Arquivo de Abril, 2008

12
Abr

 Terminalidade - Parte 7. Cuidados nutricionais

Categoria(s): Nutrição, Tanatologia

Tanatologia

Colaboradora : Marcia Cerqueira Boteon *

* Nutricionista e Pós-graduanda em Medicina e Saúde Geriátrica da METROCAMP

ANOREXIA NO IDOSO TERMINAL

alimentos

A alimentação possui uma estreita ligação com a sobrevivência humana desde o nascimento. A recusa de alimentos por parte do paciente, gera na família um sentimento de ansiedade muito grande, provocado pela sensação de perda de um dos estímulos primordiais à vida: a vontade de nutrir-se. Isto sinaliza também a aproximação do óbito, pelo comportamento de desistência adotado pelo paciente. A recusa do alimento pode ocorrer pela ausência do apetite ou pela saciedade precoce, o que pode ocorrer por diversos motivos: pós gastrectomia, hepatomegalia, ascite, entre outros.

Neste ponto do acompanhamento surge, muitas vezes, um grande conflito entre os cuidadores e equipe: o uso de alimentação por vias alternativas . Neste momento, se faz necessário uma avaliação criteriosa por parte da equipe, bem como ouvir e compreender a opinião do paciente quando possível.

O uso de estimulantes de apetite (corticosteróide ou magesterol) poderão ser indicados pelo médico, porém, seu uso é contra indicado na saciedade prematura sem anorexia. A dor também é um fator que também leva o paciente a recusar o alimento, desta forma a intervenção médica se faz necessária, com uso de drogas específicas.

Alguns subterfúgios, como os elencados abaixo, poderão contribuir para melhora da aceitação alimentar:
· A ingestão de uma bebida alcoólica 30 minutos antes da refeição (para estimular o apetite);
· Alteração na consistência da dieta (utilizar alimentos líquidos ou pastosos);
· Seguir a preferência do paciente (geralmente o paladar é melhor para doces);
· Não obriga-lo a comer, mas sim, oferecer alimentação de forma fracionada;
· Uso de suplementos alimentares em pó como forma de enriquecer pequenas porções de alimentos;
· Fazer com que o paciente escolha aquilo que deseja ingerir;
· Chupar pequenas pedras de gelo para melhorar a xerostomia melhorando assim a aceitação do alimento;
· Fazer bochechos com chá de Camomila antes das refeições para diminuir a sensação de amargor na boca, provocada pelos medicamentos;
· Melhora dos quadros de dispepsia através de antiácidos e antiflatulentes;
· Uso de antieméticos no caso de náuseas e vômitos;
· Uso de laxantes em quadro de obstipação;
· Administração de estimulantes de apetite
· Atenção aos utensílios, utilizar pratos pequenos (tipo de sobremesa) para servir as refeições;
· Incentivar o paciente a sentar-se à mesa junto com a família, pois o convívio social é muito importante neste momento.

Mas quando o paciente encontra-se inconsciente, apático ou muito sonolento, a opção de utilizar uma sonda enteral, deve ser conversada com a família, e caso a opção seja positiva, iniciar a alimentação com pequenos volumes, sem a pretensão de restabelecer o estado nutricional do doente, pois nesta fase não é o objetivo principal da nutrição, mas sim manter o trofismo intestinal e um aporte calórico basal.

Referências:

Dutra de Oliveira, I.E., Marchini, J.S.;Ciências nutricionais. ed. Sarvier, São Paulo, 1998.

Escott-Stump, S., Mahan, L.K. Alimentos, nutrição e dietoterapia. Ed.Roca, 9°de, São Paulo, 1998.

Frank, A.A, Soares, E.A. Nutrição no envelhecer. Ed. Atheneu, São Paulo, 2004.

