Jun
07

Poemas do Silas Corrêa - As Sandálias do Peregrino

Categoria(s): Contos e Poemas


Emoções

Colaborador: Silas Corrêa Leite *

* Poeta de Itararé - SP

As Sandálias do Peregrino
-Calça as tuas sandálias de humildade, eleva tua mente às nuvens descalças, procura as pegadas do coração, e prepara técnicas de vôo para o teu espírito de doçura e de contemplação de tantas asaluzes muito além do sol…

-Calça as tuas sandálias de lágrimas, abre teu leque de pétalas, sê pescadora de pérolas templárias, e reconhece no teu irmão poeta um peregrino visitador de almas irmãs em bem-aventuranças de horteleiros dos reinos dos céus…

-Calça as tuas sandálias de amor, e verás que, de alguma maneira, teus calcanhares ganharão asas, e terás a sensação que a tua mochila de perdas e danos apresentam enormes e santificadas asas que criam lilases do eio do Pai celeste…

-Calça as tuas sandálias de esperança, e vê que teu sonho é o reflexo de tudo o que anseias por um mundo melhor, uma paz solidária, um sentido universal de justezas no amor em Cristo…

-Calça as tuas sandálias de caridade, e verás que és o caminho, há um caminho ao redor de ti, um caminho que cresce a partir de ti, pois o fizeste na caminhada e ainda o farás uma escada para o céu de todas as honras…

-Calça as sandálias do pescador, do vendedor de pirulito de açúcar cristal, do fazedor de rapadura de amoras silvestres, do encantador de borboletas e do acendedor de estrelas…

-Calça as cascas de laranjas-pêra de tuas perdas, dos pedaços de frutas de tuas trilhas e iluminuras, e vê que tudo soma, tudo é edificação, tudo é sumus e inventário de partilhas somatizadas…

-Calça as alegranças de tuas conquistas, no teu tear de azulejos de mãe, amiga, companheira, filha, pintora de resíduos cósmicos que retiras das porcelanas da alma para o pastel das revelações sagraciais…

-Calça a areia do deserto que desfizeste, calça o sal em que plantaste a gaivota de tua alma, calça a tez chão de uma flor que desabrocha em tua vida como um lirial eterno…

-Calça as sandálias de gotas de orvalho e sereno; calça os panos residuais de esporos e prelúdios, calça os engenhos íntimos de tons cor de fogo da aurora, calça os degraus dos estradeiros, os aclives para embarques dos anjos, as pérolas que de tua dor fizeste diadema de luz, aura e halo…

-Calça as meias de origem, as pantufas dos ancestrais, as vestes que legarás aos teus descendentes, a manta de tua santificação nas obras, a túnica do Rei dos reis, pois que és escolhida entre tantos os chamados que não se apresentam para a caminhação…

-Calça teus pés de poemas, pois tua alma respira por eles, erguendo livros-árvores, filhos-árvores, amigos-árvores; poderás ter frondosos sonhos de paz no remanso dos anjonautas que te abençoam e reconhecem em ti uma especial filha do Criador…

-Calça teus dias de trigais dourados, reveste teu espírito de campos de lavanda, alimenta teu coração de sucos de espiritualidades, e saberás quando for a colheita, pois que agora o teu tempo é de louvor e de maravilhas no amor do Pai.

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1 Comentário »

  1. Maria Viana comenta:

    7 Novembro, 2008 @ 20:27

    Muito bom!!! tanto gostei do poema que até o escrevi no meu orkut…Parabéns, professor!!!
    Ah! pra entender melhor só falta pesquisar umas palavrinhas…Bjão!!!

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