30 - abr
  

Doença de Alzheimer – Cuidados de Enfermagem. Parte 3

Categoria(s): Enfermagem, Gerontologia




Resenha

Colaboradora: Larissa Franceschetti Lopes Cunha *

* Enfermeira e pós-graduanda do curso Saúde e Medicina Geriátrica da Metrocamp

Cuidados de Enfermagem na Doença de Alzheimer

Cuidar de uma pessoa portadora de DA pode ser difícil em alguns momentos. Requer principalmente amor, solidariedade e tudo que estas duas palavras englobam: paciência, dedicação e, sobretudo, uma assistência que merece a divisão de tarefas entre os familiares, visto que os cuidados exigem atenção diuturna, gerando grande desgaste físico e emocional para aqueles que lidam diretamente com o portador.

Cuidar de uma pessoa portadora de DA pode ser difícil em alguns momentos. Requer principalmente amor, solidariedade e tudo que estas duas palavras englobam: paciência, dedicação e, sobretudo, uma assistência que merece a divisão de tarefas entre os familiares, visto que os cuidados exigem atenção diuturna, gerando grande desgaste físico e emocional para aqueles que lidam diretamente com o portador.

Para facilitar no cuidado de enfermagem é necessário estabelecer algumas rotinas para o portador da DA, tais como:
• Estabeleça rotinas, mas mantenha a normalidade: uma rotina pode facilitar as atividades que você deverá fazer e, ao mesmo tempo, estruturar um novo sistema de vida. A rotina pode representar segurança para o portador; porém, embora ela possa ajudar, é importante manter a normalidade da vida familiar; procure tratar o portador da mesma forma como o tratava antes da doença;
• Incentive a independência: é necessário que o portador receba estímulos à sua independência. Faça com ele e não por ele, respeite e preserve sua capacidade atual de realizar atividades de vida diária. Supervisione, auxilie e faça por ele apenas quando não houver nenhuma capacidade para execução de determinada tarefa. Isto o ajudará a manter a auto-estima, o respeito próprio e, conseqüentemente, diminuirá a ansiedade do familiar;
• Ajude o portador a manter sua dignidade: lembre-se que a pessoa de quem você cuida é ainda um indivíduo com sentimentos. O que você ou outros familiares fazem ou falam em sua presença pode perturbá-lo. Evite discutir sobre as condições do portador na sua presença;
• Evite confrontos: qualquer tipo de conflito pode causar estresse desnecessário em você e/ou no portador. Evite chamar atenção e mantenha a calma de maneira que a situação não piore. Lembre-se que por mais que pareça proposital, é a doença que ocasiona momentos de agitação, agressividade, etc. NÃO é culpa do portador. Tente identificar qual ou quais fatores podem ser responsáveis pela alteração apresentada e, a partir daí, trabalhe para eliminá-los;
• Faça perguntas simples: mantenha uma conversa simples, sem incluir vários pensamentos, idéias ou escolhas; as perguntas devem possibilitar respostas como “sim” ou “não”; perguntar “você quer laranja?” é melhor do que “que fruta você gostaria de comer?”.
• Mantenha seu senso de humor: procure rir com (e não rir do) o portador de DA. Algumas situações podem parecer engraçadas para você, mas não são para ele. Mantenha um humor saudável e respeitoso, ele ajuda a diminuir o estresse.
• Torne a casa segura: a dificuldade motora e a perda de memória podem aumentar a possibilidade de quedas. Por isso, você deve trazer o máximo de segurança para sua casa: verifique tapetes, mesas de centro, móveis com quina, objetos de decoração, escadas, banheiras, janelas, piscinas.
• Encoraje o exercício e a saúde física: em alguns casos, o exercício físico pode colaborar para que o portador mantenha suas habilidades físicas e mentais por um tempo maior. O exercício apropriado depende da condição de cada pessoa. Consulte o médico para melhores informações.
• Ajude a manter as habilidades pessoais: algumas atividades podem incentivar a dignidade e o respeito próprio, dando propósito e significado à vida. Uma pessoa que antes foi uma dona de casa, um motorista, um professor ou um executivo pode ter maior satisfação usando algumas das habilidades relacionadas ao seu serviço anterior. Lembre-se, entretanto, que a DA é progressiva e os gostos ou habilidades das pessoas acometidas pela doença fatalmente mudarão com o tempo. Conhecer estes detalhes exigirá de você, familiar/cuidador, maior observação para que, dessa forma, seja possível um planejamento de atividades compatíveis com o grau de dependência apresentado pelo portador.
• Mantenha a comunicação: com o avanço da doença, a comunicação entre você e o portador pode tornar-se mais difícil. As seguintes dicas poderão ajudá-lo:
- tenha certeza de que a atenção do portador não está sendo prejudicada por outrosfatores;
- fale clara e pausadamente, frente a frente e olhando nos seus olhos;
- demonstre amor através do contato físico;
- preste atenção na linguagem corporal – pessoas que perdem a comunicação verbal, comunicam-se muito com os gestos;
- procure identificar as lembranças ou palavras-chave que podem ajudá-lo a comunicar-se efetivamente com o portador.
• Use artifícios de memória: para alguns portadores, o uso de artifícios de memória pode ajudá-lo a lembrar de ações cotidianas e prevenir confusões como, por exemplo: mostre fotografias dos familiares com seus nomes para ajudá-lo a reconhecer quem é quem no ambiente familiar, coloque placas indicativas nas portas identificando o quarto, o banheiro, etc. Lembre-se, porém, que com o avançar da doença estes artifícios não mais terão o resultado esperado.

