Arquivo de Maio, 2008

28
Mai

 Cannabis sativa - Canhamo

Categoria(s): Plantas medicinais

Fitoterápicos

Cannabis sativa

Planta herbácea anual com caule áspero, ereto, apresentando folhas palmadas. É uma planta dióica. As flores estaminadas formam paniculas muito poliníferas. As flores pistiladas aparecem nas axilas das folhas. A polinização depende do vento. O fruto é um aquênio cinzento-esverdeado e brilhante (em baixo). A espécie, originária da índia, é cultivada nas regiões quentes como planta têxtil, oleaginosa, medicinal e narcótica.

É o cânhamo indiano que contém a mais elevada taxa de substâncias medicinais e narcóticas, chamadas haxixe. O cânhamo indiano é cultivado industrialmente no Oriente, na Índia e no México.

O haxixe é uma substância resinosa, de odor forte, segregada pelas glândulas situadas nas folhas superiores e nas inflorescências femininas. Colhe-se sacudindo as plantas precisamente antes da floração. Serve para preparar medicamentos calmantes do sistema nervoso, utilizados no tratamento de depressões nervosas, nervosismo excessivo, esgotamento, enxaquecas, tosse asmática e também para anestesias locais em medicina dentária.

É também um estupefaciente poderoso cujo consumo no estado natural ou fumado produz efeitos narcóticos acompanhados de alucinações.

As cimeiras do cânhamo, isto é, os caules, são cortadas secas e podem também servir para preparar alimentos. Misturadas com tabaco, são fumadas sob o nome de marijuana.

Todas as espécies de cânhamo contêm longas e sólidas fibras que sempre serviram para fabricar cordas, cordéis e têxteis. As sementes contêm até 35 % de um óleo sicativo.

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27
Mai

 Lavanda - Lavandula officinalis

Categoria(s): Plantas medicinais, Saúde Geriátrica

Fitoterápicos

Lavandula officinalis

Se um pequeno bosque de alecrim nos transmite o sentimento de um forte e severo calor, tal qual aquele que nos transmite o fogo, emana de uma moita de alfazema uma paz doce e nobre.

O sistema foliar está quase que reduzido a agulhas, mas essas são moles. O porte da planta é semelhante a um candelabro de sete velas. Os ramos, cuja tendência a formar espirais se mostra na forma quase que de uma roseta, trazem consigo delicadas espigas de flores. Nada de foliar resta nessa região. A inflorescência de um belo “azul alfazema” e um órgão de suma importância, pois neste órgão está o perfume da planta. A alfazema difere do Alecrim, pelo fato deste último possuir em suas folhas um princípio flor, pois o perfume é produzido nessas pequenas folhas duras e em forma de agulha, ao passo que o perfume da Alfazema se encontra na região floral. A inflorescência da Alfazema se desenvolve no verão. A planta se entrega fortemente a essa manifestação floral e abandona, abaixo, as partes inferiores à flor, a um verde insignificante. A flor de Alfazema, supremamente enobrecida, pode também produzir um dos perfumes mais autênticos que nós conhecemos. Nesse sentido, algo de limpo e apaziguante nos penetra.

Essa planta gosta de declives secos e quentes da região mediterrânea ocidental; ela procura o calor e também a luz. Ela prospera melhor nos prados de montanha dos Alpes marítimos onde ela recobre os solos quentes. À medida que ela desce ao plano, ou seja, à medida que ela for medrando em altitudes mais baixas, seu aroma vai se tornando menos delicado.

A Alfazema também “tonifica os nervos”, acalma, e faz dormir; ela resolve as cãibras, combate as síncopes, e é vivificante. Ela dirige de bom modo o sangue que “sobe à cabeça”; ela excita as atividades metabólicas.

Ela é preciosa sob forma de banhos na ciática na gota, no reumatismo.

Veja o emprego na Lavanda na aromaterapia.

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Melissa - Melissa officinalis
Valeriana - Valeriana officinalis
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Aromaterapia - Tratamento da insônia nos idosos
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27
Mai

 Contos de Mardegam - Bernardo Ermitão

Categoria(s): Contos e Poemas

Emoções

Colaborador: Ricardo Mardegam *

* Poeta Paulista

BERNARDO ERMITÃO
(Clibanarius vittatus)

