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Jun
16
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Estudo de caso - Fasciíte necrotizante
Categoria(s): Caso clínico, Dermatogeriatria, Emergências, Endocrinogeriatria, Infectologia |
Interpretação clínica
- Mulher de 62 anos deu entrada no departamento de emergência queixando-se de intensa dor na coxa direita. Portadora de diabetes mellitus tipo 2, sendo tratada com sulfoniluréia de segunda geração. Tem artrite e está usando antiinflamatórios não-esteróides para controle da dor articular. Nega hipertensão arterial ou cardiopatia. Há 1 dia, pela manhã, notou uma dor na parte superior da coxa direita e pensou que poderia ser uma agudização da artrite e, assim sendo, tomou uma dosagem extra de ibuprofeno. No mesmo dia, tarde da noite, a coxa ficou inchada e estranhamente sensível. Ela foi ao pronto socorro, onde foi atendida por um médico residente, que a encaminhou ao departamento de emergência.
- Ao exame físico, obesa e estava ansiosa. Temperatura de 38,9 graus C. Foi observada um leve taquicardia. A coxa direita estava inchada e extremamente sensível ao toque mais profundo. Havia uma mancha vermelha pequena (5 cm de diâmetro) no centro da área sensível. Uma radiografia da coxa não revelou alteração óssea, a não ser as referentes à osteoartrite nos quadris e nos joelhos. O exame não revelou presença de gás no tecido mole. Foi admitida com o diagnóstico de celulite. No dia seguinte a paciente estava pior, com quadro toxêmico. Um TC da coxa revelou edema difuso nos grupos musculares.
Esta paciente pode estar apresentando um quadro gravíssimo de mionecrose (necrose muscular) por germe como Streptococcus pyogenes. O estudo com Ressonância magnética e imediata drenagem cirúrgica do possível abscesso é primordial para a cura.
O diagnóstico mais provável é de fasciíte necrotizante, que refere-se à infecção que envolve os tecidos moles abaixo da camada de gordura subcutânea, especialmente a fáscia e os músculos adjacentes. Essas infecções podem causar destruição irreversível dos tecidos, geralmente progridem rápido, podendo resultar em perda de membros e ameaça à vida. O diagnóstico pode ser atrasado, pois essas infecções são raras. A patogênese mais frequente para fasciíte necrotizante é a infecção de tecidos isquêmicos ou desvitalizado. Isso pode ocorrer em pacientes com doença arterial associada ao diabetes mellitus ou à aterosclerose, após grandes cirurgias, ou após acidentes ou traumas graves. Infecções nos tecidos pouco perfundidos, onde as defesas humoral e celular do paciente estão pouco acessíveis, o microorganismo prolifera rapidamente, liberando toxinas e produtos metabólicos que lesam mais tecido e, portanto, extende a infecção.
Medidas físicas como elevação das pernas e compressas mornas podem ajudar a reduzir os sintomas, mas elas não alteram o curso de piora da doença.
Yoder EL, Mendez T, Khatib R. Spontaneous gangrenous myositis induced by Streptococcus pyogenes: case report and review of the literature. Rev Infect Dis 1987;9:382-385.
Bisno AL, Stevens DL - Streptococcal infections in skin and soft issue. N Engl J Med. 1966;334:240-245.
Tags: celulite, fasciíte, mionecrose, toxemia
