16 - abr
  

Fator de necrose tumoral e as doenças

Categoria(s): Bioquímica, Inflamação




Revisão

Colaborador : Ruy Barbosa Oliveira Neto *

* Biólogo e pós-graduando do curso Saúde e Medicina Geriátrica da Metrocamp

Introdução

O fator de necrose tumoral (TNF) é uma citocina diretamente envolvida nas reações de fase aguda nos processos de inflamações sistêmicas. Seu principal papel está relacionado à regulação e equilíbrio da ação das células imunes. Desse modo, o desequilíbrio na produção e no número de TNF disponíveis no organismo ocasiona uma série de complicações, especialmente influenciando na ocorrência de uma série de doenças humanas, como: artrite reumatóide; artrite psoriática e espondilite anquilosante; doença de Crohn; Doença de Behçet; amiloidose; sacroidose; escleroderma; poliomiosite; doença de Still do adulto e ciática severa aguda; lúpus; nefrite e artrite lúpica (Costa, 2005).

As citocinas são proteínas sintetizadas no interior de células e que, ao serem liberadas, irão interagir com seus receptores específicos, produzindo o seu efeito específico. Para Souza e Elias (2005), a síntese para a produção de citocinas é diretamente induzida pela presença de estímulos variados, que podem ser a presença de produtos bacterianos, especialmente lipopolissacarídeos, e o contato com corpos estranhos ou mutações celulares.

As citocinas estão divididas em diferentes grupos, cada qual tendo suas funções específicas, todas atuando em sinergismo ou antagonismo. Para Kraychete et al (2006) e Souza e Elias (2005), as citocinas possuem a grande capacidade de atuar não somente em células do sistema imune, mas também em diversas outras células dos demais sistemas que compõem o organismo, podendo agir, tanto próximo quando distante dos locais onde foram sintetizados.

Estas citocinas formam uma complexa rede totalmente integrada e em sintonia na busca pela proteção do organismo diante de todo o tipo de agressão. Na visão de Souza e Elias (2005) as citocinas são, na verdade, um grande grupo de proteínas, sintetizadas diante da necessidade de resposta imune natural ou específica. Esta necessidade, de acordo com Marques et al (2007) é que promoverá a formação de anticorpos e a efetiva proteção do organismo diante das infecções bacterianas, virais e demais ataques.

Corroborando com a afirmação de Galvani et al (1998), seis fatores são fundamentais e interferirão na eficiência, ou não, da atuação das citocinas nos organismos vivos. O tipo de microorganismo invasor é o fator que irá determinar a maior agressão da resposta inflamatória, sendo que, para Prieto et al (2004) os lipopolissacarídeos presentes nas estruturas celulares bacterianas são aqueles que garantem a maior capacidade de resposta.

Corroborando com a visão de Marques et al (2007) e de Marques-Deak e Sternberg (2004), diversos estudos comprovam a influência das citocinas como uma das principais causas do quadro clínico e sintomatológico de uma série de doenças e distúrbios. Para Marques-Deak e Sternberg (2004) este conjunto de mudanças recebe o nome de sickness behavior e envolve alterações ligadas a distúrbios do sono, do apetite, do comportamento sexual, memória e atividade motora. Além disso, estudos comprovam o agravamento e intensificação de sintomas depressivos e da própria ansiedade.

O TNFα é o mais importante e o mais estudado fator de necrose tumoral. Para Loyola et al (2005) sua função está diretamente ligada ao aumento da expressão de todas as citocinas pró-inflamatórias, a ativação da transcrição de fatores nucleares e, especialmente, do fator NF-kb, responsável pela sua ativação.

O TNFα também é extremamente citotóxico, aspecto verificado em diversos estudos com células cultivadas in vitro, e também causador de necrose hemorrágica em tumores in vivo. Corroborando com a visão de Prieto et al (2004) estes fatores irão depender diretamente da concentração da citocina, e da atuação em células próximas ou em outros tecidos, promovendo ativação leucocitária, aumentando a junção dos vasos e estimulando a produção de outras citocinas como as IL-1, IL-6 e IL-8, bem como o estímulo à ativação dos linfócitos T e B. Por outro lado, atuando de modo endócrino, as reações serão sistêmicas e estimularão, principalmente, as atividades de ordem hepática, produção de citocinas IL-1 e IL-6, além dos sistemas de coagulação, indução da febre e a proliferação de células hematopoiéticas, levando ao estado de caquexia.

O TNFα pode ocasionar, também, uma série de complicações, especialmente relacionados à reabsorção óssea – ocasionando diversos tipos de artropatias e artrites ou ainda, ter efeitos negativos relacionados à menor contratilidade do miocárdio, redução da perfusão tissular, relaxamento da musculatura vascular, diminuição da pressão sanguínea e aumento do risco de coagulação intravascular generalizada. Para Prieto et al (2004) estes fatores devem-se, principalmente, à produção em excessivas quantidades de TNFα e, conseqüentemente, maior liberação, em excesso, de toda a cascata inflamatória, aumentando a liberação de IL-1, IL-2 e IFNα processo este que acarreta todo um ciclo em cascata extremamente citotóxico.

A partir da descoberta do inibidor natural do TNFα os chamados agentes anti-TNF surgiram como uma grande arma auxiliar no tratamento de várias doenças, uma vez que têm a capacidade de inibir o processo inflamatório em doenças crônicas, diminuindo a morbidade e a própria sintomatologia, garantindo melhor qualidade de vida aos portadores. Corroborando com a afirmação de Costa (2005), sem dúvida os agentes anti-TNF podem ser considerados os mais eficientes tratamentos terapêuticos indicados para artropatias e artrites, sendo que o Infliximab é aquele que apresenta os resultados mais significativos e de maior confiabilidade na remissão do quadro clínico em um grande número de estudos publicados.

