Arquivo de 27/jul/2008





27 - jul

Pneumonia em longevo

Categoria(s): Caso clínico, Emergências, Pneumologia geriátrica

Interpretação clínica

  • Homem de 94 anos, institucionalizado há 4 anos, portador de doença pulmonar obstrutiva crônica, é trazido ao serviço de emergência, por apresentar febre e dificuldade respiratória. Ao exame físico, apresenta-se confuso, temperatura de 37,5˚C, pulso de 110 bpm, frequência respiratória de 32 irpm e PA 85/55 mmHg. Mucosas secas e turgor da pele “tipo pastoso”. O exame pulmonar revelou, sons pulmonares distantes. Exame cardiocirculatório somente taquicardia. Hemograma com hematócrito de 48%, Leucócitos de 14.000 µl, com 85% de neutrófilos, 5% de basófilos, 7% de linfócitos e 3% de monócitos. Saturação de oxigênio de 85%, pelo oximetria de pulso. A radiografia do tórax mostrou enfisema pulmonar e infiltrado nos lobos direitos, médios e inferior. Paciente não consegue expelir catarro.

Qual a conduta mais apropriada para o caso?

Este paciente de ser tratado em ambiente hospitalar, com cuidados intensivos, devido o risco de mau resultado. Tem evidências de desidratação (mucosas secas, hematócrito alto, pelo com turgor pastoso), isto se deve a possível baixa de ingestão de líquidos via oral e perda insensível de líquidos corporais (respiração). Apresenta febrícula que ajuda a perde líquidos corporais, porém, sabemos que os idosos por apresentar quadros infecciosos graves sem exibir febre. Estes fatos tornam o paciente um candidato ao tratamento parenteral, com reposição de fluidos, bem como antibióticos endovenoso.

Os principais patógenos causadores de pneumonia comunitária são: Streptococcus pneumoniae,Haemophilus influenza, Moraxella catarrhalis e patógenos atípicos como Legionella spp. Um paciente em um asilo também tem risco aumentado para agentes Gram-negativos, como Klebsiella pneumoniae.

O levofloxacino cobre todos estes patógenos. Ciprofloxacino tem menos atividade do que levofloxacino contra S. pneumoniae. Ceftriaxona isolada cobre H influenza, M catarrhalis, a maioria das cepas de S. pneumoniae e K. pneumoniae, mas não tem atividade contra patógenos atípicos.

Haemophilus influenza – sensível a Sulfametoxazol-Trimetropima, cefuroxima, Azitromicina.
Moraxella catarrhalis – sensível a Sulfametoxazol-Trimetropima, cefuroxima, Azitromicina.
Bactérias Gram-negativa (K. pneumoniae) – não são cobertas pela Azitromicina e Vancomicina.
Streptococcus pneumoniae – 50% das cepas resistentes à penicilina, também são resistentes aos macrolídeos, como a azitromicina.

Veja mais – Pneumonia nos idosos e Fatores de risco nas pneumonias dos idosos

Referências:

Bartlett JG, Breiman RF, Mandell LA, File TM Jr – Community-acquired pneumonia in adults: guidelines for management. Clin Infect Dis. 1998;26:811-838.

Auble TE, Yealy DM, Fine MJ – Assessing prognosis and selecting an initial site of care for adults with community-acquired pneumonia. Infect Dis Clin North Am. 1998;12:741-759.

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27 - jul

Contos do Bié – O menino e o estilingue

Categoria(s): Contos e Poemas

Sabedoria

Colaborador: Gabriel Araújo dos Santos *

* Poeta Mineiro

O menino e o estilingue

O Menino e o Estilingue -1947. Projeto Candido Portinari

—– Não bastasse a angústia que me acompanhava dia e noite por conta dos “demônios” de Seu Frau, a partir daquela tarde um pesadelo de dimensões imensuráveis passou a fazer parte do meu conturbado viver.
Zé do Biu, um menino que regulava em idade comigo, vez por outra aparecia lá por casa, trazendo sempre com ele o estilingue com que caçava passarinhos e preás na Fonte do Caminho do Cemitério.
Era certeiro como ele só, mesmo estando o alvo de suas pelotas a razoável distância.
Em nosso quintal havia uma enormidade de rolinhas e sanhaços e outros pássaros, quantos se quisesse caçar.
Era tardizinha, o tempo frio fazia com que as aves ficassem menos ariscas, e quase não se moviam à nossa aproximação.
Estávamos nós três, eu, Zé do Biu e o Franz já a apostar quem primeiro acertaria o alvo.
Como era o dono do estilingue, a competição começou por Zé do Biu, que na primeira estilingada foi logo derrubando a ave em que mirou a pelota, uma rolinha fogo apagou.
Eu e o Franz tentamos repetidas vezes, e nada! A pelota passava a metros do alvo.
Todo cheio de si, Zé do Biu justificava a boa pontaria pelos beija-flores que sacrificava, dos quais só engolia o minúsculo coração, e o resto era enterrado.
Uma espécie de simpatia infalível, para não dizer feitiçaria.
De imediato tomei de uma pelota e mandei ver.
Mansinho, estava a curtíssima distância de minha assassina pontaria.
Uma covardia!
Era um beija-flor daqueles bem azuis, tão diminuto que mais aparentava um besouro.
Acertei-o em cheio, coitadinho.
Mesmo carregado de dó e remorso, mas para adquirir a tal pontaria, extraí-lhe o coraçãozinho e o enguli inteirinho, sem mastigá-lo, como mandava o rito.
Imaginei-me um herói, o máximo!
O Franz, olhando-me com certo asco, exclamou:
“Monstro!”.
Eu nunca imaginara que ele fosse dotado de tal sentimento. Sei lá, tinha comigo que por não falar como nós, não partilhar dos mesmos gostos e dos mesmos costumes, era indicação de que também não seria capaz de gestos tão nobres, e que o meu ato me faria mais seu amigo, respeitado e admirado.
Faltou-me a voz, e uma sensação de vergonha e remorso logo tomou conta de mim, e foi com profunda tristeza que o vi com os olhos marejando se afastando quase a galope em direção de sua casa.
Eu não sabia como fazer para me livrar da presença do Zé do Biu, que indiferente à reação do Franz ainda queria continuar na matança dos passarinhos.
Recusei-me a devolver-lhe o estilingue e saí correndo para a cozinha, e quando me alcançou, viu a famigerada arma se consumindo nas brasas do fogão de lenha.
Depois, era minha alma que se debatia nas labaredas do arrependimento…

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