Arquivo de Junho, 2008

23
Jun

 Estudo de caso - TRH e trombose venosa

Categoria(s): Caso clínico, Endocrinogeriatria, Ginecogeriatria

Interpretação clínica

  • Mulher de 51 anos, em menopausa há 1 ano, com fogachos importantes, que atrapalham os seus afazeres do dia a dia. Teve episódio de trombose venosa na perna direita há 6 anos, fazendo terapia com anticoagulante (warfarina) por 1 ano. Atualmente, sem medicações. Está preocupada com os efeitos colaterais dos hormônios e gostaria de sua orientação.
Tanto a terapia de reposição hormonal quanto o raloxifeno produzem aumento na incidência de eventos tromboembólicos. No entanto, nenhum deles é formalmente contra-indicado em mulheres com história de trombose venosa.
 
Fogachos - Os fogachos são resultantes de instabilidade vasomotora; a patogênese é complexa e envolve diversas substâncias vasoativas. O fogacho ocorre principalmente nos casos de amenorréia secundária com altos níveis de gonadotropina, e são suprimidos por doses de estrogênios que reduzem os níveis de gonadotropina. 
 
Raloxifeno - O raloxifeno é uma substância moduladora seletiva da resposta estrogênica, mas não previne o fogacho, e até ao contrário pode aumenta-lo.
Referência:
 
McNagny SE - Precribing hormone replacement therapy for menopausal symptoms. Ann Intern Med. 199;131:605-616.

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23
Jun

 Poemas da Dalva Saudo - Analogia

Categoria(s): Contos e Poemas

Emoções

Colaboradora: Dalva Saudo *

* Poetisa Paulista

MONTANHA X ÃGUA        TU X EU

Quando penso nas montanhas, logo me vêem a mente, idéias de:
Força e estabilidade.
Era o que sentia em ti.
Impressionavas-me com tua grandiosidade.
Tranqüilizavas-me com tua paz!
Ficavas sempre isolado, calado como as montanhas.
Eu… a água, vertente e dependente de ti,
Com som suave e ritmado como os versos que agora faço.
Tu eras meu santuário. Dependíamos da chuva
Ela cessou. Tu partiste. Eu sequei.
Fiquei sem meu habitat.
Não me surpreenderia se soubesse que estas nas montanhas
Admirando deslumbrantes cataratas, belos lagos
Tentando me encontrar, como fazias no mar.
Assim como o sol penetra entre as árvores,
Gostavas de sentir o silêncio e paz da natureza a te envolver
Era assim que gostavas de viver.
Se soubesse que na montanha estaria,
Com certeza a escalaria para te encontrar!

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22
Jun

 Estudo de caso - Hipotireoidismo por uso de iodo

Categoria(s): Cardiogeriatria, Caso clínico, Endocrinogeriatria

Interpretação clínica

  • Senhor de 72a com queixa pulso fraco e canseira há 15 dias. Tem doença arterial coronariana e foi submetido a angioplastia com stent há dois meses, com boa reperfusão miocárdica. Não tem mais sintomas de angina, mas está preocupado com sua frequência cardíaca baixa. Faz uso de betabloqueador (atenolol 25 mg/dia), anteriormente tomava 100 mg/dia. Ap exame físico, a frequência cardíaca é de 42 btm e regular, e a pressão sanguínea é de 142/78 mmHg. Demais exames físicos normais. O exame laboratorial mostrou hormônio estimulante da tireóide TSH 36,6 uU/ml (normal= 0,5 a 5uU/ml).
O que pode estar acontecendo com o paciente e como tratá-lo?
O paciente está apresentando hipotireoidismo. Alguma disfunção tireoidiana preexistente subclínica, provavelmente estava presente, e a inibição da liberação de hormônio, induzida pelo conteúdo do iodo do corante angiográfico, levou a hipotireoidismo franco.
O uso de medicamentos tireoideanos aumenta a demanda miocárdica por oxigênio e pode precipitar angina e isquemia em alguns pacientes com doença arterial coronariana. A terapia deve ser iniciada com doses baixas de hormônio tireoidiano e gradualmente aumentada até a normalização da concentração sérica do TSH.
A bradicardia aparece de forma exuberante nas pessoas com hipotireoidismo em uso de betabloqueadores ou portador de doenças do sistema de condução cardiaco.
Referência:
Gomberg-Maitland M, Frishman WH - Thyroid hormone and cardiovascular disease. Am Heart J. 1998;135:187-196.