No entanto, há que se ressaltar que estes agentes só devem ser usados em estágios avançados das doenças. Na visão de Loyola et al (2005), embora tenham um promissor papel no combate às doenças mediadas pelo TNFα mais estudos principalmente a longo prazo são necessários, especialmente porque estas drogas são anticorpos monoclonais de origem animal, podendo induzir à formação de anticorpos específicos que atuem contra a própria ação destes agentes.

Lipopolissacarídeos bacterianos – LPS -são produtos da parede celular das bactérias intestinais Gram-negativas que podem atravessar a barreira intestinal e ocasionar aumento da produção de citocinas pró-inflamatórias, causando processos inflamatórios intestinais.

A molécula de LPS é composta por um lipídio A, um grupo de oligossacarídeos e uma cadeia de polissacarídeos que funciona omo um antígeno específico da bactéria.

 

Referências:

Costa, M.R.P. Fator de necrose tumoral: um novo paradigma. Revista Médica Hospital Ana Costa, 10(4), Out./Dez. 2005.[on line]

Galvani, A.L.S.; Krebs, V.L.J.; Vaz, F.A.C. Características bioquímicas e propriedades dos mediadores humorais nas infecções bacterianas, 1998. [on line]

Kraychete, D.C.; Calasans, M.T.A.; Valente, C.M.L. Citocinas pró-inflamatórias e dor. Revista Brasileira de Reumatologia, v.46, n.3, p.199-206, mai/jun.2006.

Loyola, A.J.C.; Castro, L.C.M.; Chaibud, S.C.W.; Ximenes, A.C. Infliximab no tratamento da artrite psoriásica grave. An Bras Dermatol., v.80, n.5, p.535-537, 2005.

Marques, A.H.; Cizza, G.; Sternberg, E. Interações imunocerebrais e implicações nos transtornos psiquiátricos. Revista Brasileira de Psiquiatria, v.29, supl.1, p.27-32, 2007.

Marques-Deak, A.; Sternberg, E. Psiconeuroimunologia – a relação entre o sistema nervoso central e o sistema imunológico. Revista Brasileira de Psiquiatria, v.26, n.3, p.143-144, 2004.

Prieto, A.; Jondee, M.; Muñhoz, L.; Perucha, E.; Alvarez-Mon, M. Citocinas. Servicio de Enfermedades Del Sistema Inmune y Oncologia. Hospital Universitario Príncipe de Asturias, Universidad de Alcalá, Chile, 2004. [on line]

Souza, M.H.L.; Elias, D.O. As citoquinas e o sistema de defesa do organismo. Programa de Educação Continuada. Centro de Estudos Alfa Rio, 2005.  [on line]

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3 Comentários »

  1. Dorival Suzigan comenta:

    16 janeiro, 2009 @ 1:34 AM

    Um de meus 4 filhos, hoje com 30 anos, está passando por uma enfermidadade que os médicos dizem que é DOENÇA DE STILL, gostaria de saber se existe um remédio novo que possa ajudá-lo……por favor ajude um PAI que tanto AMA os seus FILHOS.
    Minha esposa já sofre a muito tempo com ( FIBROMIALGIA ), gostaria de saber se existe um remédio ou tratamento para aliviar sua dor.Tenho que falar sobre o ZUMBIDO que tenho a mais de 25 anos nos ouvidos, já fiz de tudo, gostaria de saber se existe um estudo novo, porque até hoje vivo a beira da loucura…tomo 02 comprimidos de Lexotan 6mg /dia a mais de 20 anos.
    Com que li acima sobre a descoberta do Inibidor Natural do TNFa, os chamados de agentes Anti-TNF, fiquei mas aminado……….PARABÉNS….. FIQUEM COM DEUS.

  2. Poliane Soares comenta:

    29 junho, 2009 @ 7:04 PM

    Meu marido tem 32anos e sofre de hipogamaglobulinemia comum variável e artrite reumatóide,
    ele está sofrendo muito com a artrite faz dois anos, já utilizou metrotexate e neflunomida mas não resolveu nada e a doença continua evoluindo. Esse anti TNF parece ser muito bom, quais são os riscos? Esse medicamento é via oral ou venoso?Qual seria o melhor hospital ou médico para utilizar esse medicamento? Por favor respondam estamos precisando de ajuda. Obrigada.

  3. nilton pedro sales comenta:

    20 outubro, 2010 @ 2:09 PM

    Srs. boa tarde.
    Tenho psoríase desde a juventude, hoje estou com 39 anos e há algum tempo estive sofrendo com dores nas articulações.
    Sofri muito com essas dores nas articulações até descobrir que se trata de uma nova doença provocada pela psoríase, a Artrite Psoriática.
    Essa descoberta foi graças a minha médica Reumatologista, que inicialmente me tratou com antiinflamatórios e com Metotrexato.
    Agora vem a melhor notícia: Tomei uma primeira dose do medicamento biológico Enbrel (Etanercept) e não sinto nenhuma dor nas articulações. A psoríase melhorou visivelmente em 1 semana.
    Vou para a 2.a dose amanhã, desse medicamento que em mim “operou um milagre”.
    Fale com o seu médico sobre ENBREL (Etanercept).

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