Interpretação
- Homem de 68a de idade que foi submetido à angioplastia coronária com colocação de stent na coronária direita e descendente anterior há 2 meses, com restabelecimento bem-sucedido do fluxo sangüÃneo. No retorno o cardiologista, refere não ter mais sintomas anginosos, porém sente o coração e o pulso fraco, entre 30 a 40 bpm. Faz uso de atenolol (beta-bloqueador) 50 mg por dia. Ao exame fÃsico o cardiologista detectou bradicardia de 42 bpm, que o eletrocardiograma revelou ritmo sinusal, pressão arterial de 140/85 mmHg. Restante do exame fÃsico normal, coração sem sopro ou atritos, pulmões limpos.
- Os exames laboratoriais estavam normais, exceto o hormônio sérico estimulante da tireóide que estava 38,6 uU/ml (Normal = 0,5 a 5 uU/ml)

Qual o diagnóstico e como agir nesse caso?
A bradicardia apresentada pelo paciente pode ser decorrente de dois fatos; primeiro, o uso de beta-bloqueador (atenolol) e segundo, hipotireoidismo primário, que pode ter sido desenvolvido pela carga de iodo recebida durante o cateterÃsmo, que funcionou como gatilho de uma disfunção tireoidiana preexistente, subclÃnica que já estava presente. Deve-se atentar que este procedimento requer um longo tempo de cateterÃsmo e emprego de razoável dosagem de contraste iodado.
O conteúdo de iodo do corante angiográfico, inibiu a liberação do hormônio tireoideano, que causou a queda da freqüência cardÃaca e motivou a elevação do hormônio tireoestimulante (TSH) produzido pela hipófise anterior.
A bradicardia, especialmente em pacientes tomando betabloqueador e naqueles com doença do sistema condutor cardÃaco, é uma manifestação cardiovascular importante do hipotireoidismo. Envista dos fatos citados acima o diagnóstico é de hipotireoidismo primário.
Como agir?
A terapia de reposição sempre deve ser iniciada, em qualquer paciente, com doses baixas do hormônio tireoideano e gradualmente aumentada para a dosagem que normaliza a concentração sérica de TSH. A terapia tireoideana aumenta a demanda miocárdica de oxigênio e precipita angina e isquemia em alguns pacientes com doença arterial coronária.
A conduta “comece baixo e continue baixo” para o tratamento comT4 é apropriada sempre que uma doença cardiovascular estiver presente ou for provável.
Referência:
Gomberg-Maitland M, Frishman WH – Thyroid hormone and cardiovascular disease. Am Heat J. 1998;135: 187-196.
Tags: ß-bloqueador, HipotireoidÃsmo, TSH
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Interpretação
- Homem de 63a de idade que foi submetido à cirurgia ortopédica para liberação do túnel carpal bilateral, descobriu, em avaliação pré-operatória, ter diabetes mellitus de inÃcio rescente. Sua história médica inclui hipertensão, poliúria, nictúria, cefaléia, diaforese excessiva e dor articular. Tem história de seis meses de impotência, que atribui a uma mudança nas medicações para a hipertensão. Ao exame fÃsico com caracterÃsticas faciais grosseiras, numerosas dobras na pele, mãos e pés gordos. Diz estar usando sapatos de número maior que no ano passado.
O paciente apresenta várias caracterÃsticas clÃnicas que sugerem acromegalia, como proceder na investigação diagnóstica?
O melhor teste de triagem é a medida do fator 1 de crescimento (IGR-1) insulina-like, que fornece uma medida integrada dos nÃveis de hormônio de crescimento ao longo de um perÃodo de vários dias. O teste confirmatório é o teste de supressão oral com glicose, medindo o hormônio de crescimento, que é menor que 1 ng/ml, em pessoas normais.
Medidas únicas de hormônios de crescimento sérico não são úteis, porque ele é secretado de maneira pulsátil ao longo do dia, com mei-vida curta, e sua concentração também varia diurnamente.
A medida de hormônio de crescimento com teste de tolerância à insulina é usada para fazero diagnóstico de deficiência do hormônio de crescimento, não de excesso.
A ressonância magnética da cabeça pode mostrar o aumento da pituitária e confirmar o diagnóstico (veja a imagem).

Veja mais Hormônio de crescimento – Acromegalia
Referência:
Melmed S, Jackson I, Kleinberg D, Kliganski A – Current treatment guidelines for acromegaly. J Clin Endocrinol Metab 1998;83:2646-2652.
Tags: Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS), Hipotálamo, Pituitária, SÃndrome do tunel do carpo, Sudorese
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Dicionário
A fascite eosinofÃlica é mais comum em paciente de meia-idade e em homens, e pode estar associada a uma atividade fÃsica recente. A eosinofilia é o achado laboratorial clássico. A confirmação diagnóstica é feita por biópsia da camada muscular profunda, que mostra uma fáscia mais grossa com infiltrados inflamatórios (figura).
A ressonância magnética mostra espessamento do tecido fibroso (fáscia) ao redor dos feixes musculares.
O tratamento inicial é com glicocorticóides.
A fasciÃte eosinofÃlica não apresenta comprometimento visceral, alterações capilares ou fenômeno de Raynaud.
Referência:
French LE, Shapiro M, Junkins-Hopkins JM, Wolfe JT, Rook AH. Eosinophilic fasciitis and eosinophilic cellulitis in a patient with abnormal circulating clonal T cells: increased production of interleukin 5 and inhibition by interferon alfa. J Am Acad Dermatol. 2003;49:1170-4.
Tags: Eosinofilia, FasciÃte, FasciÃte eosinofÃlica, Fáscia, Fenômeno de Raynaud
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