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Estudo de caso - Uso de amiodarona
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Doença de Graves
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22
Jun

 Contos do Bié - Na casa de Sa Geraldina

Categoria(s): Contos e Poemas

Sabedoria

Colaborador: Gabriel Araújo dos Santos *

* Poeta Mineiro

Na hora combinada eu estava pisando as tábuas do alvejado e bem cuidado assoalho da casa de Sa Geraldina, ali na esquina da Rua da Fontinha com o Morro da Tegina, que demandava os caminhos do Santo Cruzeiro, indo para a Chapada. Uma misturança de muitos cheiros principiou por deixar meu espírito como que arredio e medroso, sensação que ia tomando corpo à medida que meus olhos davam com as inúmeras estampas de santos que pendiam das paredes da sala dita “de estarâ€, que na verdade fora transformada  numa espécie de capela,  pois no centro, sempre alumiada por uma chama de um bem acabado candeeiro, era venerada a imagem de Nossa Senhora da Boa Morte, afora duas velas,  as chamas numa lerdeza de esmorecer, ladeando a estampa representativa da “Fuga para o Egitoâ€.
Um enorme sofá de palhinha, verniz preto, dava bem de frente para a parede em que sobressaía um quadro do inferno, ali retratadas espetaculares cenas dos pecadores caindo de cabeça para baixo, cujo destino eram os descomunais caldeirões sobre imensas e ardentes chamas de fogo!
Os segundos ali me pareciam uma eternidade, e minha vontade era sair correndo, tais os gritos de horror que me chegavam aos ouvidos, partidos daquelas infelizes criaturas jogadas no inferno. “Não, esta não é a casa de Sa Geraldina!â€, pensei comigo, a imaginar que eu estava tendo uma visão do que iria me acontecer no dia de minha morte.
E ali, o meu ser como todo paralisado, senti alguém me tocar o ombro.
Não tive forças para gritar. Quase morri.
Era Vicenza, que de propósito viera devagarzinho, pé ante pé, me avisar que Sa Geraldina logo logo  viria, e que me sentasse ali no sofá e aguardasse um pouco. Apresentou-me um prato com algumas brevidades, para que eu comesse. Tirei apenas uma, e ela tornou à cozinha.
Como um autômato, sentei-me no sofá, a brevidade na mão. Quando vi, a quitanda se desmanchou toda, tanto a apertei sem perceber. Eu tinha os olhos fixos no dito quadro do inferno. E era ali naquela sala que Sa Geraldina iria reforçar minha catequese, ambiente adequado para falar do sagrado.
Séria, de pouco sorrir, assomou à sala. De baixa estatura, gorducha, cabelos em coque, rosto redondo, bochechas avantajadas; pele rosada que parecia mostrar o sangue. Os olhos azuis, morteiros, aparência de peixe morto, pareciam aguçar ainda mais em mim o medo que já me dominava.
Eu rezava e rezava, só no meu íntimo, implorando às almas que me tirassem dali. Em dado momento tomei coragem e pedi para ir lá fora, na cozinha, limpar as mãos que eu sujara com  brevidade. Quem sabe entre o ir e vir eu acharia uma saída para me livrar daquela enrascada. Ainda bem que Vicenza me ofereceu café daqueles bem ralinhos, próprios de casa de gente já de meia idade. Tomei uma xícara e repeti. Depois ainda comi outra brevidade. Tudo para ganhar tempo. Não senti o gosto de nada. Só pensava em ir embora logo.
Ao retornar à sala, e antes que Sa Geraldina falasse qualquer coisa, de pronto tomei a iniciativa da conversa e disparei a falar. Desculpei-me de todos os modos, a dizer que, ao chegar a casa, dei com meu pai – coitado de papai! – tontinho de dor de cabeça, deitado lá na cama, o quarto todo escuro, e que me pedira para ir à farmácia de seu Zeca pegar um remédio indicado para o incômodo que o acometia. Que eu só tinha passado ali para isso, e que meu pai é que me mandara assim fazer.
A boa senhora condoeu-se toda, a se desculpar de que não poderia ir ver meu pai em virtude do adiantado das horas, que ainda tinha o banho e o jantar pela frente, para depois ir à igreja. Mas quem sabe depois da reza passaria por lá…
Quem estava agora com dor de cabeça e de consciência era eu, e no caminho para casa eu tomava cuidado, modo não tropeçar e cair, vez que meu pecado era grande, e na queda eu iria parar no inferno!  Perdi até o apetite, que naquela idade era demais.
Naquela tarde, meus familiares estranharam o tão pouco que comi; e estranharam, também, meu modo calado, contemplativo, tão tagarela eu era. Contemplativo, nada!   Eu não via a hora de a noite passar, aflito para chegar a hora de dormir. Felizmente uma etapa já estava vencida: Sá Geraldina não apareceu.

