Arquivo de Abril, 2008

08
Abr

 Poemas da Eneida - Simplesmente adeus

Categoria(s): Contos e Poemas

Emoções

Colaboradora: Eneida Tagliolatto *

* Poetisa Paulista

SIMPLESMENTE ADEUS

Porquê você não vem?
Se estou com as mãos
úmidas e tremulas de ansiedade.

Porquê você não vem?
Se meus olhos te procuram
ansiosos e lacrimejantes.

Porquê você não vem?
Se meus lábios ardem
na espera de um beijo teu.

Mas, você vem!
Vem para me dizer,
que tuas mãos secaram
e já não tremem mais.

Vem para me dizer,
que teus olhos não lacrimejam
e já não me procuram mais.

Vem para me dizer,
que teus lábios não ardem mais
e já não esperam um beijo meu.

Enfim, você veio.
Mas veio para me dizer:
Simplesmente Adeus.
Porquê?

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08
Abr

 Terminalidade - Parte 3. A importância da comunicação

Categoria(s): Tanatologia

Tanatologia

A Definição de Morte

Colaborador: Antonio Cesar Antoniazzi *

* Médico e pós-graduando do curso Saúde e Medicina Geriátrica da Metrocamp

A IMPORTÂNCIA DA COMUNICAÇÃO

Um dos grandes sofrimentos dos que estão morrendo é perceber que não há ninguém que os acompanhe até a beira do abismo. Eles falam sobre a morte mas os outros logo ficam sem graça, não sabem o que dizer e desconversam. (Rubem Alves, Mosaico de Pensamentos,2000)

Para morrer bem e viver bem até o final de nossa vida, é importante aprender a falar sobre o que está nos acontecendo. Há várias razões que justificam nossa dificuldade em abordar a gravidade de uma doença ou a morte de uma pessoa doente, e aceitamos que a ignorância ou o engano é o melhor para o doente, e muitas vezes fugimos de pedidos explícitos ou sutis do doente que questiona sobre seu real quadro.

Poder estar informado, conhecer seu estado de saúde e prognóstico, perguntar e comunicar suas dúvidas e inquietações, favorece seu estado anímico, permite que exerça o direito de determinar como quer viver o tempo que lhe resta, tanto pessoal, familiar e profissional, proporciona-lhe condições para que partilhe com o médico decisões sobre o tratamento e sua eficácia, optando se é o melhor e suportável para ele, e reafirma sua necessidade de controle da situação e que não vai ser submetido a medidas inúteis ou que prolonguem sua vida mais do que seu desejo. Para o médico isto é um guia valioso para nortear suas intervenções, e para a família poder entender e aceitar mais facilmente as decisões. O doente conta então com a base de afeto, proteção, companhia, aceitação e respeito para realizar seu processo interno de separação e preparação espiritual para sua morte, e decidir sobre o momento e as condições da mesma.

Tratando-se de um doente terminal, não se fala somente em morrer bem, mas de viver tão bem quanto lhe seja possível e com significado. Não basta só ser informado, mas de estar comunicado, de estar com os familiares, pois vivemos nos relacionando com as outras pessoas, comunicando-nos com elas. A comunicação é uma condição sine qua non para a vida humana.

Uma das coisas que mais magoa a pessoa é ser negligenciada, não ser considerada, não ser alvo de comunicação, ser ignorada. Comunicar não é apenas transmitir informações, o conteúdo, mas a atitude. A comunicação é o meio pelo qual somos reconhecidos, valorizados, ou, ao contrário, ignorados, rejeitados.

O temor da morte é inato em todos nós, gerando sentimentos não racionais e de difícil comunicação. Não compreendemos nossa não-existência nem a perda total da identidade. Diante dela, estamos frente a algo desconhecido, cheio de incertezas, não só do que virá depois, mas também do processo em si de morrer, sobre o instante crucial da morte.

A comunicação em uma doença grave ou terminal é um processo. Inicia-se com a informação do diagnóstico, no prognóstico e plano de tratamento. À medida que a doença avança, novos questionamentos surgem como a deterioração, quanto tempo de vida ainda resta ao doente, como vai ser sua morte.

