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Jul
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Organizando o controle do sistema motor: centros ordenadores
Categoria(s): Conceitos, Neurogeriatria |
Conceito
Um dos pontos cruciais do envelhecimento é a invalidez motora, que tira a expressão de nossa liberdade de ação. Os movimentos são planejados (voluntariamente ou não), programados e comandados por diferentes regiões do córtex motor no lobo frontal, através de um mapa ordenado de representação do corpo que garante que os neurônios motores possam comandar a força, a velocidade, a amplitude e a direção de cada movimento com a máxima precisão. Tudo isso é controlado pelo cerebelo e os núcleos da base.
Centros ordenadores
Os centros ordenadores dão origem à s vias descendentes de comando motor. O tronco encefálico é sede dos núcleos motores dos nervos cranianos, que alojam os motoneurônios da musculatura dos olhos, da cabeça e do pescoço. No bulbo, junto à ponte, encontra-se os núcleos vestibulares, cujos neurônios recebem aferentes do nervo vestibulococlear, originários dos mecanorreceptores do labirinto. Em toda extensão rostrocaudal da ponte, invadindo tanto o bulbo abaixo como o mesencéfalo acima, existe a formação reticular, e os axônios descendentes da formação reticular constituem os feixes retÃculo-espinais, que também participa nos mecanismos posturais.
No mesencéfalo existe duas regiões motoras: o núcleo rubro, que forma uma via descendente chamada de feixe rubro-espinal, e o colÃculo superior, que dá origem ao feixe tecto-espinal.
O córtex cerebral contém um vasto conjunto de áreas cujos neurônios emitem axônios descendentes: o córtex motor primário. Em conjunto, esse amplo espectro de regiões corticais dá origem aos feixes córtico-espinais.
Veja mais - Núcleos vestibulares
Vias descendentes
Durante muitos tempo os neurologistas classificaram as vias motoras em dois grupos, o sistema piramidal e o sistema extrapiramidal. Até hoje encontramos nos livros essa classificação tradicional. A denominação se refere à s pirâmides bulbares, um par de protuberânceias alongadas da face ventral do bulbo, por onde passam as fibras do feixe córtico-espinal. O sistema piramidal seria formado pelo córtex motor e o feixe córtico-espinal, e o extrapiramidal pelo conjunto dos demais núcleos e feixes motores. AtribuÃa-se ao sistema piramidal o comando dos movimentos voluntários, e ao sistema extrapiramidal o comando dos movimentos involuntários.
Essa classificação, pouco útil para compreender a função das vias descendentes, tornou-se obsoleta quando o neuroanatomista holandês Henricus Kuypers, na década de 60, conseguiu relacionar de modo lógico as vias descendentes e suas origens com as principais funções motoras, constituindo a classificação morfofuncional de Kuypers.
Portando, o sistema motor trabalha segundo um comando organizado hierarquicamente: são os centros ordenadores do córtex e regiões subcorticais, que comandam as ações contráteis das unidades motoras através das vias descendentes. Estas constituem dois sistemas fundamentais. O sistema medial, que reúne as vias que controlam o equilÃbrio corporal e a postura, comandando principalmente os músculos do eixo central do corpo e aqueles de ligação com os membros (ombros e pelvis); e o sistema lateral, que reúne as vias de comando dos movimentos voluntários, principalmente aqueles efetuados pelas partes mais distais dos membros (braços, mãos, pernas e pés).
Automatismo medular (reflexos de defesa ou reflexos de automatismo medular)
Todas as vezes que a medula se liberta da inibição exercida pelos centros superiores (antiga inibição piramidal), os estÃmulos que a alcançam abaixo do ponto lesado determinam movimentos reflexos que atingem em bloco os membros provocando, habitualmente, a flexão do membro. Numa paraplegia, por secção completa da medula espinal, o paciente, embora não possa efetuar voluntariamente qualquer movimento, queixa-se de que suas pernas agitam-se (encolhem e esticam) independentemente da sua vontade. Alguns paraplégicos usam do artifÃcio de beliscar as pernas para que elas se estirem ou se flexionem.
Existem três manobras semiológicas utilizadas para pesquizar os reflexos de automatismo medular; 1. Manobra de Babinski - que consiste no beliscamento do dorso do pé; 2. Manobra de Pierre Marie-Foix - que consiste na flexão forçada dos quatro últimos artelhos; 3. Manobra de Tolosa -  que é realizada pela percussão rápida e repetida da face plantar dos pés com um martelo de borracha.
Nos casos de transecção completa da medula, pode ocorrer, a chamada reação maciça de Riddoch - caracterizada por trÃplice flexão (flexão do pé sobre a perna, da perna sobre a coxa e desta sobre a bacia), contracão dos músculos abdominais, esvasiamento da bexiga e do reto, hiperidrose, eritema reflexo e reaçnao pilomotora nos membros inferiores.
Referência:
Lent R. Cem Bilhões de Neurônios - Conceitos Fundamentais de Neurociência. Editora Ateneu São Paulo 2001. Cap.11 O corpo se Move 341-373; Cap12 O Alto comando motor.376-418
Sanvito WL - Propedêutica Neurológica Básica. Atheneu, Rio de janeiro.2002.
Tags: ataxia, equilÃbrio, tono muscular, tremores

