ausente em 13% dos casos. Os pacientes geralmente apresentam tosse e dispnéia, podendo também ocorrer sintomas constitucionais, como perda de peso, mialgia, mal estar, prostração e febre.

Diagnóstico - Os achados radiológicos mais comuns são áreas de consolidação uni ou bilateralmente. Pequenas opacidades nodulares podem ser encontradas em 10% a 50% dos casos. À tomografia do tórax observa-se consolidação do espaço aéreo em 90% dos casos de BOOP, com predomínio em áreas inferiores. A atenuação em vidro fosco pode ser encontrada em 60% dos casos(1). Em 15% dos pacientes pode-se encontrar múltiplos nódulos.

Para confirmar o diagnóstico de BOOP é necessária a coleta de material para o exame histopatológico, a qual pode ser realizada através de biópsia transbrônquica. A biópsia cirúrgica é importante na exclusão de doenças infecciosas ou neoplásicas que podem estar associadas.

Nos exames laboratoriais pode haver aumento do VHS e da proteína C reativa.

Tratamento - A maioria dos pacientes tem recuperação completa com a administração de corticóide. Um pequeno percentual de pacientes recupera-se espontaneamente. Raramente ocorre progressão para insuficiência respiratória e óbito.

Referências:

Joint statment of ATS and ERS. Classification of the idiopatic interstitial pneumonias; internacional consensus statement. Am J Respir Crit Care Med 2002;165:277-304.

De Almeida P, et al. Bronquiolite obliterante na forma nodular. J Pneumol 2002;28:335-8.

Cordier JF. Organising pneumonia. Thorax 2000;55:318-28.

Addor G, Monteiro AS, Nigri DH, Torres W, Barros Franco CAB - Bronquiolite obliterante com pneumonia em organização J. bras. pneumol. 2004;30(2):

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