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Atenção ao idoso: Papel da enfermagem – Parte 1.

Categoria(s): Enfermagem, Programa de saúde pública




Resenha

Colaboradora: Ana Cristina Tosta *

* Enfermeira e pós-graduanda do curso Saúde e Medicina Geriátrica da Metrocamp. Enfermeira da Casa de Repouso “Alan Kardec”.

Enfermagem

História

A enfermagem, inicialmente era praticada por freiras que prestavam assistência por caridade aos doentes e miseráveis nas santas casas, portanto, os cuidados prestados aos pacientes eram de cunho religioso, não tendo assim nenhum embasamento científico, mas apenas empírico. A assistência era realizada sem o uso de uma metodologia de trabalho para orientar suas ações, conforme as necessidades surgiam às decisões eram tomadas. A enfermagem ao longo do tempo vem se desenvolvendo, tornando uma profissão honrada, digna, técnica e científica, e para isto, passando por várias fases desde os tempos das civilizações mais antigas, onde as pessoas que prestavam cuidados aos doentes o faziam apenas por caridade.
A partir do séculos XIX, com FLORENCE NIGHTINGALE, iniciou-se um modelo assistencial estruturado no trabalho executado com os soldados durante a guerra da Criméia. Florence já se baseava em uma assistência holística, do corpo humano, tendo um olhar dimensional do ser.

A enfermagem hoje é uma área que está voltada também para bases cientificas, fato que Florence já fazia em seus cuidados como higienização, isolamento, na época. Porém, desde o início, algumas dificuldades foram encontradas como o desconhecimento dos sintomas, das necessidades básicas alteradas e da nomenclatura destas necessidades, dentre outros motivos. O processo de enfermagem por ter origem nas práticas de atenção ao doente, possui fases interdependentes e complementares e quando realizadas concomitantemente resultam em intervenções satisfatórias para paciente (Foschiera e Viera, 2004).

Atualidade

A American Nurses Association (ANA) definiu enfermagem, em 1995, como “o diagnostico e tratamento das respostas humanas à saúde e à doença”. Dentro da área de pesquisa em enfermagem do cuidado, seguimos os processos fisiológicos e fisiopatológicos, como: conforto, dor e desconforto, saúde-doença, tomadas de decisões e escolhas, orientações sobre os cuidados do corpo humano e o ambiente, processo do nascimento, crescimento, desenvolvimento e morte, e também sistema ambientais.

A enfermagem é uma atividade e uma ciência relacionada ao cuidado do ser humano, individual ou coletivo, porem, de modo integral e holístico, atuando sempre na promoção, proteção, recuperação, e na reabilitação do individuo, respeitando os preceitos éticos e legais. Essa profissão hoje tem uma autonomia própria editada pelo Conselho Internacional de Enfermagem, designada por Classificação Internacional para a pratica de Enfermagem, guiando enfermeiros na formação de diagnósticos de enfermagem, planejamento das intervenções e avaliações dos resultados aos cuidados prestados. Ainda esta com padronização do manual em diagnósticos de enfermagem North American Nursing Diagnosis Association (NANDA), listados com suas caracteristicas definidoras e seus fatores relacionados.

Papel da enfermagem

O enfermeiro é um profissional qualificado de nível superior, responsável pela promoção, prevenção, recuperação, e reabilitação dos indivíduos a quem comete os cuidados, seja individual, coletivo ou comunitário. Estando apto para atuar nas áreas da saúde assistencial, administrativa, ou gerencial. Ainda dentro da área, encontramos pessoas capacitadas como, auxiliares e técnicos de enfermagem, possuindo funções especificas designadas pelo enfermeiro. Contudo, a figura principal e central relacionado aos serviços e atuações profissionais de atenção á saúde é o paciente. Este, variando de individuo para individuo, pode depender de vários cuidados, e necessidades, tendo a enfermagem que identificar e tomar medidas que aliviem seu sofrimento. Para certos indivíduos/pacientes algumas necessidades básicas são essenciais para manter a satisfação pessoal e quando há limitações para a realização dessas práticas diárias, o paciente necessita de cuidado mais próximos.

