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Abr
06
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Terminalidade - Parte 1. Cuidados paliativos
Categoria(s): Tanatologia |
Tanatologia
Colaboradora : Marcia Cerqueira Boteon *
* Nutricionista e Pós-graduanda em Medicina e Saúde Geriátrica da METROCAMP
Cuidado Paliativo ainda é um termo nebuloso para a população em geral e para muitos profissionais da saúde, sendo confundido com ações que nada resolvem ou até com a indução da morte (eutanásia). Ao contrário disto tudo, em cuidados paliativos não se apressa a morte, não se suspende todo o tratamento (apenas os desnecessários) e também não se abandona o doente. O cuidado passa a ser mais intenso, abrangente, ativo e complexo, envolvendo uma equipe multidisciplinar envolvida e habilitada tanto cientificamente como humanamente.
Medicina Paliativa é a especialidade¹ médica cuja atuação consiste em propiciar a melhor qualidade de vida possível aos pacientes com doença muito avançada, sem qualquer possibilidade de cura ou reversão da sua condição de saúde, por meio de técnicas que aumentem o conforto, mas que não interfiram com a sobrevida. Seu objetivo não é a mudança do curso natural, mas sim das complicações conseqüentes da doença. (Freits, 2006).
A Medicina paliativa afirma a vida e reconhece o processo do morrer como natural na vida. Não busca nem acelerar nem adiar a morte. Não está dominada pela “tirania da cura” e “opõe-se” firmemente à eutanásia. (Pessini,2004)
A OMS definiu cuidados paliativos (1990): O cuidado ativo total dos pacientes cuja doença não responde mais ao tratamento curativo. O controle da dor e de outros sintomas, o cuidado dos problemas de ordem psicológica, social e espiritual, é o que mais importa. O objetivo do cuidado paliativo é conseguir a melhor qualidade de vida possível para os pacientes e suas famílias.
Os sintomas precisam ser priorizados e só se intervir naqueles que realmente causem desconforto e angústia. Nos idosos a trajetória para a morte é lenta e com muito sofrimento físico, mental, social e emocional. O objetivo principal passa a ser a pessoa e não a doença ou o órgão doente. (Freitas, 2006)
Os cuidados paliativos devem ser iniciados quando a necessidade se apresenta e antes dos problemas se tornarem incontroláveis, devendo ser parte da assistência.
Os sinais e sintomas mais freqüentes na fase terminal de um paciente são: dor, fadiga, insônia, dispnéia, náuseas, constipação, confusão mental, ansiedade, agitação, anorexia e desidratação. Todos são extremamente desagradáveis e devem ser prontamente controlados. Aceita-se, via de regra, que dor e um certo grau de padecimento fazem parte do processo de morrer. Tal conceito é absolutamente falso.Existem medidas hábeis, tanto da área farmacológica como de suporte psicológico, de enfermagem e da área de reabilitação, além do apoio espiritual, que aliviam sintomas angustiantes e dão conforto ao paciente. (Pessini, 2004)
O cuidado paliativo em geriatria é composto dos cuidados ativos prestados a pacientes idosos com doença progressivas e irreversíveis, sendo assim, o enfoque terapêutico deve ser voltado não só ao doente como também a família. Faz-se necessário que os profissionais que se destinam a este trabalho tenham uma formação especial, pois a paliação é uma prática multidisciplinar, com uma proposta claramente intervencionista, que exige competência, arrojo, decisão, maturidade, capacidade de trabalhar em equipe e compromisso humanitário. (Pessini, 2004)
Referências:
Freitas, EV, et al. Tratado de geriatria e gerontologia, ed. Guanabra Koogan, 2° ed, Rio de Janeiro, 2006.
Pessini, L. Bertachini, L. ; Humanização e cuidados paliativos, ed. Loyola, 2° ed, São Paulo, 2004.
Tags: cuidados paliativos, distanásia, eutanásia, medicina paliativa, ortotanásia, terminalidade