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21
Jun

 Estudo de caso - Lesão do manguito rotador

Categoria(s): Caso clínico, Reumatogeriatria

Interpretação clínica

  • Senhora de 72a com queixa de dores e dificuldade para elevar o ombro esquerdo há 1 dia. Nega trauma ou queda. Refere que ao acordar sentiu dores no ombro esquerdo e agora esta com dificuldade para elevar o braço a altura do ombro. Tem diabetes controlada com dieta e insulina. Sistema cardiopulmonar normal. Refere ter feito os exames de rotina há menos de um mês e estava tudo normal. O exame físico constatou dificuldade ao elevar ativamente o braço esquerdo. Restante do exame físico normal. Foi solicitado uma radiografia do ombro que não revelou alterações ósseas. Pedido uma ressonância nos sentido de avaliar as partes moles do ombro.

manguito rotador

O principal grupo muscular responsável pela movimentação do ombro é o manguito rotador. O manguito rotador é formado pelos seguintes músculos: supra-espinhoso, infra-espinhoso, subescapular e redondo menor. Possui inserção tendinosa no úmero, facilitando a estabilidade articular e propiciando movimentação.

Resposta do caso

O exame de ressonância mostra um lesão do manguito rotador. Esta lesão pode vir expontaneamente e se manifesta de forma súbita com dor e dificuldade de elevação e sustentação do braço afetado. Esta lesão pode ser completa ou parcial e as análise da ressonância e dos aspectos clínico definiram os procedimentos terapêuticos se clinicos (uso de analgésicos e antiinflamatório + repouso articular) ou cirúrgicos.

50% dos pacientes podem apresentar ruptura sem trauma do manguito rotador. Devemos lembrar que o diabéticos pode apresentar infarto muscular por lesão dos vasos que os nutre. (veja artigo de referência).
Comentários
As rupturas do manguito rotador são facilmente identificadas após lesões traumáticas. Fratura da cabeça umeral e luxação do ombro devem ser sempre consideradas. Porém, aproximadamente metade dos pacientes não apresentam antecedente de trauma. Nestes casos, degeneração do manguito rotador ocorre gradualmente, resultando em ruptura incompleta e eventualmente em ruptura completa. As rupturas são classificadas como pequena (< 1 cm), média (1-3 cm), grande (3-5 cm), acentuada (> 5 cm). Dor no ombro, fraqueza à abdução e perda da mobilidade ocorre em vários graus, variando de dor importante e discreta fraqueza à ausência de dor e fraqueza severa. Sinal de queda do braço com incapacidade para manter 90° de abdução passiva do ombro pode estar presente em grandes ou severas rupturas.

Diagnósticos diferenciais : tendinite do manguito rotador, tendinite bicipital, capsulite adesiva e síndrome do desfiladeiro torácico.

Veja mais Síndrome do manguito rotador

Referências:

Araujo NC, Fernandes JA - Reumatismo de partes moles - I. Membros superiores. Temas de Reumatologia clínica. vol 4, n.1, 14-19,2003.

MacIsaac RJ, Jerums G and Scurrah L - Diabetic muscle infarction. MJA 2002 177 (6): 323-324.

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