Atuação junto aos idosos

Os enfermeiros são profissionais de saúde com um papel prioritário no apoio aos idosos, patológicos ou não, independentes ou não, com autonomia ou não. São profissionais determinantes, principalmente no processo de reabilitação fazendo com que a assistência seja sistematizada permitindo assim que se identifiquem os problemas dos idosos de maneira individualizada, colocando seus conhecimentos teóricos-prático no controle do processo do envelhecimento, e sempre mantendo sua formação em continuidade para os estudos clínicos preventivos, curativos e paliativos a essa população.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cuidados paliativos são uma abordagem que objetiva a melhoria na qualidade de vida do paciente e seus familiares diante de uma doença que ameaça a vida, através da prevenção e alivio de sofrimento, através da identificação precoce e avaliação impecável, tratamento de dor e outros problemas físicos, psicológicos e espirituais.

A enfermeira também tem como papel avaliar cuidados da assistência, dar acessoria, planejar e coordenar serviços prestados pela enfermagem, orientações e avaliações das ações relacionadas á saúde dos idosos, comandar no tratamento de feridas, úlceras de pressão, planejando ações de proteção ao surgimento de escaras e complicações das doenças do idoso, estimulando deambulação precoce, e gerenciando procedimentos em saúde, deve saber investigar e identificar os casos em prioridade, abordar corretamente o idoso, agir coordenadamente com outros profissionais, traçar intervenções eficazes para cada caso.

Preventivamente, pode utilizar-se de estratégias educativas a saúde, em todos os níveis de complexidade. Deve ainda estimular o autocuidado, atuando na prevenção e não na complicação das doenças inevitáveis, individualizando o cuidado a partir do princípio de que todos os idosos vão apresentar um grau diferente de dependência, diferindo assim a maneira de assistência.

A equipe de enfermagem deve zelar para que o idoso consiga aumentar os hábitos saudáveis, diminuir e compensar as limitações inerentes da idade confortar-se com a angustia e debilidade da velhice, incluindo o processo de morte. No entanto, observa-se em muitas instituições a ausência do enfermeiro, assim como da equipe multiprofissional (Aires, Paz e Perosa, 2006). Fato justificado pela falta de recursos financeiros, e da consciência dos governantes para tal problema presente, que futuramente nós, provavelmente vamos enfrentar.

Referências:

Aires, M; Paz, AA.; Perosa, C.T. O grau de dependência e características de pessoas idosas institucionalizadas. Revista Bras. De ciências do Envelhecimento Humano, Passo fundo, 79-91-jul./dez.2006.

Diogo, MJ; Delboux. O papel da enfermeira na reabilitação do idoso. Revista latino-am.enfermagem, Ribeirão Preto,v.8,n.1,p.75-81,jan. 2000

Foschiera, F; Viera, C S – O diagnóstico de enfermagem no contexto das ações de enfermagem: percepção dos enfermeiros docentes e assistenciais. Revista Eletrônica de Enfermagem, v. 06, n. 02, p.189-198, 2004. Disponível em www.fen.ufg.br

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14 Comentários »

  1. Tereza Melillo comenta:

    12 maio, 2009 @ 1:47 PM

    Não temos muitos médicos ou enfermeiros na area de geriatria, gostei bastante do artigo e gostaria de receber mais textos a respeito.
    Coordeno uma casa de repouso e para nossos enfermeiros, quase sempre tecnicos, quanto mais informações melhor. Abraços obrigada.
    Tereza

  2. Elaine Cristina Rezende comenta:

    29 maio, 2009 @ 9:24 AM

    Sou academica de Enfermagem e coordeno um lar de idosos, gostaria de mais informação sobre como trabalhar educaçao continuada com idosos, atividades e dinamicas para nao deixar monotono o dia -a-dia dos idosos….Abraços obrigada…..