Referências:

Marzide MHP. A política nacional de atenção ao idoso e a capacitação dos profissionais de enfermagem. Rev Latinoam Enfermagem [periódico na internet]. 2003 Nov- Dez Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-11692003000600001&1

Netto MP. Gerontologia- a velhice e o envelhecimento em visão globalizada.São Paulo: Atheneu;2000. p.146-59, 181-4, 343-4.

Nitrini R. & Caramelli P (2003) Demências. In: Nitrini, L.E. Bacheschi (orgs). A neurologia que todo médico deve saber. São Paulo: Editora Atheneu (pp. 323-334).

Papaléo Netto M, Carvalho Filho ET, Salles RFN. Fisiologia do envelhecimento. In: Carvalho Filho ET, Papaléo Netto M, editores. Geriatria: fundamentos, clínica e terapêutica. 2. ed. São Paulo: Atheneu; 2005. p. 43-62.

Paula JAM, Diogo MJD. Avaliação da capacidade funcional motora em idosos atendidos em ambulatório de hospital universitário: análise comparativa de dois instrumentos. Rev Panam Salud Publica. 2007.
Rosa ALCS, Amendoeira MCR, Cavalcanti MT. Relações entre gênero e cuidados com o idoso demenciado. Disponível em: http://www.aperj.com.br/rev3_mat5.htm

Tags: , ,




Comentário integrado ao Facebook:


12 Comentários »

  1. marli comenta:

    25 junho, 2008 @ 10:18 PM

    tenho um cunhado que está com DA, e achei relevante essas dicas de cuidados com o portador dessa doença..obrigada

  2. Tayná comenta:

    8 julho, 2008 @ 2:41 PM

    Muito bom este artigo!
    muito útil pra quem tem parente com DA. Numa linguagem bem fácil de ser compreendida, vai ajudar bastante. Sem contar que também me ajudou numa pesquisa que tinha pra fazer sobre os cuidados.
    Obrigada e parabéns!

  3. Allana comenta:

    4 agosto, 2008 @ 2:51 PM

    Adorei o artigo.
    Está numa linguagem bem clara.
    Aliás me ajudou bastante na minha pesquisa sobre a assistência de enfermagem ao idoso portador de DA.
    Espero que continue sendo lido, e útil as pessoas com interesse em saber mais sobre essa patologia.

    Obrigada e parabéns.

  4. Roseli comenta:

    17 agosto, 2008 @ 4:01 PM

    Gostei muito da matéria, foi muito útil para minha pesquisa, como utilizar a linguagem com doentes mentais, espero que continue a publicação das novidades que surgirem em relação a assistência de enfermagem.
    Obrigada e parabéns.

  5. rafaela comenta:

    24 fevereiro, 2009 @ 8:04 PM

    sou cuidadora de uma senhora com DA e estas dicas me auxiliaram muito.obrigada!!!!!!!!

  6. tatiana comenta:

    21 outubro, 2009 @ 8:31 AM

    muito bom me esclareceu muito sou estudante de enfermagem muito obrigada!!!!!!!!!!!

  7. Rafaela comenta:

    4 março, 2010 @ 12:38 PM

    Adorei esse artigo parabéns….

  8. MARCELO comenta:

    13 novembro, 2010 @ 4:57 PM

    GOSTEI DO ARTIGO TEM LINGUAGEM CLARA E PRATICA
    ACABOU POR ESCLARECER DUVIDAS E ENRUIQUECEU MEU TRABALHO ACADEMICO
    UM FORTE ABRAÇO

    MARCELO CURITIBA-PARANA

  9. Cidinha busca ajuda comenta:

    26 dezembro, 2010 @ 9:08 PM

    Estou muito preocupada, minha mae esta c D.A e anda a noite toda indo ao banheiro. Nao adianta falar p nao ir, nao existe mais negociaçao com ela. O que fazer? Voces podem me ajudar? Por favor quero trocar experiencia…. Desde ja obrigada.

  10. Dionete comenta:

    2 março, 2011 @ 3:30 PM

    sou cuidadora de um sr com DA, e estas dicas me ajudaram muito, aguardo mais dicas.

  11. Arlete Norte comenta:

    30 abril, 2011 @ 3:38 PM

    Adorei a matéria, foi de grande valía! Obrigada..

  12. izael de oliveira comenta:

    29 novembro, 2012 @ 6:11 PM

    obrigado adorei esse artigo.academico de enfermagem.

Deixe seu comentário aqui !