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Terminalidade - Parte 10. Úlcera de pressão e nutrição
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11
Abr

 Terminalidade - Parte 6. Atendimento domiciliar

Categoria(s): Sociologia, Tanatologia

Tanatologia

Cuidados paliativos

Colaborador: Antonio Cesar Antoniazzi *

* Médico e pós-graduando do curso Saúde e Medicina Geriátrica da Metrocamp

ASPECTOS FAMILIARES E ATENDIMENTO DOMICILIAR

Para os familiares e amigos de um ente querido gravemente enfermo, enfrentar os problemas de saúde deste não é tarefa fácil, como não o é para o doente. As incertezas, o medo do desconhecido rodam suas mentes. A angústia da dor e sofrimento afloram a todo momento.

Internações hospitalares nos momentos mais críticos ocorrem com certa freqüência, onde o paciente com o auxílio da retaguarda hospitalar pode amenizar seu sofrimento, contando com a atenção de seu médico e equipe de saúde.

Passado este período, o local ideal para o paciente é a sua casa, seu ambiente em que viveu até o momento. Lá estará junto aos seus familiares, seus amigos, podendo manter o pouco de autonomia que lhe resta.

Neste fase da doença, é importante o acompanhamento domiciliar pela equipe interdisciplinar de saúde. Ela irá oferecer a todos o suporte técnico, físico, psíquico e espiritual adequado. Ajudará a enfrentar os problemas que surgirão e qual o melhor meio de solucioná-los.

É o cuidar quando o curar não é mais possível. Propiciar que as questões familiares pendentes possam ser resolvidas, os conflitos pessoais superados. É o preparar-se para a separação das vidas e o processo de luto.

É manter a dignidade da vida até o momento do óbito.

É estimular a gratidão entre o doente e seus familiares e amigos, onde no instante final, olhando-se mutuamente possam dizer:

Obrigado, desculpe, eu te amo, adeus.

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Papel do suporte familiar ao idoso
Humanizando os atendimentos hospitalares
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11
Abr

 Poemas de Silvia Trevisani - Uma rua quase nua

Categoria(s): Contos e Poemas

Emoção

Colaboradora: Silvia Cristina Martins Trevisani *

* Poetisa Paulista

UMA RUA QUASE NUA

Quem passa naquela rua?
Uma rua qualquer inocente…
Como tantas que há pela vida
Como tantas na vida da gente.

Uma rua triste, com calçadas…
Banhadas de suor e lágrimas.
Uma rua escura e sem lua,
Sem sonhos, quase nua.

As luzes iluminam a rua,
Estreita, longa e desconsolada.
Carece do brilho da lua,
Quando anoitece despovoada.

O sol divide, com a rua inundada,
Seus raios escaldantes, secando o chão!
Mas a rua, despreparada, toda encantada…
Adormece calada de emoção…

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10
Abr

 Terminalidade - Parte 5. Curar e cuidar

Categoria(s): Tanatologia

 Tanatologia

Cuidados paliativos

Colaborador: Antonio Cesar Antoniazzi *

* Médico e pós-graduando do curso Saúde e Medicina Geriátrica da Metrocamp

PARADIGMAS HOSPITALARES E MÉDICOS DO CURAR E CUIDAR

No hospital, lugar de esperança e de vontade tanto quanto de trabalho e de sofrimento, estão em jogo o corpo da vida e o espírito da vida. Mais do que nunca o hospital atual deve constituir o anel que reconstitui o ser humano na sua integridade vacilante… Uma ética de cuidados cidadãos exige o esforço de uma difícil reconstrução dos comportamentos como dos valores e das necessidades: verdadeira revolução tanto dos princípios quanto das práticas (Hirsch, 1997).

Um profundo dilema enfrentado pelas instituições hospitalares se deve ao aperfeiçoamento tecnológico onde se opõe a economia de mercado, onde o lucro é o objetivo normal, e o mundo da caridade, do serviço por vezes voluntário e da generosidade altruísta. A manutenção da saúde custa cada vez mais, e a população cada vez mais exigente e informada procura beneficiar-se sem demora dos últimos recursos anunciados, nem sempre de comprovada eficácia.

Ações de saúde hoje são sempre mais marcadas pelo “paradigma da curaâ€, direcionadas aos cuidados críticos e da medicina de alta tecnologia. A existência cada vez mais numerosa das UTIs nos hospitais mostram essa realidade. A presença da tecnologia no ambiente hospitalar é um fato necessário na medicina moderna, mas não se pode deixar que esta tecnologia deixe de lado práticas humanistas.