O trabalho médico nesta hora, não consiste em dar as más notícias e somente informar ao doente, é necessário criar um clima psicológico que permita minorar o impacto da notícia. A questão não é dar ou não a notícia, e sim como fazê-lo, e além do quanto se diz, há o que se diz. É um processo de escuta, de ouvir as perguntas e detectar os sentimentos. É manter uma atitude que transmita ao doente o seu interesse como pessoa e compreendê-lo em sua individualidade. Aprender a escutar necessita o mesmo tempo de treinamento que para os procedimentos técnicos sofisticados.

O local e o momento para se dar a conversa com o doente é de grande importância, para se criar um clima propício, tranqüilo e privado, transmitindo a disposição para conversar sem pressa. Se puder, pergunte se prefere conversar sozinho ou estar acompanhado de alguém.

Os doentes sabem, ou intuem, sobre o que está acontecendo com eles, mesmo que não sejam informados diretamente. É preciso considerar que há muitas verdades e diferentes momentos para dizê-las. Não contar, ou pretender que nada está acontecendo, favorece que se crie uma situação que denomina-se de “teatro de má qualidade†(Kovács, 1992). Este comportamento leva a uma situação conhecida como conspiração do silêncio, onde ocorre o isolamento do doente, manifestado por um silêncio sem palavras, ou num palavrório que silencia o que de mais importante tem a ser compartilhado: sentimentos, dúvidas e questões que se tornam prementes quando a morte se aproxima. Não basta apenas derramar as informações, é preciso estimulá-los a falar, receber informações deles e ter a sensibilidade para perceber quando eles preferem o silêncio. Eles temem incomodar o médico e a última coisa que desejam é serem abandonados nesses momentos.

Quando se fala da gravidade, é importante que se dê alguma informação positiva como “Seus exames estão bonsâ€, “Temos outras medicações para usarâ€, etc. Os doentes precisam saber que alguns aspectos seus se mantêm bem. Para eles é sempre importante saber sobre as medidas que serão tomadas para aliviá-los, mesmo que não haja cura para seu caso.

É importantíssimo tratar o doente como uma pessoa ímpar e diferente de todas as outras. Reconhecê-lo como um indivíduo, com uma família, com uma história, com suas crenças e algumas outras necessidades.

Conscientizar o doente sobre o agravamento do seu quadro não significa deixá-lo sem saída ou esperança, mas que ele pode contar com os cuidados que lhe tragam dignidade no fim da vida. Inquietações surgem nesta hora sobre o sofrimento durante a agonia. Este é o momento que mais devemos obter informações dele sobre o que ele teme, o que mais o preocupa, o que está imaginando, e fornecer-lhe alternativas de como lidar com elas.

Ao contrário, devemos também respeitar quando alguém não quer ou não pode falar sobre sua doença ou sua morte. Há pessoas que preferem manter seus processos de negação e isolamento, ou desejam que os outros tomem conta de suas vidas.

Cecily Saunders (1991) com seu trabalho, abriu novos caminhos para quando o mais nada a fazer aparece, porque a cura da doença não é mais possível. Surgiu o conceito de dor total, onde a importância do cuidar dos sintomas físicos se somam aos cuidados do sofrimento psíquico e espiritual e do isolamento social que a doença provoca. Assim, a morte não sendo mais vista como fracasso ou erro médico, mas como decorrência da vida, conseqüência do processo de adoecimento, e se a vida continua até o momento da morte, cabe aos profissionais da saúde buscar a melhor qualidade de vida possível atendendo às necessidades do doente, através de uma comunicação aberta, favorecendo a morte com dignidade.

Definir o que é “boa morte†provoca acaloradas discussões entre os profissionais da área de cuidados paliativos. Segundo Clarke e Seymour (1999), as mortes consideradas boas são as que têm os seguintes aspectos: ter consciência, aceitar, se preparar, estar em paz e ter dignidade.

Com o movimento de cuidados paliativos, a relação profissional de saúde-paciente-familiares promoveu uma mudança de mentalidade, abandonando a posição paternalista, onde a equipe de saúde sabe tudo e toma as decisões, e adotando a posição participativa e simétrica, envolvendo os pacientes e familiares na condução do tratamento, abrindo um canal de comunicação que busca ser efetivo.

Referências:

Alves, R., Morte. Campinas, S. P.: Papirus, 2000 (Coleção Mosaico).

Pessini, L., Bertachini, L., Humanização e Cuidados Paliativos. São Paulo: Edições Loyola, 3 edição, 2006.

