Arquivo de Maio, 2008

04
Mai

 Aromaterapia - O olfato e os odores

Categoria(s): Gerontologia

Resenha

Colaboradora : Maíra Silva Mamana

* Naturologa, Pós-graduanda do Curso Saúde e Medicina Geriátrica - METROCAMP

O OLFATO E OS ODORES

O olfato é o mais antigo e talvez o mais desconhecido entre os sentidos desenvolvidos pelo homem. Foi o primeiro sentido desenvolvido nos organismos monocelulares. Nos proporciona a sensação de aroma, que, conforme a ciência aromacológica tem provado, afeta o comportamento humano de forma intensa. Conhecer os componentes que causam impressão em cada receptor e a linguagem da combinação de estímulos tem sido o maior desafio dessa nova área científica. Os aromas precisam reagir quimicamente dentro de nosso corpo, para que possamos senti-los, portanto o olfato é o nosso sentido mais íntimo e mais diretamente ligado ao cérebro.

As substâncias têm o que chamamos de aroma quando desprendem partículas que, levadas pelo ar, impressionam as terminações das células nervosas olfativas, localizadas na região superior da mucosa que reveste as fossas nasais. Estimuladas, as células olfativas transmitem impulsos nervosos ao nervo olfativo, que, por sua vez, os transite à área cerebral responsável pela olfação, o sistema límbico, causando reações inconscientes de ordem fisiológica e psicológica. Aliás, muito do que chamamos de paladar, é realmente olfato. As células do paladar e do olfato são as únicas do sistema nervoso que são substituídas quando velhas ou danificadas.

O olfato depende, sobretudo, da interação físico-química entre moléculas presentes dissolvidas no ar que inspiramos e os receptores que ficam dentro do nariz. Nos humanos, esses receptores são chamados de quimiorreceptores e estão localizados no epitélio olfativo, um pedaço de tecido localizado na cavidade nasal, recoberto de cílios e de uma camada de muco. A excitação olfativa ocorre quando moléculas fixadoras de substâncias odoríferas catalisam a formação de monofosfato cíclico de adenosina (AMPc), agindo sobre as outras proteínas da membrana e provocando a abertura dos canais iônicos. De forma geral, as moléculas gasosas, são dissolvidas no muco, e então interagem com os receptores, ativando a enzima adenil ciclase, que catalisa a conversão de ATP em AMP cíclico. O cAMP ativa um canal de NA +, gerando um potencial de despolarização ao longo da membrana . Esse impulso é transmitido pelos nervos olfativos até o cérebro, que, computando outros estímulos sensoriais, interpreta o impulso como um odor, muitas vezes acionando áreas da memória que relacionam o particular odor com algo já experimentado antes.

A substância odorífera precisa ter certas propriedades para ser capaz de provocar alterações sensoriais: deve apresentar alguma solubilidade em água, pressão e vapor considerável, lipofilicidade e massa molar não muito elevada.

Fatores físicos que afetam o grau de estimulação olfativa
● Apenas substâncias voláteis que podem ser aspiradas pelas narinas podem ser submetidas ao olfato.
● As substâncias estimuladoras precisam ser ligeiramente hidrossolúveis para atravessar a mucosa e atingir as células olfativas.
● As substâncias estimuladoras precisam ser ligeiramente lipossolúveis para não serem repelidas pelos componentes lipídicos da membrana celular

Referências:

Corazza, S. Aromacologia: Uma ciência de muitos cheiros. 2ª edição, São Paulo: SENAC, 2008.

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03
Mai

 Aromaterapia - Tratamento da insônia nos idosos

Categoria(s): Bioquímica, Plantas medicinais, Saúde Geriátrica

Resenha

Colaboradora : Maíra Silva Mamana

* Naturologa, Pós-graduanda do Curso Saúde e Medicina Geriátrica - METROCAMP

AROMATERAPIA
Aroma: palavra de origem grega que designa “fragrância”; terapia significa tratamento. Assim, temos um tratamento curativo através do sentido do olfato. Os aromas são percebidos pelo sistema límbico, parte do cérebro conectado à emoção.