Bernardo Ermitão

Bernado Ermitão é um bichinho muito simpático e curioso que vive nas profundezas do oceano. Ele vive vagando por entre as maravilhas do fundo do mar procurando (e achando) moradia para se proteger dos predadores.
O curioso é que ele não possui “casa própria” (no caso uma concha) e passa a vida apropriando-se de casas que foram de outros de sua espécie - ou não.
Essas casas-conchas que são abandonadas por seus donos quando morrem são as moradias do Ermitão, só que tem um probleminha: ele também cresce e suas casas momentâneas tornam-se desconfortáveis. Quando isso acontece, ele sai à procura de outra mais adequada.
Fico pensando nesta história através de outro prisma - o da Psicanálise.
Estas conchas, que são deixadas, referem-se às histórias ou estórias e mitos que, muitas vezes, delas nos apropriamos para “morarmos” e que vão deixando de ser confortáveis a partir do momento em que crescemos (a todo momento).
Estamos sempre a procura de um lugar onde possamos ser proprietários ou donos, mesmo que isso “passe” com nosso desenvolvimento/crescimento.
Estamos sempre a procura de abrigo, de proteção, de colo, em última análise, de um útero, onde possamos nos sentir protegidos e satisfeitos.
Esta procura torna-se um tanto quanto impossível a partir do momento em que nascemos (perdemos o lugar original). E lidar com esta falta é o que angustia e também o que nos move nesta busca eterna e não possível.
Ora nos agarramos em pessoas que supomos que possam dar aquilo que não possuem, ora nos alojamos em idéias e fantasmas que nos dão uma falsa segurança de satisfação.
Assim, como o Ermitão, estamos sempre a procura de um “lugar” há muito já perdido e não possível de ser reencontrado.
Apesar desta não possibilidade temos que continuar nossa peregrinação em busca de um conforto - psíquico. Achando, aproveitando e deixando para que novas “conchas” nos abriguem até chegar o momento de acharmos outras e outras…
Assim é o desejo. Nunca é satisfeito plenamente, sempre há uma lacuna a (não) ser preenchida para que possamos continuar desejando outras coisas. Essas falta é que nos impulsiona.
Somos todos Bernardos Ermitões a procura de um lugar seguro dentro ou fora de nós memos.
Façamos como ele. Procurar e não achar nunca o perfeito… e nesta não possibilidade sermos felizes pelos achados efêmeros e necessários.

METADE - Contos Crônicas - Ricardo Mardegam Edições Burity Setembro 2004

Veja Também:
Contos do Mardegam - Somos a Doença
Contos do Bié - O Jardim e a Literatura
Contos do Bié - Nhá Tuca*
Poemas do Silas Corrêa -
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Contos de Silvia Trevisani - Momento de Fé

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26
Mai

 Licopódio - Lycopodium clavatum

Categoria(s): Plantas medicinais, Saúde Geriátrica

Fitoterápicos

Lycopodium clavatum

Este grande gênero cosmopolita consiste de cerca de 450 espécies de musgos sempre verdes, perenes que podem ser de hábito terrestre ou epífito (alto das arvores); Lycopodium é encontrado em todas zonas temperadas. São plantas primitivas, com folhas pequenas em formato de escamas ou agulhas, reproduzindo-se através de esporos. Esporos de licopódio são usados em experiências de som pois são tão finos que vibram nos padrões das ondas de som, e também para efeitos em cenas e fogos de artifício, por serem altamente inflamáveis.

Lycopodium clavatum (licopódio chifre de veado) é uma planta rasteira, perene com ramos eretos, bifurcados e para cima, folhas lanceoladas e afiladas. No verão aparecem esporos bifurcados amarelos dos ramos verticais.

Antigamente toda a planta de licopódio era usada como diurético e digestivo. O uso dos esporos data do século XVII. De acordo com Mrs Gneve (A Modern Herbal, 1931), “Eles têm um poder repulsivo tão forte que se a mão está pulverizada com eles, pode ser imergida em água sem ficar molhada”. Esta propriedade é usada para recobrir pílulas para lacrar qualquer gosto desagradável e prevenir a adesão umas às outras.

As partes usadas são os esporos e a planta Inteira. Uma erva sedativa, anti-bacteriana, diurética que abaixa febre, beneficia a digestão, e estimula o útero. A erva é usada interiormente para desordens urinárias e do rim, cistite catarral, gastrite, e na medicina chinesa para artrite reumatóide e danos traumáticos. Externamente para doenças de pele e irritação. Os esporos são a base para uma preparação homeopática para tosses secas, dores reumáticas,

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25
Mai

 Estudo de caso - Angioedema adquirido

Categoria(s): Caso clínico, Dermatogeriatria, Emergências

Interpretação clínica

  • Homem de 62 anos, portador de artrose nos joelhos, foi visto no pronto socorro do hospital geral com queixas de intensa dificuldade para respirar, ruído intenso ao respirar (estridor respiratório ou laríngeo) há 20 minutos. Notou ao acordar pela manhã que estava com a face edemaciada especialmente nos olhos. Nega febre, faz uso contínuo de antiinflamatórios não hormonal. Ao exame físico o médico plantonista notou além do edema facial e periorbital (foto) edema de glote e encaminhou imediatamente para o centro de tratamento intensivo.

Qual o diagnóstico e como entender o caso?

Trata-se de um caso de angioedema adquirido, cuja manifestação clínica se deve a deficiência adquirida do C1 INH. O angioedema, que também pode ocorrer na forma hereditária (crianças e jovens), apresenta-se de forma aguda, sem prurido ou dor, acometendo a face, vias respiratórias superiores, aparelho gastrointestinal e extremidades, geralmente sem urticária. O edema progride lentamente durante as primeiras 36 horas, desaparecendo ao final do terceiro dia.