Simpósio Internacional sobre Cuidados Paliativos, organizado pelo Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo com apoio da Academia Nacional de Cuidados Paliativos: São Paulo, novembro 2007.

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Terminalidade - Parte 6. Atendimento domiciliar
Terminalidade - Parte 5. Curar e cuidar
Terminalidade - Parte 7. Cuidados nutricionais
Terminalidade - Parte 8. Cuidando da Obstipação intestinal
Terminalidade - Parte 2. Definindo a morte
Terminalidade - Parte 10. Úlcera de pressão e nutrição

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07
Abr

 Terminalidade - Parte 2. Definindo a morte

Categoria(s): Gerontologia, Tanatologia

Tanatologia

A Definição de Morte

Colaborador: Antonio Cesar Antoniazzi *

* Médico e pós-graduando do curso Saúde e Medicina Geriátrica da Metrocamp

tanatologiaPor muito tempo a definição de morte estava ligada à parada de funcionamento do coração e a conseqüente parada de respiração. O desenvolvimento tecnológico deste século fez surgirem medicamentos e máquinas capazes de restaurarem a vida poucos minutos após a parada do coração e em algumas situações mantê-la indefinidamente. A partir de então as autoridades médicas passaram a considerar a morte cerebral como a definição biológica de morte.

A tanatologia, ciência que estuda a morte, analisa aspectos biológicos, sociais, psicológicos, emocionais, legais e éticos relativos à morte. A biologia da morte sinteticamente é a destruição celular devido a ausência de entrada de energia. No processo de falta de energia estão a falta de oxigênio e a parada da circulação sangüínea, que levam à ruptura da estrutura celular e em conseqüência dos tecidos e dos órgãos. O organismo não tem como estocar oxigênio e a sua falta leva rapidamente ao processo de morte celular. As células nervosas não agüentam mais do que 8 minutos sem oxigênio ao contrário das células da pele que podem sobreviver por várias horas.

A falta de oxigênio ou anoxia pode levar a um estado tal de lesão das células cerebrais que a pessoa não pode mais acordar mesmo sob efeito de estimulação eficiente, apesar de manter seu coração e pulmões em funcionamento. É o estado de coma irreversível. Nesta situação o exame eletrencefalográfico não mostra qualquer tipo de atividade, sendo que este exame deve ser repetido após 24 horas da realização do primeiro e manter o mesmo padrão. Alguns hospitais exigem também a realização do exame angiográfico cerebral que mostra a ausência completa de circulação sangüínea no cérebro quando há morte cerebral.

A suspensão dos procedimentos médicos que mantém o coração e os pulmões em funcionamento por longos períodos diante do diagnóstico de morte cerebral é problemática, levantando importantes questões éticas. Tais decisões podem ser tomadas por comitês compostos de médicos, enfermeiras, religiosos, assistentes sociais e psicólogos, alem de membros da família do paciente. Cada situação deve ser vista de maneira particular o que impede o estabelecimento de normas.

O desenvolvimento dos procedimentos de operações de transplantes de órgãos a partir de cadáveres contribuiu muito para uma profunda análise medico-legal do problema da morte. Difíceis questões legais passaram a ocorrer diante de pessoas em estado de coma irreversível. O “direito de morte”, por exemplo, que preconiza a interrupção da vida de paciente em morte cerebral ou mesmo nos casos de moléstia terminal, para se evitar o prolongamento de sofrimento desnecessário, é uma questão crucial. São situações que envolvem a questão da eutanásia, ou mais precisamente a indução de morte suave em casos especiais, que não estão ainda bem definidas.

Referência:

http://www.tanatologia.org/seit/revista.html

Ross, E K – Sobre a morte e o morre. Editora Martins Fontes. São Paulo 2005.

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Terminalidade - Parte 5. Curar e cuidar
Efeito da morte do cônjuge
Ortotanásia - Terminalidade da vida
Poemas da Dalva Saudo - Amor, Vida e Morte
A morte - Quando construir opções pessoais
Apoptose

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06
Abr

 Contos do Bié - O milagre

Categoria(s): Contos e Poemas

Sabedoria

Colaborador: Gabriel Araújo dos Santos *

* Poeta Mineiro

O Milagre.