Aromaterapia - Aromaterapia é a arte e a ciência do uso de óleos essenciais para promover ou restabelecer a saúde e o bem-estar físico, mental e emocional. É uma terapia não convencional, complementar (Tisserand,2003). Fundamentada no conhecimento tradicional de várias culturas desde tempos remotos, atingiu uma nova etapa de desenvolvimento graças aos resultados que estão sendo obtidos com as investigações na área aromacológica.

O foco de tratamento aromaterápico está tanto na área física, cuidando de desordens menstruais, problemas digestivos, como também na área psicológica, tratando por exemplo, insônia, ansiedade e depressão.

A aromaterapia não atua somente de forma emocional; sua atuação química é extremamente intensa e valiosa, sendo fundamental conhecer profundamente os efeitos químicos dos óleos essenciais e seus componentes no organismo humano. Aromaterapia não é apenas o uso de aromas agradáveis, que muitas vezes são sintéticos ou adulterados, usados de forma aleatória sem atender as necessidades físicas e/ou psicológicas que visam o equilíbrio geral do ser humano.

Aromacologia - Aromacologia é um termo criado e registrado como AROMACHOLOGY ®, em 1989, pelo Sense of Smell Institute, formalmente conhecido como Fundação para Pesquisa do Olfato, para descrever o conceito desenvolvido para o estudo das inter-relações entre psicologia e tecnologia de fragrâncias.

A aromacologia busca alcançar os efeitos positivos causados pelos aromas nas emoções e no humor, para trazer bem-estar e melhorar a qualidade de vida humana. Seus estudos referem-se tanto às substâncias naturais quanto sintéticas, isoladas ou combinadas. Portanto, não é uma terapia, mas sim uma ciência em fase e desenvolvimento, que pesquisa os usos e efeitos psicológicos e fisiológicos das fragrâncias e odores, estudando e explorando as relações existentes entre os compostos aromáticos e os estados de espírito que eles estimulam.

Óleos essenciais - São substâncias extraídas de plantas por destilação, expressão á frio ou enfloragem que possuem certas características que as tornam únicas: devem ser puras - sem adição de solventes ou outras substâncias químicas - naturais, aromáticas, curativas, de consistência oleosa e voláteis, ou seja, evaporam à temperatura ambiente. Podem ser extraídas de raízes (vetiver, gengibre - rizoma), folhas (eucalipto, hortelã, patchouli, alecrim, tea-tree, lemongrass, citronela, cipreste), tronco (cedro, sâmdalo, pau rosa), resinas (olíbano e mirra), frutos (laranja, limão, mandarina, bergamota, tangerina, lima), flores (lavanda, gerânio, rosa, néroli, jasmim).

O valor terapêutico dos óleos essenciais deve-se à sua complexidade química, já que eles atuam de diversas maneiras, ao contrário dos produtos quimicamente sintéticos, que atuam de um único modo, relativo ao composto químico ativo. Além disso, um produto sintético jamais terá a variedade de compostos químicos que os óleos naturais contêm, perdendo a sinergia específica advinda da fusão molecular desses elementos, que atuam de maneira bem específica na cura. Essa é a explicação para o fato de obtermos propriedades diferentes e muito mais abrangentes quando usamos os óleos essenciais do que quando extraímos determinada substância dele.

Óleo essencial de Lavanda
- Nome científico: Lavandula officinallis
O termo “lavândula” é derivado do latim “ Lavare”, limpar. É empregado na medicina popular como um sedativo suave.

Método de extração: Destilação a vapor d’água
Indicação terapêutica: Insônia, eczema, queimaduras, edemas.
Aplicação do óleo essencial: extremamente versátil, suas ações incluem a normalização, ação analgésica, anti-séptica, antidepressiva e sedativo.

Referências:

Corazza, S. Aromacologia: Uma ciência de muitos cheiros. 2ª edição, São Paulo: SENAC, 2008.