O acometimento do aparelho respiratório, causa obstrução das vias respiratórias superiores, edema da laringe, que deve ser rapidamente diagnosticado, pois é responsável por 25% dos óbitos.

O sistema gastrintestinal é o mais atingido e pode ser o principal ou mesmo, o único órgão envolvido. Dor abdominal em cólica, vômitos e diarréia aquosa, esta última surgindo no final da crise, são resultantes do edema da mucosa intestinal causando obstrução intestinal que pode ser confundida com abdome agudo. A hipersecreção gástrica é responsável pela alta incidência de doença ácido péptica nestes pacientes.

A freqüência das crises é variável, podendo ser semanal ou de duas a três por ano, durando entre um a três dias. Os fatores desencadeantes são exercícios, temperaturas extremas, infecções, estresse emocional e traumas.

Fisiopatogenia - O angioedema adquirido, é menos freqüente que a forma hereditária, e se deve a deficiência do C1 INH (veja sistema de complemento abaixo).
Divide-se em três tipos: Tipo 1 com ativação exagerada do sistema do complemento, com aumento de consumo do C1 INH, e conseqüente deficiência do mesmo. Ocorre em associação com diversas doenças, como, leucemia linfocitária, linfomas, macroglobulinemia, mieloma, neoplasias e colagenoses. O angioedema pode surgir vários anos antes e desaparecer com a instalação da doença. No tipo 2 há produção de anticorpos da classe G formando complexos idiotipo-antiidiotipo, resultando em maior consumo de C1 INH, e finalmente, o tipo 3. onde não é possível diagnósticar a doença de base, porém com a presença de auto-anticorpo das classes G e A contra o inibidor de C1, bloqueando o local de união com C1s.

Diagnóstico diferencial - O diagnóstico diferencial deve ser feito com, dermatite de contato, Lúpus eritematoso, celulite, linfedema, trombose do seio cavernoso, tumor facial e dematomiosite.

Tratamento - Na fase aguda os pacientes apresentam o risco de desenvolver obstrução intestinal ou asfixia. É a parte mais crítica do tratamento e deve-se administrar concentrado liofilizado purificado do C1 INH, na dose de 500 a 1000 UI, por via endovenosa. O início da ação é imediata e a remissão dos sintomas se dá em duas a três horas. Tanto na fase aguda como na prevenção pode-se, também, utilizar agentes antifibrinolíticos, que bloqueiam a plasmina, como plasma fresco, que contém inibidor de C1.

De acordo com a necessidade utiliza-se efedrina, epinefrina, anti-histamínicos, analgésicos narcóticos e outras medidas de terapia intensiva, inclusive intubação endotraqueais e traqueostomia.

Sistema do complemento - O sistema do complemento é constituído por um conjunto de proteínas conhecidas como proteínas das vias ativadoras (clássica e alternativa) e reguladora. Estas proteínas desempenham importantes funções no mecanismo de defesa do organismo, tais como lise celular e formação de fragamentos peptídicos que promovem a degranulação de mastócitos e basófilos, vasodilatação, quimiotaxia, aderência celular e aumento ou inibição da resposta imune.

No angioedema o C1 INH age em diferentes etapas da síntese dos diversos mediadores inflamatórios. Ele inibe a ativação proteolítica de C2 e C4 da via clássica, a via de amplificaçã proteolítica do fator XII (Fator de Hageman), a produção de calicreína, plasmina e a formação de bradicinina. Portanto a deficiência de C1 INH causa inflamação desordenada conseqüente à produção exagerada de cininas e de fragmentos C2b, que parecem ser os principais mediadores, levando à vasodilatação com aumento da permeabilidade e edema. Além disto, a plasmina destrói a camada de fibrina da parede dos vasos, acaretando aumento da permeabilidade vascular.

sistema do complemento

Referências:

Black AK, Greaves MW. Urticaria and angioedema. In Kay AB Ed. Allergy and allergic diseases. Oxford; Blackwell Science ltda 1997. p1586

Möller P, Henz BM. Angioedema. In Henz BM, Zuberbier T, Grabble J, Monroe E, Eds. Urticaria clinical diagnostic and therapeutic aspects. Springer. Berlin 1998.p45.

Pruet CW, Kornblut AD, Brickman C, Kalliner MA, Frank MM Management of the airway in patients with angioedema. Laryngoscopie 93:749-754.1983.

França AT Urticária e angioedema: Diagnóstico e tratamento. Rio de janeiro, Editora Revinter, 2000.

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Veja Também:
Urticária e Angioedema
Estudo de caso - Vasculite
Estudo de caso - Tumor fantasma
Estudo de caso - poliúria
Estudo de caso - Necrose óssea
Estudo de caso - Compressão medular

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