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Memória do Idoso - Parte 2. Distúrbios da memória

Categoria(s): Neurogeriatria


Resenha

Colaboradora : Sandra Regina Marques Secchi

* Terapêuta Ocupacional, Pós-graduanda do Curso Saúde e Medicina Geriátrica - METROCAMP

Alterações na memória com o envelhecimento

Atualmente no Brasil, existe um aumento progressivo da população idosa. A queixa de dificuldade da memória nessa população é um dos mais freqüentes. Neste item abordaremos as alterações na memória em função do processo de envelhecimento.

Segundo Laks (1999), as queixas de memória nos idosos é um tema bastante discutido, pois deve-se diferenciar o envelhecimento normal do patológico para o diagnóstico de memória.

Nas últimas décadas, a perda de memória em indivíduos idosos sadios, pode ser visto como um período intermediário entre o envelhecimento bem sucedido sem declínio cognitivo.

Quando existe a queixa de dificuldade de memória deve-se definir, se configura um “esquecimento normal” que faz parte do envelhecimento sadio, ou ínicio de um processo demencial.

Segundo Sé (2005), do ponto de vista biológico, a memória falha quando as sinapses encarregadas de evocar um outro tipo de memória encontram-se diminuídas ou estão inibidas ou alteradas.

Existe um consenso, segundo Laks (1999), de que alguns aspectos da cognição declinam com o envelhecimento, enquanto que outros permanecem preservados. Estudos com idosos em condições ideais de saúde, submetidos anualmente a avaliação neuropsicológica, demonstram que as funções cognitivas permanecem estáveis pelo menos até a décima década.

Entretanto, este grupo de idosos saudáveis representa apenas uma pequena parcela da população, pois a presença de co-morbidades tais como hipertensão arterial, diabetes, alterações sensoriais, coronáriopatias, é comum ser encontrada no envelhecimento e tem um papel importante no declínio cognitivo e funcional.

Existem muitas causas para as alterações da memória, é importante que se investigue a causa, a história do paciente pode ajudar no detalhamento da queixa, e indicar se ocorre a falha isoladamente ou em conjunto com outras alterações cognitivas Okamoto e Bertolucci (2001).

Portanto, deve-se questionar o paciente sobre as atividades do dia-dia, como dificuldade de administrar o próprio dinheiro, em localizar-se em ambientes diferentes de sua casa.

Ainda segundo, Okamoto e Bertolucci (2001) quando se verifica alteração em muitos desses itens, faz-se necessária a avaliação mais objetiva desses déficits, por meio de um profissional da área. O profissional buscará pela história, pelo exame físico, pelos exames complementares e pelo teste neuropsicológico, subsídios para o diagnóstico correto desse idoso.

Segundo Zimerman (2000), existe um mito onde o velho introjeta a imagem de demenciado, esquecido, sem motivação, sem memória. O medo de não se lembrar vira uma certeza e ele acaba não aprendendo em função de sua insegurança, frente as situações de aprendizagens, ou seja o velho sempre diz que é tarde para aprender as coisas e que estas certamente serão esquecidas decorrentes da “ falta de memória”.

Por falta deste hábito de aprender, aos poucos eles vão deixando de usar sua memória. Ainda segundo Zimerman (2000), o idoso tem que saber que a memória é algo que vem se processando desde jovem, ou seja, os jovens que se dão bem na área de matemática tem mais facilidade em lembrar das coisas na velhice, já aqueles que têm uma auto-crítica exagerada apresentam dificuldades para memorizar. Então, é importante saber que não é só porque envelhece que necessariamente os idosos têm que se esquecer das coisas e se envergonharem disso, pois o esquecimento é algo que acontece com qualquer pessoa em qualquer idade.

Os itens abaixo, de acordo com Sé (2005), apontam as causas mais comuns das falhas de memória, a memória humana é um sistema complexo, ligado com outros sistemas mentais como atenção e inteligência e influenciada por fatores não cognitivos como emocionais e ambientais. Abaixo abordaremos alguns desses fatores.

· Fatores Cognitivos, diretamente ligados à memória: Dificuldade na codificação da informação, na armazenagem e no resgate da informação. Se um material não é fortemente codificado ele não permanece na memória.

· Fatores Cognitivos não da memória, mas da atenção: A atenção é nossa capacidade de focalizar em um determinado ponto, é o primeiro da entrada da informação no cérebro, portanto alguma dificuldade nesta função cognitiva afeta a memória. São comuns as pessoas que se queixam de memória e apresentam dificuldades na atenção. Déficits sensoriais como de atenção e visão impedem o funcionamento da atenção.

· Fatores não cognitivos emocionais: Estresse, transtornos ansiosos, depressão, entre outros, são alterações do afeto ou humor, mas que influenciam a memória. Muitos estudos indicam que pessoas deprimidas quando participam de programas de aprimoramento de memória não apresentam melhora de habilidades de memória, assim como uma pessoa não acometida por depressão. Os transtornos ansiosos, como Síndrome do Pânico, fase eufórica do Transtorno Bipolar e TOC (transtorno Obsessivo Compulsivo) alteram a atenção, deixando a pessoa hipervigil. Os déficits de vitaminas, cansaço exagerado, são fatores complicadores da memória.