A meninada – aí eu me incluo - se via irrequieta, aquele trem de assanhamento, doidinha para provar das bananas do quintal das Mottas - Sa Dilina e D. Adélia, irmãs inseparáveis - velhinhas sistemáticas, ainda bem espertas no falar e no andar; religiosas, mas sovinas feito elas só, ridicavam até um copo d’água.
A morada era uma casa térrea antiga, de muitos cômodos na Ladeira de Seu Chico França, paralela ao fundo do nosso quintal.
Envolto em mistérios, o velho casarão encerrava um quê de misticismo e magia, objeto da natural curiosidade de todos, em especial da garotada, pelo que de frutas havia no quintal.
De escassa freqüência, a não ser algumas rezadeiras que toda primeira sexta-feira, ali pelas três da tarde reuniam-se com as Mottas para a recitação do terço. Fora dessas ocasiões, nem uma viva alma as visitava.
Certa feita, de olho no que poderiam servir após o tanto rezar, acompanhei uma de minhas tias, já de idade e solteirona, à casa das ditas cujas.
Que arrependimento!
Serviram um chá de hortelã numas xícaras que mais lembravam uma casca de ovo, tão diminutas eram. E era tudo regrado, até mesmo o açúcar, que parecia tinha passado longe.
Nunca mais botei os pés por lá, a não ser depois da tentação que nos deu.
Veja só o que aconteceu.
Seu Clarimundo - O Coveiro - de estatura mediana e atarracada - que volta e meia ia cuidar do quintal das velhinhas, tinha dia e hora certa para ali chegar, quando procedia à colheita dos cachos de banana de vez, aquela coisa enorme, conhecida como caturra.
Púnhamo-nos sempre de espreita a vigiar-lhes os movimentos.
Era só vê-lo passar pela Rua do Quenta-Sol, quebrar a esquina e tomar a Ladeira de Seu Chico França, vinha-nos a certeza de que naquele dia ia haver colheita de banana.
Mas custoso era saber onde as velhinhas estocavam a colheita.
Um dos meninos da turma, coroinha da igreja, e que não largava o padre e o sacristão nas visitas pastorais, certa feita os acompanhou até à casa das velhinhas, que uma delas, Sa Dilina, acamada, demonstrara o desejo de confessar-se e comungar.
Larico voltou impressionado com o que viu lá dentro!
Quadro de santos por todo lado, e não havia uma parede em que coubesse mais uma estampa!  Imagens ocupavam um altar que tomava o espaço de uma sala de todo tamanho, um assombro!
Logo à saída da porta da cozinha se via um jardim com tudo quanto é espécie de rosas e flores, misturança das maiores para enfeitar os quadros e as imagens dos santos e santas! Ali, diziam algumas beatas, soprava a brisa do paraíso, propriedade de Deus.
Tudo, afinal, que eu também já tinha visto.
- E as bananas, Larico, diga logo, sô, onde ficam? - impaciente, a turma o interrogava.
- Num quartinho ao lado da cozinha.
- De que altura é a janela?
- Tem janela, não.  É um quartinho escuro, mas deu p’ra ver que é lá que elas estocam as bananas, pois vi quando D. Adélia saiu de lá com uma penca para o vigário.
Desânimo no geral, caindo por terra os planos de pegar uma ou mais pencas das caturras.
Porém, como se diz que “cabeça vazia é oficina do diaboâ€, não demorou , engendrei, com a aprovação de todos, um plano mirabolante.
Da cerca da casa de Liquinha do Tãozinho dois deles alcançaram o velho telhado da casinhola, retiraram apenas e tão somente uma telha, daquelas tatu, e, servindo-se de uma embira,  foi-lhes fácil, com um anzol dos graúdos, dos de pegar traíra, fisgar uma bela e madura penca de banana, que já principiava a pintar.
E vinham puxando, puxando, com jeito e devagar, quando uma das velhinhas deu com aquele trem subindo aos ares, como se levitasse.
Assustada, pensou tratar-se de algo sobrenatural, e caiu como que desmaiada.
Acudida pela irmã, e de volta à sã consciência, não viu mais nada, nem a penca subindo, nem o buraco no telhado, que a telha fora recolocada às pressas pelos traquinas.
A notícia correu solta, e logo a casa se encheu de curiosos, a se inteirar dos detalhes do acontecido.
Nisso, chegou o vigário, paramentado e acompanhado do sacristão, água benta e tudo mais.
Findo o ritual por conta do inusitado, e benzidas as bananas que sobraram, foram elas repartidas entre os fiéis como fruto milagroso, para desdita das irmãs sovinas.
Todos nós, olhos arregalados, orávamos contritos e em silêncio, esperançosos de comer mais umas caturras, mas das bentas, que a nossa alma estava em perigo pelo pecado que cometêramos. .