  3. Francisco J.S.Silva comenta:

    19 outubro, 2009 @ 8:29 AM

    Olá Elaine,
    Sou fisioterapeuta e técnico de enfermagem e já me deparei com esses casos pois trabalho com internação domiciliar(Home Care). Para esses casos, o ideal é que haja a interação junto a equipe multidisciplinar que com certeza fará o dia a dia dos idosos mais dinãmico e saudável. Me tornei fisioterapeuta justamente porque estava interessado em como tirar ou evitar para os pacientes lesados do SNC, que entrassem na sindrome da imobilidade. E constatei que infelizmente, um dia a dia monótono, como você disse, é justamente o que devemos evitar.
    Abs,
    Francisco (metropolitancare@ig.com.br)

  4. solange comenta:

    17 janeiro, 2010 @ 11:14 AM

    Sou academica de Enfermagem e coordeno um lar de idosos, gostaria de mais informação sobre como trabalhar educaçao continuada com idosos, atividades e dinamicas para nao deixar monotono o dia -a-dia dos idosos….Abraços obrigada…..

  5. Francisco José dos S.Silva comenta:

    18 janeiro, 2010 @ 12:24 PM

    Olá Solange,
    Como já comentei anteriormente, sou fisioterapeuta e técnico de enfermagem, formado e atuando em ambas as profissóes a mais de 15 anos em SP. Por isso tenho constatado que o suporte da enfermagem apenas não e suficiente para garantir que os idosos tenham um dia a dia dinamico e agradável do ponto de vista das atividades fisicas.
    Por mais que nós da enfermagem consigamos suplantar, com muito esforço, as necessidades básicas dos idosos por que lhes falta a autonomia, ainda resta o tempo ocioso que acaba sendo muito deletério física e psiquicamente. Por isso, um bom lar de idosos, não pode apenas ser um local onde eles apenas tenham cuidados de enfermagem, alimentação, exames clínicos e visitas esporádicas dos familiares que gostam de encontrá-los”limpinhos, cheirosos e sentadinhos”. Precisamos revolucionar esse que para as más línguas configura-se como um depósito de vélhos, incrementando as atividades físicas com apoio de uma equipe multidisciplinar com fisioterapeutas que programarão atividades fisicas melhorando suas habilidades físicas e a reorganização corporal e as respostas do organismo à medicação e tratamento; terapeutas ocupacionais que implementarão atividades lúdicas melhorando sua habilidade comportamental e ressocialização; terapeutas cognitivos que resgatarão suas habilidades cognitivas, tornando-os mais a elaborarem sua atenção, concentração e julgamento e nutricionista para acompanhar o melhor aproveitamento nutricional e físico geral dos idosos. Tudo visando que ele tenha um pouco mais de independência, que com certeza é o que ele mais deseja.
    Portanto, não se trata de “não deixar o dia-a-dia monótono, e sim de tratar os idosos com humanidade, consideração e dignidade, assim como gostaremos de sermos tratados quando chegarmos lá.
    Um forte abraço e estou sempre à disposição!
    Francisco José dos Santos Silva
    Fisioterapeuta Geral Neurofuncional
    fco.florence@gmail.com
    F: 2574-8434 e 8737-7795

  6. rudimar viegas martins comenta:

    16 setembro, 2010 @ 10:07 PM

    Em primeiro lugar quero cumprimentar pelo artigo, sou formando de Técnico em Enfermagem pela UNICRUZ da cidade de Cruz Alta, rs. Pois muito bem me interesso pelo assunto, Saude do Idoso ao passo que estudos relatam que daqui 20 30 ou até 40 anos, nossa população será de 90% de idosos, até lá se Deus quiser tambem estarei neste perfil. Penso que sim, devemos tratar o idoso como gostaríamos de sermos tratados como tal a seu tempo, e estou engajado tambem nesse assunto pois é de extrema importância para nossa humanidade. Saúde do Idoso ja diz por si, tratamento a pessoa de idade avançada, mas não paramos por aí, penso que devemos dar esta atenção ja quando nasce uma criança por isso o privilégio não de todas as mães, mas da maioria através do pré-natal e neo-natal, atenção básica que me refiro daí por diante. Tem a ver muito com cada estado, município deste nosso brasil, penso que se começarmos a praticar esta atenção por consequência a prevenção, a saùde por si falará mais alto, onde regrinhas básicas como: um bom dia, boa tarde, como vai, não faz mal a ninguém pelo contrário anima as pessoas coloca o astral , o ego da pessoa lá em cima. Isso tudo pra min tambem é saúde, então acredito muito no trabalho que vem sendo feito pelos profissionais da area em relação ao idoso. Quero deixar uma pergunta: porque em vários lugares assistencias de saúde não se tem na pratica o que Regula o estatuto do idoso, o qual penso que foi publicado no papel pra bonito apenas? desde ja agradeço este espaço……

  7. Denise van de Meene comenta:

    25 fevereiro, 2011 @ 3:19 PM

    Sou enfermeira com especialização em gerontologia, muito interressante seu artigo, é bom verificar em artigos como esse
    a importancia da enfermagem na saúde do idoso, realizo um trabalho junto á idosos num centro de convivencia da minha cidade,
    no qual faço essa trabalho educativo, gostaria de saber mais a respeito e de saber novas tecnicas.

    desde já agradeço.
    Denise

  8. Luís Augusto Zanoli Gomes comenta:

    17 março, 2011 @ 6:31 PM

    Sou academico de enfermagem (7º período), desenvolvendo minha monografia sobre os cuidados aos idosos realizados pela equipe de enfermagem nas Instituições deLonga Permanência (ILP), me interessei pelo artigo e gostaria se possível de obter material para minha monografia tais como idoso que reside em ILP, o papel da enfermagem nos cuidados com os idosos e contribuição para ensino, assistência e pesquisa.

    Desde já agradeço

    Luís Augusto

  9. Ozineide Silva comenta:

    21 maio, 2011 @ 2:07 PM

    Ola!!!

    Sou Técnica e acadêmica de Enfermagem, 7º período, gostei muito do seu artigo é muito interessante, aborda assuntos sobre aspecto, ligado ao cuidado do idoso e acamados. Gostaria de adquirir material que diz respeito a assistencia da ESF ao idoso acamado, saude do idoso, papel da enfermagem para com os mesmos, SE POSSIVEL.

    Desde já agradeço pela colaboraçao

    Att: Ozineide

  10. EDUARDO MELO comenta:

    27 janeiro, 2012 @ 10:14 PM

    boa noite adorei o artigo queria receber artigos dessa area pois estou montando meu tcc nessa area de gerontologia , por favor mande pra mim …..

  11. GABRIEL CRISPIM comenta:

    9 fevereiro, 2012 @ 3:28 PM

    olá! Gostei do artigo…Sou técnico de enfermagem, acadêmico, e estou fazendo um tcc 1 sobre ulcera de pressão em idosos. GOSTARIA DE RECEBER MAIS MATERIAIS…GRATO!!!!

  12. Oguarda comenta:

    27 março, 2012 @ 9:09 AM

    Muito bom esse artigo.
    http://www.oguarda.com

  13. Alexssandro comenta:

    11 setembro, 2013 @ 5:10 PM

    Olá, sou acadêmico de enfermagem e técnico também, estou trabalhando em tcc com saúde domiciliar, estou precisando de material que indique os principais benefícios do serviço. você poderia me enviar alguns materiais caso tenha? já que voçê trabalha na área, talvez possa me ajudar, pois estou com dificuldade de encontrar.

  14. Alexssandro comenta:

    11 setembro, 2013 @ 5:11 PM

    há.. meu email: nasc_alex@hotmail.com

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