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Abr
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O idoso e o Programa da Saúde da Família - Parte 1.
Categoria(s): Gerontologia, Programa de saúde, Sociologia |
Painel
Colaboradora : Sultania Fátima Costa *
* Agente comunitária e pós-graduanda do curso de Gerontologia da Metrocamp
O Programa da Saúde da Família, foi implantado em vários municípios do Brasil, a partir de 1994, e vem sendo reorganização da Atuação Primária ou Básica na saúde, na bagagem um conjunto rico de experiências e agora consubstanciado com a integração entre os vários profissionais e a prática, para dar uma maior contribuição na qualidade de vida e na promoção a saúde das populações mais carentes, como parte do processo de desenvolvimento dos SUS.
Segundo a Portaria GM/MS No. 1886, de 18 de dezembro de 1997 que estabelecem as atribuições do ACS, e o Decreto Federal No. 1389, de 04 de outubro de 1999 descrevem “um perfil profissional que concentra atividades na promoção da saúde, seja pela prevenção de doenças, seja pela mobilização de recursos e práticas sociais de promoção da vida e cidadania ou mesmo pela orientação de indivíduos, grupos e populações com características de educação popular em saúde, acompanhamento de famílias e apoio socioeducativo”. As Políticas de Saúde, segundo esta Portaria, estão voltadas para atender as necessidades emergentes das varias classes sociais, gênero e nas diversas faixas etária.
O Agente Comunitário de Saúde tem um papel muito importante na equipe ao interagir direto com a comunidade e o Serviço Público. Promove o desenvolvimento social, a identificação da realidade sociocultural e sanitária da população, uma interação na promoção da saúde e na qualidade de vida dos sujeitos na área de abrangência da Unidade Básica de Saúde.
O ACS é responsável pela mediação entre os diferentes, na promoção a saúde e na qualidade de vida na sociedade. Como é proposto pelo Ministério da Saúde “o ACS tenha um papel de mediador social através de ações na construção de vínculos e relações. Estreitar laços entre a comunidade, as pessoas e a família com os serviços. As ações na área de abrangência do agente, na comunidade e nos domicílios tragam para dentro da Unidade um saber diferenciado: do território, os sujeitos e instituições que nele existem e assim os fatores que geram doenças e seus potenciais e também os sujeitos e as redes geradoras de saúde” (Atribuições, p.1, 2004).
Sendo um trabalho em equipe multiprofissional é de grande importância no processo do Programa de Saúde da Família — PSF, por que visa uma abordagem mais integral e resolutiva aos usuários do Sistema Único de Saúde — SUS. Assim, o ACS em suas atividades deve visitar com regularidade as residências mantendo um olhar mais atento para possíveis problemas ou dificuldades da família, principalmente quando há criança e/ou idoso. De maneira geral, o agente deve observar todos os moradores, desde crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos.
Deve-se manter um olhar diferenciado em atenção às crianças, pois elas têm várias peculiaridades tais como: a higiene pessoal e residencial deve ser observada se o lugar em que elas ficam é arejado, se tem presença de adulto; ver se está atualizado a carteira de vacinação, a sua alimentação, se está indo para a escola, sua relação com os amigos e família, como é visto e cuidado por todos da família. Toda esta atenção será discutida na reunião com os outros integrantes da equipe, elaborado um projeto e posto em prática sempre respeitando o usuário em suas necessidades.
Com os adolescentes, uma abordagem clara sobre a sua saúde, a importância de estudar e trabalhar. Com o jovem, a importância de cuidar da saúde, da relação com os familiares e sobre seus estudos incentivar a completar o ensino médio e/ou cursar um técnico.
O adulto uma atenção especial às suas necessidades, um olhar atento ao abuso da automedicação; ao consumo de bebida alcoólica; orientação da importância de uma alimentação balanceada como o consumo de verduras, frutas e a redução de gordura.
Para entendermos melhor a promoção da saúde, vamos nos orientar segundo a Carta de Ottawa (1986), neste documento, é o processo de capacitação da comunidade para atuar, desenvolver e participar na melhoria da qualidade de vida dos seus integrantes. E assim, atingir um estado de completo bem estar físico, mental e social e para que isso aconteça os participantes devem identificar aspirações, satisfazer necessidades e modificar favoravelmente o meio ambiente. A promoção à saúde, não é responsabilidade exclusiva da saúde, é um bem estar global. “Para exemplificar: um ambiente mais limpo e desfrutável, a ajuda recíproca na qual cada um cuida de si própria, do outro, da comunidade e também do meio ambiente, focaliza as necessidades globais do indivíduo”. É por esta ótica o trabalho e atuação do Agente com a comunidade, facilitar e desenvolver a interação com o setor público, ele é um elo.
Como é objetivo dos ACS trabalhar a qualidade de vida, temos segundo a professora Neri (2005 p.163), o conceito qualidade de vida vem a ser “um evento de múltiplas dimensões e é multideterminado, diz respeito ao indivíduo em diferentes momentos. Com diversos critérios para a avaliação é fundamental comparar as condições disponíveis com as desejáveis. O resultado vem a ser um índice de desenvolvimento, bem-estar, desejabilidade, prazer ou satisfação”. Ainda segundo a autora, a avaliação é afetada por valores e expectativas individuais e coletivas apresentando indicadores subjetivos tais como saúde percebida, satisfação com a vida e perspectiva de futuro.
Referências:
Neri, AL. Palavras-chave em gerontologia. Campinas, SP: Editora Alínea, (Coleção Velhice e Sociedade). 2º. Edição. 2005.
MINISTERIO DE SAÚDE, saúde da Família: uma Estratégia para a Reorientação do Modelo Assistencial. Brasília: MS. 1998.
Medida Provisória 297. Disponível em < http://www.camara.gov.br/sileg/integras/402772.pdf >.Acesso em 01 mar. 2008
Nunes, MO e cols. O agente comunitário de saúde: Construção da identidade desse personagem híbrido e polifônico. Disponível em < http://www.scielo.br/pdf/csp/v18n6/13260.pdf > Acesso em 02 mar.2008.