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06
Abr

 Terminalidade - Parte 1. Cuidados paliativos

Categoria(s): Tanatologia

Tanatologia

Colaboradora : Marcia Cerqueira Boteon *

* Nutricionista e Pós-graduanda em Medicina e Saúde Geriátrica da METROCAMP

cuidados paliativos

Cuidado Paliativo ainda é um termo nebuloso para a população em geral e para muitos profissionais da saúde, sendo confundido com ações que nada resolvem ou até com a indução da morte (eutanásia). Ao contrário disto tudo, em cuidados paliativos não se apressa a morte, não se suspende todo o tratamento (apenas os desnecessários) e também não se abandona o doente. O cuidado passa a ser mais intenso, abrangente, ativo e complexo, envolvendo uma equipe multidisciplinar envolvida e habilitada tanto cientificamente como humanamente.

Medicina Paliativa é a especialidade¹ médica cuja atuação consiste em propiciar a melhor qualidade de vida possível aos pacientes com doença muito avançada, sem qualquer possibilidade de cura ou reversão da sua condição de saúde, por meio de técnicas que aumentem o conforto, mas que não interfiram com a sobrevida. Seu objetivo não é a mudança do curso natural, mas sim das complicações conseqüentes da doença. (Freits, 2006).

A Medicina paliativa afirma a vida e reconhece o processo do morrer como natural na vida. Não busca nem acelerar nem adiar a morte. Não está dominada pela “tirania da cura†e “opõe-se†firmemente à eutanásia. (Pessini,2004)

A OMS definiu cuidados paliativos (1990): O cuidado ativo total dos pacientes cuja doença não responde mais ao tratamento curativo. O controle da dor e de outros sintomas, o cuidado dos problemas de ordem psicológica, social e espiritual, é o que mais importa. O objetivo do cuidado paliativo é conseguir a melhor qualidade de vida possível para os pacientes e suas famílias.

Os sintomas precisam ser priorizados e só se intervir naqueles que realmente causem desconforto e angústia. Nos idosos a trajetória para a morte é lenta e com muito sofrimento físico, mental, social e emocional. O objetivo principal passa a ser a pessoa e não a doença ou o órgão doente. (Freitas, 2006)

Os cuidados paliativos devem ser iniciados quando a necessidade se apresenta e antes dos problemas se tornarem incontroláveis, devendo ser parte da assistência.

Os sinais e sintomas mais freqüentes na fase terminal de um paciente são: dor, fadiga, insônia, dispnéia, náuseas, constipação, confusão mental, ansiedade, agitação, anorexia e desidratação. Todos são extremamente desagradáveis e devem ser prontamente controlados. Aceita-se, via de regra, que dor e um certo grau de padecimento fazem parte do processo de morrer. Tal conceito é absolutamente falso.Existem medidas hábeis, tanto da área farmacológica como de suporte psicológico, de enfermagem e da área de reabilitação, além do apoio espiritual, que aliviam sintomas angustiantes e dão conforto ao paciente. (Pessini, 2004)

O cuidado paliativo em geriatria é composto dos cuidados ativos prestados a pacientes idosos com doença progressivas e irreversíveis, sendo assim, o enfoque terapêutico deve ser voltado não só ao doente como também a família. Faz-se necessário que os profissionais que se destinam a este trabalho tenham uma formação especial, pois a paliação é uma prática multidisciplinar, com uma proposta claramente intervencionista, que exige competência, arrojo, decisão, maturidade, capacidade de trabalhar em equipe e compromisso humanitário. (Pessini, 2004)

Referências:

Freitas, EV, et al. Tratado de geriatria e gerontologia, ed. Guanabra Koogan, 2° ed, Rio de Janeiro, 2006.

Pessini, L. Bertachini, L. ; Humanização e cuidados paliativos, ed. Loyola, 2° ed, São Paulo, 2004.

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