Jul
18

Estudo de caso - Quadro abdominal toxêmico

Categoria(s): Caso clínico, Emergências, Gastrogeriatria, Infectologia


Interpretação clínica

  • Mulher de 62 anos trazida ao pronto socorro por causa de febre, calafrios e vômitos há 1 dia. Tem história de hipertensão, diabetes e obesidade. Nas duas últimas semanas tem apresentado dor abdominal vaga e intermitente. Náuseas ocasionais após as refeições. Nos últimos 2 dias, a dor abdominal e a náusea aumentaram e durante a última noite teve agravamento do quadro, febre e vômitos.

Ao exame físico, a paciente se encontra desconfortável e sonolenta, com aparência toxêmica. Pulso de 129 bpm, respiração de 30/irpm e a pressão sangüínea, na posição supina, de 90/50 mmHg. Temperatura de 39,4 graus centígrados. Pulmões e coração normais, exceto a taquicardia e taquipnéia. O exame do abdome revelou uma leve sensibilidade na região epigástrica e no quadrante superior direito, sem rebote doloroso ou sinal de Murphy. Ruidos hidroaéreo ausentes.

culturas de bacterias

A figura ilustrativa mostra duas culturas de bactéria. Na placa de cultura da mão esquerda não houve crescimento de bactérias, portanto, esta cultura é negativa e a placa da mão direita exibe o crescimento de colônias de bactérias.

Hemograma :

Hematócrito 44%
Contagem de leucócitos 19.000/ ul
Neutrófilos polimorfonucleares 61%
Basófilos 19%
Monócitos 10%
Linfócitos 10%

Qual procedimento nos quadro toxicoinfecciosos?

O quadro da paciente mostra-se com extrema gravidade e risco de sepse intra-adominal, que pode estar sendo causada por colecistite aguda, diverticulite ou mesmo pancreatite.

Devemos iniciar prontamente o uso de antibioticoterpaia empírica, após a colheira de culturas de sangue (hemocultura) e se possível de urina. Um dos sinais de gravidade no hemograma, além da leucocitose, é a ausência de eosinófilos (sinal vermelho=sinal de alerta).

Nos pacientes com sinais e sintomas abdominais, esquemas terapêuticos devem conter agenes com atividade contra bacilos Gram-negativos aeróbicos e bactérias anaeróbicas.

Gram-negativas - Ampicilina-sulbactama

Gram-negativas aeróbicas - Gentamicina, Nafcilina e vancomicina

Referências:

Westphal JF, Brogard JM - Biliary tract infections: a guide to drug treatment. Drugs 1999;57:81-91.

Carpenter HA - Bacterial and parasitic cholangitis. Mayo Clinic proc. 1998;73:473-478.

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