· Auto – Estima: A literatura acerca da memória apresenta muitas pesquisas sobre a forte influência das crenças de auto-eficácia, ou seja, pessoas acreditam que não memorizam bem e nos testes não apresentam resultados positivos, porque não acreditam em si.

· Fatores Ambientais: Desorganização do ambiente, e muitas informações para serem armazenadas de assuntos diferentes, como as compras do supermercado, organização de uma festa, as reuniões da semana etc. Além disso, é comum os idosos apresentarem recursos de processamentos reduzidos, o que leva ao declínio de memória e a desempenho negativo em testes.

· Acidentes e lesões cerebrais: Hoje graças à plasticidade cerebral podemos desenvolver regiões cerebrais capazes de realizar a função da área cerebral lesionada.

· Excesso de bebida alcoólica e tabagismo: Afetam o Sistema Nervoso Central.

· Uso de medicamentos: Os que mais frequentemente afetam o sistema de memória são os ansiolíticos, hipnóticos de longa ação, antipsicóticos, anti-histamínicos, antiparkinsoniano, antidepressivos e mais raramente os hipertensivos.

· Doenças Degenerativas: Por muito tempo o senso comum dizia que qualquer pessoa que se esquecesse coisas principalmente na velhice ou meia idade estava “esclerosado”. Hoje sabemos que se os fatores acima forem excluídos existe a possibilidade de uma demência, mas existem as demências tratáveis e as demências não-tratáveis (Alzheimer e Multi-Infarto) e mesmo estas podem ter sua evolução retardada com medicamentos e reabilitação cognitiva. Estudos demonstram que pessoas que exercitam sua memória ao longo da vida apresentam menores prejuízos se desenvolverem Alzheimer.

É importante que se faça uma investigação precisa da causa da falha da memória, para que o idoso tenha a intervenção inicial, prevenindo assim o declínio cognitivo.


Referências:

Atkinson,RL. Introdução à psicologia . 11° ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 1995.

Ferrari,MAC.Estimulação cognitiva na terceira idade. Revista de terapia ocupacional v.8, n° 2/3, p. 62 – 66, 1997.

Izquierdo,I . Memória. Porto Alegre. Art Med, 2002.

Katz,L. C. Mantenha seu cérebro vivo: exercícios neuróbicos para ajudar a prevenir a perda da memória e aumentar a capacidade mental. Rio de Janeiro, Sextante, 2000.

Laks, J .Comprometimento de memória associado à idade. Revista Brasileira de Neurologia vol. 35, n° 1/2, 1999.

Lasca,V.;Gasparetto,EV. Exercite sua mente.São Paulo: Prestigio, 2002.

OKamoto,IH; Bertolucci P. Perda de memória no idoso, 2001. Disponível em: http://www.unifesp.br/brdpsiq/polbr/ppm/atu5_01.htm

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5 Comentários »

  1. Maria Betânia Tenório comenta:

    25 Abril, 2008 @ 23:23

    Gostaria de saber como proceder quanto ao fato de minha mãe aos 82 anos de idade lembrar de fatos há 20 ou trinta anos atrás, mas esquecer de fatos mais recentes, repetindo sempre, querendo ou formulando as mesmas perguntas como se não as tivesse feito. Como também esquecendo do agora.
    Conto a colaboraçao dos senhores.
    Cordialmente.
    Betânia

  2. Romallis Santos comenta:

    29 Maio, 2008 @ 08:10

    Minha mãe tem 83 anos. Sempre foi muito ativa, mas hoje está totalmente sedentária, porque tem labirintite e hipertensão. Ela lembra detalhes de tudo do passado, mas esquece coisas que disse ou que fez no presente. O curioso que ela lembra com detalhes de um fato que aconteceu com a vizinha, mas esquece que já contou e repete várias vezes. Percebo que seu esquecimento se refere ao que ela falou principalmente. Também não consegue ouvir o que a gente diz, não focaliza a atenção, porque está sempre pensando no que vai dizer. Gosta de falar demais. Este seria uma problema de déficit de atenção?
    Antecipadamente agradeço a atenção.
    Romallis

  3. GRAÇA comenta:

    4 Setembro, 2008 @ 08:35

    Obrigada pelo artico de informação, mas tambem gostaria de saber como proceder com um idoso de 78 anos que começa a contar um fato de atualidade e termina voltando no tempo ou inventando assunto que não aconteceu e certo interromper e brigar com o mesmo e corrigi-lo.
    Obrigada pela ateção

  4. ELIANA MARTINS comenta:

    9 Outubro, 2008 @ 19:10

    GOSTARIA DE SABER O QUE FAZER . MEU PAI TEM 84 ANOS E COMEÇOU ESQUECER ALGUMAS COISAS, PORÉM TÁ SÓ NO COMEÇO. ´O QUE FAÇO EOU DOU A ELE PARA INTERROMPER ESSE PROCESSO DE ESQUECIMENTO?
    mE FALARAM QUE CÁPISULAS DE ÓLEO DE ALHO 3 VEZES AO DIA É MUITO BOM. É VERDADE?

  5. MARCIA APARECIDA LOMBARDI MAIA comenta:

    24 Outubro, 2008 @ 12:22

    gostaria de receber indicaçao de onde posso receber orientação para fazer um curso ou assisitir uma palestra sobre pessoas que estão com “mal alzaim” , por favor.

    grata
    marcia

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