Motta, L.B. Insônia: Prevalência e fatores de risco relacionados em população de idosos acompanhados em ambulatório. Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia, v. 10, n°2. Rio de Janeiro, 2007.

Junemann, M.; Tisserand, M. A Magia e o Poder da Lavanda: Seus Segredos e Aplicações. 1ª edição, São Paulo: Madras, 1999.

Reimão, R. Medicina do Sono. 1ª edição, São Paulo: Lemos Editorial, 1999.
Tisserand, R. A Arte daAromaterapia. 13ª edição, São Paulo: Editora Roca, 2003

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02
Mai

 A marcha nos idosos - Parte 2. Papel da fisioterapia geriátrica

Categoria(s): Fisioterapia, Gerontologia

Revisão

Colaborador: Anderson Luiz Giandoso Parreiras *

* Fisioterapeuta e pós-graduando do curso Saúde e Medicina Geriátrica da Metrocamp

O ser humano não evoluiu como animal sedentário. Muito pelo contrário, a atividade física foi essencial para a sobrevivência da espécie. Prolongar a vida com saúde, significa fundamentalmente preservar ao máximo a capacidade funcional, evitando os fatores que gerem perda da autonomia e independência.

A atividade física proporciona o desenvolvimento do indivíduo como um todo, levando-o a encontrar o equilíbrio e o ajustamento psicossomático. A adoção de um programa de atividade física regular é uma das medidas isoladas mais eficazes que o indivíduo pode tomar em relação a sua qualidade de vida e saúde.

Os programas bem sucedidos caracterizam-se pelo baixo índice de lesões traumáticas, pela avaliação regular das respostas diante do treino e pelo feedback apropriado. Por isso é importante ajuda de um profissional de fisioterapia para acompanhar os treinos.

Para que um programa de exercícios para terceira idade seja bem sucedido, alguns fatores precisam ser levados em consideração tais como: a diminuição da acuidade sensorial e da tolerância aos fatores de estresse do meio ambiental, as diferenças no tocante às atividades preferidas e os maiores riscos para a saúde.

Exercícios de flexibilidade
- A flexibilidade é um componente muito instável da capacidade física, razão pela qual se recomenda o treinamento freqüente, 5 a 7 dias por semana. Existem diversos tipos de movimentos de alongamentos, capazes de melhorar a flexibilidade, mas, no adulto de idade avançada, o alongamento lento e a manutenção em posição de alongamento durante certo tempo prestam-se melhor para promover a flexibilidade, enquanto o perigo de lesão traumática é mínimo.

Exercícios de resistência muscular - Os exercícios de resistência revelam-se promissores como meio para substituir a massa muscular perdida (sarcopenia) ou para aumentar o teor dos ossos e substâncias minerais. O adulto de idade avançada pode participar sem nenhum perigo do treinamento da resistência e obter um aumento significativo de sua força muscular, do enduro muscular e da massa muscular. A aplicação de exercícios que emprega a força muscular exige a ação das fibras musculares de contração rápida, fibras estas, que diminuem em quantidade e tamanho durante a velhice.


Fisioterapia geriátrica
- A fisioterapia geriátrica tem como objetivo principal à independência do idoso para as tarefas básicas de AVD’s, no intuito de minimizar as conseqüências das alterações fisiológicas e patológicas do envelhecimento, garantindo a melhoria da mobilidade e favorecendo uma qualidade de vida satisfatória que é julgada pelo idoso mais pelo nível funcional e grau de independência do que pela presença de limitações específicas e isoladas como, por exemplo, dores articulares, seqüelas de AVE, etc.

O fisioterapeuta deve conhecer o processo de envelhecimento (fenômenos biológicos, psicológicos e sociais) e ter visão e atuação preventiva. Para a prevenção de quedas, é necessário que os idosos participem de programas educativos, pratiquem regularmente exercícios, que se tenham mudanças no ambiente e orientações sobre os perigos. Para isso, é preciso eliminar ou minimizar as causas de quedas; evitar futuras quedas; restabelecer a segurança e a auto-estima; promover a reeducação funcional; aumentar a força muscular; o equilíbrio; a coordenação e a propriocepção; melhora da marcha (se necessário, com o uso de acessórios); exercícios de transferência de peso.