O paradigma de curar torna-se facilmente refém da tecnologia médica atual. Havendo algo a ser feito, deve ser feito, e isto alimenta a tendência de usar o poder da medicina para prolongar a vida em condições inaceitáveis. Acredita-se que a inabilidade para curar ou evitar a morte é uma falha da medicina e hospital modernos.

Os cuidados de saúde, sob o paradigma do cuidar, aceitam a o declínio da saúde e a morte como parte da condição humana, sendo criaturas mortais, finitas. A medicina não pode afastar a morte indefinidamente, ela finalmente acaba por chegar e vencer. Surge assim a obrigação moral de interromper o que é medicamente inútil e intensificar os esforços no sentido de amenizar o desconforto de morrer. A medicina focada no alívio do sofrimento estará mais preocupada com a pessoa doente do que com a doença da pessoa.

Trata-se de uma resposta que tem por objetivo afirmar nosso compromisso com o bem estar da pessoa doente, a determinação em estar junto na sua dor e sofrimento, e o desejo de fazer o que estiver ao nosso alcance para aliviar essa situação. O cuidado deve sempre ter prioridade sobre a cura pois nunca existe uma certeza absoluta de que as doenças possam ser curadas, ou de que a morte possa ser evitada. As vitórias sobre a doença e a morte são sempre temporárias, mas a necessidade de apoio e cuidados diante delas são sempre permanentes (Callahan, 1990)

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09
Abr

 Terminalidade - Parte 4. Cuidados paliativos

Categoria(s): Tanatologia

Tanatologia

Cuidados paliativos

Colaborador: Antonio Cesar Antoniazzi *

* Médico e pós-graduando do curso Saúde e Medicina Geriátrica da Metrocamp

 Cuidados paliativos

Os cuidados paliativos não são uma alternativa de tratamento, e sim uma parte complementar e vital de todo o acompanhamento do paciente.

“Em alguns aspectos, os avanços científicos e médicos deste século, facilitaram o viver e complicaram o morrer†(Approaching Death – The Institute of Medicine – 1997).

Esta realidade acontece em nossos hospitais, onde se tem o conceito de instituições onde a manutenção da “vida†a todo custo deve ser obtida até o último momento, investindo todos os recursos tecnológicos e terapêuticos, mesmo frente a um paciente sem condições de recuperação. A morte tem que ser adiada, pois representa o fracasso de todo o processo terapêutico e da tecnologia hospitalar.

Segundo dados estatísticos, das 56 milhões das mortes anuais mundiais, 33 milhões necessitavam de cuidados paliativos (WHO-World Health Report – 2003). Além disto, com o envelhecimento da população, estimado em 1/3 nos próximos 50 anos, sendo que será maior nos países em desenvolvimento, e que 80% serão de idosos, urge repensar e valorizar o conceito dos cuidados paliativos.

Nos EUA, o custo do doente no último mês de vida equivale a 40% dos gastos com a doença, e 1/3 dos pacientes terminais com cobertura de plano de saúde gastam quase toda sua economia pagando aquilo que a cobertura do plano não cobre (J. Hopkins Institute – USA). Vemos o grande custo da medicina atual, onde cada nova terapia, novos exames, novas tecnologias encarecem assustadoramente o tratamento da doença.
A questão não é não fazer, mas fazer o indicado para aquele momento, para aquele paciente, para aquela família, nem mais, nem menos. É preservar a vida, conquistar a morte digna. Não confundir com a eutanásia, onde se abrevia a vida para evitar a dor e sofrimento. Visamos a ortotanásia, onde a dignidade da pessoa humana é preservada, sua história, sua família, favorecendo que a morte aconteça no momento certo, com conforto e alívio do sofrimento.

