12 - jun
  

Obesidade – Fisiopatologia: Leptina

Categoria(s): Bioquímica, Endocrinologia geriátrica, Gerontologia





Leptina

Na década de 50, pela primeira vez, descobriu-se um gene mutante em camundongos obesos. Nas duas décadas seguintes sugeriu-se que a obesidade poderia ser corrigida por uma substância reguladora de peso, presente no sangue de um indivíduo normal, ao se observar que quando se ligavam os sistemas circulatórios de dois animais ao de um rato obeso portador do gene mutante (rato ob/ob) e ao de um outro rato normal, o animal obeso perdia peso.

Em 1994, Zhang et al. caracterizaram o gene do camundongo obeso, e em 1995, a equipe de Jeffrey Friedman cronou a versão não-mutante – e, portanto, normal – deste gene, à qual denominou gene ob. No final de 1995, identificou-se um hormônio protéico codificado pelo gene ob, o qual foi denominado leptina (do grego, delgado), e que se sabe estar centralmente envolvido na regulação do tecido adiposo.

A proteína ob (ou leptina) é secretada pela célula adiposa, em resposta ao aumento da massa gordurosa, e age sobre o hipotálamo ventromedial, no qual diminui a biossíntese e a secreção do NPY (neuropeptídeo Y), reconhecido como o mais potente estimulador do apetite . A leptina, assim, emergiu como um hormônio da saciedade. Estas descobertas apontaram para a terapêutica sob a forma de drogas que aumentem a produção de leptina ou que amplifiquem seu sinal.

O tratamento de camundongos ob/ob com leptina recombinante por duas a quatro semanas reduziu não somente o peso corporal (em mais de 40%), o percentual de gordura corporal (50%), a ingestão alimentar (em mais de 60%) e os níveis de glicemia e insulinemia (em 66% e 41 %, respectivamente), mas ao mesmo tempo normalizou a temperatura corporal e o consumo de oxigênio, possivelmente por diminuir os níveis hipotalâmicos de NPY. A administração de leptina recombinante no líquido cefalorraquidiano de um animal normal induz a perda do apetite.

De tudo que tem sido observado, pode-se concluir que a proteína ob (ou leptina) pode controlar o peso através de um sistema de feedback, que informa ao corpo quanto de gordura ele contém.

Os obesos humanos apresentam aumento dos níveis de leptina; isto sugere que sejam resistentes à mesma. Os níveis de leptina diminuem nos indivíduos que perdem peso. A hiperinsulinemia crônica e o uso de glicocorticóides aumentam os níveis de leptina, sugerindo que a insulina regula o gene ob ou age diretamente no adipócito.

A resistência à leptina pode resultar em diminuição da entrada desta no cérebro, em conseqüência de ligação periférica desta substância, e não devido a um defeito do receptor de leptina. A resistência à insulina está associada a níveis elevados de leptina plasmática independentemente do IMC, contudo a insulina plasmática, por ela própria, não regula prontamente a produção de leptina.

Referências

Silver JK. et al. – Time of onset of non-insulin-dependent diabetes mellitus and genetic variation in the P 3 adrenergie-receptor gene. N. Engl. J. Med., 3333.,43,1995.

Bouchard C, Perusse L. et al – lnheritance of the amount and distribution of human body obesity. Fap – Int. J., 12:205-15,1988.

Shetty PS,  Jung RT et al. -Postprandial thermogenesis in obesity. Clin. Sci.,60.,519-25,1988,

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1 Comentário »

  1. Claudia Miriam comenta:

    21 outubro, 2008 @ 7:41 AM

    A leptina funciona como emagracerdor ou ajuda em quantos porcento a emagracer para pessoas com hipotiroitismo?

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