Referências:

Guccione, AA. Fisioterapia Geriátrica. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2002.

Rebelatto, JR; Morelli, SJ. Fisioterapia Geriátrica: A Prática da Assistência ao Idoso. São Paulo: Manole, 2004.

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01
Mai

 A marcha nos idosos - Parte 1. Noções Gerais

Categoria(s): Gerontologia

Revisão

Colaborador: Anderson Luiz Giandoso Parreiras *

* Fisioterapeuta e pós-graduando do curso Saúde e Medicina Geriátrica da Metrocamp

A marcha é uma parte integral das atividades de vida diária. Pode ser definida como uma forma ou estilo de caminhar. Também denominada de “andar”, esta atividade é comum a todas as idades, raças e gêneros. Desta forma, torna-se uma das mais importantes atividades realizadas pelo homem.

Esta é descrita em termos de ciclo de marcha, que se divide em duas fases, apoio e balanço. A fase de apoio constitui 60% do ciclo e ocorre quando uma perna suporta todo o peso e se mantém em contanto com a superfície. Essa fase permite que a perna de apoio sustente todo o peso e esse possa avançar. A fase de balanço ocorre quando a outra perna que não faz o apoio é avançada para o próximo passo. A marcha se dá através de uma serie de fases alternadas de apoio e balanço, como os braços se movimentando em sentindo inverso às pernas do mesmo lado mantendo dessa forma o equilíbrio.

Durante a fase de apoio, verificam-se três atividades principais. O contato inicial (batida do calcanhar), representa o inicio da marcha; o apoio intermediário (apoio unipedal), ocorre na metade dessa fase; e o apoio terminal (calcanhar-fora) representa o ponto na qual o calcanhar da extremidade de referência sai do solo e avança o corpo pra frente.

A fase de balanço, divide-se na fase inicial (aceleração), ocorre quando o dedo da extremidade em movimento deixa o solo; na fase intermediaria, o ponto na qual a extremidade em balanço está diretamente sobre o corpo; e fase terminal (desaceleração), quando a perna se prepara para o contanto inicial com o solo ou esta pronta para o suporte do peso, quando a fase de apoio de reinicia.

Os movimentos da locomoção são altamente variáveis visto que cada indivíduo apresenta peculiaridades sobreposta ao padrão básico de locomoção, tornando difícil o padrão fixo para a técnica de caminhada. Cada indivíduo tem um padrão de marcha que representa uma maneira de deslocar-se no ambiente, de maneira aceitável, com menor esforço físico e estabilização adequada.

Entretanto, existem certas características na locomoção que permitem a padronização do movimento.
O ser humano começa a desenvolver a marcha nos primeiros anos de vida, o padrão de marcha bípede do ser humano é adquirida na infância por volta dos 7 ou 8 anos, onde o sistema sensório-motor torna-se muito adaptado a gerar automaticamente um conjunto repetitivo de comandos de controle motor para permitir uma pessoa caminhar sem esforço consciente.

Em adultos, por ser um movimento do dia a dia, o padrão de marcha é característico de cada ser e bem definido. Porém, podem ocorrer alterações por problemas neurológicos ou algum tipo de patologia.

Na terceira idade, de modo geral, uma das maiores limitações funcionais é a sarcopenia e como conseqüência a queda, ou o medo desta, que implica em níveis diminuídos de atividades com subseqüente perda da função muscular, tecido articular e processamento de informação, podendo assim acontecer alterações no padrão da marcha.

Referências:

Guccione, AA. Fisioterapia Geriátrica. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2002.

Rebelatto, JR; Morelli, SJ. Fisioterapia Geriátrica: A Prática da Assistência ao Idoso. São Paulo: Manole, 2004.

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