Nos pacientes com doenças avançadas, crônica evolutivas e terminais, a necessidade de aumento de atenção a eles se faz necessário. Podemos lançar mão do tratamento ativo-curativo quando, prevemos a possibilidade de cura, podemos erradicar a doença, mesmo sabendo que a agressividade ou toxidade da terapia seja severa, e aceita-se comprometer a qualidade de vida temporariamente. Quando não vislumbramos mais a possibilidade de cura, procuramos o tratamento ativo-paliativo, onde se tem por finalidade o controle da doença e dos sintomas indesejáveis, mesmo com uma toxidade terapêutica leve a moderada, mas visando melhorar o conforto do paciente e sua qualidade de vida.
 
Os profissionais da saúde, perante este quadro, não podem e nem devem trabalhar isolados. Trata-se de uma imensa responsabilidade, onde o destino de um ser humano e sua família está em jogo. É importantíssimo que se trabalhe em equipe profissional interdisciplinar, onde todos interajam e conversem entre si, visando o melhor cuidado ao paciente e familiares.

Os cuidados paliativos, portanto, utilizam uma abordagem em equipe para identificar as necessidades dos pacientes e suas famílias, inclusive preparando para o luto, quando necessário. Visam a qualidade de vida de todos, pacientes, familiares e inclusive da equipe de saúde, podendo até influenciar positivamente no curso da doença.

QUANDO INICIAR OS CUIDADOS PALIATIVOS

“São aplicáveis o mais cedo possível no curso da doença, em conjunto com outros tratamentos que tentam prolongar a vida, tais como quimioterapia, radioterapia, e incluem aqueles estudos necessários para compreender e manejar melhor as complicações clínicas que provocam o sofrimento†(OMS – Genebra 2002).

Os pacientes suscetíveis aos cuidados paliativos são aqueles acometidos de:

1-Doenças oncológicas, progressivas ou avançadas com pequena ou nula possibilidade de resposta ao tratamento, com prognóstico de vida limitada;

2-AIDS, com patologias associadas em progressão, com esperança de vida menor que 6 meses;

3-Doenças crônicas como, IRC terminal, DPOC, IC descartada possibilidade cirúrgica, Hepatopatia crônica, distúrbios neurológicos irreversíveis;

4-Idosos com pluripatologias e grande limitação funcional;

5-Crianças com patologias oncológicas não controladas e/ou congênitas incapacitantes.

Os cuidados paliativos no princípio eram iniciados quando as condutas curativas não mais surtiam resultados e não se tinham mais recursos terapêuticos viáveis. Assim, o paciente moribundo era deixado à própria sorte, tentando os cuidados paliativos amenizar o sofrimento. Era um tratamento tardio, onde quase nada podia ser feito.

Com a evolução dos conhecimentos e humanização na saúde, os cuidados paliativos foram adquirindo espaço, e atualmente recomenda-se que seja iniciado no momento do diagnóstico da doença de prognóstico sombrio, juntamente com o tratamento curativo específico.

Toda enfermidade tem sua fase evolutiva, onde feito o diagnóstico, inicia-se o tratamento curativo, específico, com esperança de cura. Passado este período, com o avanço da doença, entramos na fase seguinte, onde tratamentos não específicos são realizados, com esperança de contensão ou remissão. Nada surtindo o efeito desejado, passamos para a fase terminal. Os cuidados paliativos tornam-se essenciais devido a necessidade do cuidar do paciente e de sua família e no preparo para o luto.

Veja mais sobre cuidados paliativos

Referências:

Figueiredo MTA – Educação em cuidados paliativos: uma experiência brasileira. O Mundo da Saúde, São Paulo, v.27, n1. p165-170. jan/mar. 2003.

Caponero, R. Muito além da cura de uma doença, profissionais lutam para humanizar o sofrimento humano. Prática Hospitalar, São Paulo, n.21, p. 29-34, mai-jun, 2002.

http//www.medicinaintensiva.com.br/eutanásia1.htm

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Terminalidade - Parte 6. Atendimento domiciliar
Terminalidade - Parte 5. Curar e cuidar
Terminalidade - Parte 7. Cuidados nutricionais
Terminalidade - Parte 8. Cuidando da Obstipação intestinal
Terminalidade - Parte 2. Definindo a morte
Terminalidade - Parte 10. Úlcera de pressão e nutrição

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