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Abr
09
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Terminalidade - Parte 4. Cuidados paliativos
Categoria(s): Tanatologia |
Tanatologia
Cuidados paliativos
Colaborador: Antonio Cesar Antoniazzi *
* Médico e pós-graduando do curso Saúde e Medicina Geriátrica da Metrocamp
Os cuidados paliativos não são uma alternativa de tratamento, e sim uma parte complementar e vital de todo o acompanhamento do paciente.
“Em alguns aspectos, os avanços científicos e médicos deste século, facilitaram o viver e complicaram o morrer” (Approaching Death – The Institute of Medicine – 1997).
Esta realidade acontece em nossos hospitais, onde se tem o conceito de instituições onde a manutenção da “vida” a todo custo deve ser obtida até o último momento, investindo todos os recursos tecnológicos e terapêuticos, mesmo frente a um paciente sem condições de recuperação. A morte tem que ser adiada, pois representa o fracasso de todo o processo terapêutico e da tecnologia hospitalar.
Segundo dados estatísticos, das 56 milhões das mortes anuais mundiais, 33 milhões necessitavam de cuidados paliativos (WHO-World Health Report – 2003). Além disto, com o envelhecimento da população, estimado em 1/3 nos próximos 50 anos, sendo que será maior nos países em desenvolvimento, e que 80% serão de idosos, urge repensar e valorizar o conceito dos cuidados paliativos.
Nos EUA, o custo do doente no último mês de vida equivale a 40% dos gastos com a doença, e 1/3 dos pacientes terminais com cobertura de plano de saúde gastam quase toda sua economia pagando aquilo que a cobertura do plano não cobre (J. Hopkins Institute – USA). Vemos o grande custo da medicina atual, onde cada nova terapia, novos exames, novas tecnologias encarecem assustadoramente o tratamento da doença.
A questão não é não fazer, mas fazer o indicado para aquele momento, para aquele paciente, para aquela família, nem mais, nem menos. É preservar a vida, conquistar a morte digna. Não confundir com a eutanásia, onde se abrevia a vida para evitar a dor e sofrimento. Visamos a ortotanásia, onde a dignidade da pessoa humana é preservada, sua história, sua família, favorecendo que a morte aconteça no momento certo, com conforto e alívio do sofrimento.
Nos pacientes com doenças avançadas, crônica evolutivas e terminais, a necessidade de aumento de atenção a eles se faz necessário. Podemos lançar mão do tratamento ativo-curativo quando, prevemos a possibilidade de cura, podemos erradicar a doença, mesmo sabendo que a agressividade ou toxidade da terapia seja severa, e aceita-se comprometer a qualidade de vida temporariamente. Quando não vislumbramos mais a possibilidade de cura, procuramos o tratamento ativo-paliativo, onde se tem por finalidade o controle da doença e dos sintomas indesejáveis, mesmo com uma toxidade terapêutica leve a moderada, mas visando melhorar o conforto do paciente e sua qualidade de vida.
Os profissionais da saúde, perante este quadro, não podem e nem devem trabalhar isolados. Trata-se de uma imensa responsabilidade, onde o destino de um ser humano e sua família está em jogo. É importantíssimo que se trabalhe em equipe profissional interdisciplinar, onde todos interajam e conversem entre si, visando o melhor cuidado ao paciente e familiares.
Os cuidados paliativos, portanto, utilizam uma abordagem em equipe para identificar as necessidades dos pacientes e suas famílias, inclusive preparando para o luto, quando necessário. Visam a qualidade de vida de todos, pacientes, familiares e inclusive da equipe de saúde, podendo até influenciar positivamente no curso da doença.
QUANDO INICIAR OS CUIDADOS PALIATIVOS
“São aplicáveis o mais cedo possível no curso da doença, em conjunto com outros tratamentos que tentam prolongar a vida, tais como quimioterapia, radioterapia, e incluem aqueles estudos necessários para compreender e manejar melhor as complicações clínicas que provocam o sofrimento” (OMS – Genebra 2002).
Os pacientes suscetíveis aos cuidados paliativos são aqueles acometidos de:
1-Doenças oncológicas, progressivas ou avançadas com pequena ou nula possibilidade de resposta ao tratamento, com prognóstico de vida limitada;
2-AIDS, com patologias associadas em progressão, com esperança de vida menor que 6 meses;
3-Doenças crônicas como, IRC terminal, DPOC, IC descartada possibilidade cirúrgica, Hepatopatia crônica, distúrbios neurológicos irreversíveis;
4-Idosos com pluripatologias e grande limitação funcional;
5-Crianças com patologias oncológicas não controladas e/ou congênitas incapacitantes.
Os cuidados paliativos no princípio eram iniciados quando as condutas curativas não mais surtiam resultados e não se tinham mais recursos terapêuticos viáveis. Assim, o paciente moribundo era deixado à própria sorte, tentando os cuidados paliativos amenizar o sofrimento. Era um tratamento tardio, onde quase nada podia ser feito.
Com a evolução dos conhecimentos e humanização na saúde, os cuidados paliativos foram adquirindo espaço, e atualmente recomenda-se que seja iniciado no momento do diagnóstico da doença de prognóstico sombrio, juntamente com o tratamento curativo específico.
Toda enfermidade tem sua fase evolutiva, onde feito o diagnóstico, inicia-se o tratamento curativo, específico, com esperança de cura. Passado este período, com o avanço da doença, entramos na fase seguinte, onde tratamentos não específicos são realizados, com esperança de contensão ou remissão. Nada surtindo o efeito desejado, passamos para a fase terminal. Os cuidados paliativos tornam-se essenciais devido a necessidade do cuidar do paciente e de sua família e no preparo para o luto.
Veja mais sobre cuidados paliativos
Referências:
Figueiredo MTA – Educação em cuidados paliativos: uma experiência brasileira. O Mundo da Saúde, São Paulo, v.27, n1. p165-170. jan/mar. 2003.
Caponero, R. Muito além da cura de uma doença, profissionais lutam para humanizar o sofrimento humano. Prática Hospitalar, São Paulo, n.21, p. 29-34, mai-jun, 2002.
http//www.medicinaintensiva.com.br/eutanásia1.htm
Tags: cuidados paliativos, distanásia, eutanásia, medicina paliativa, ortotanásia, terminalidade
