Arquivo de Abril, 2008

30
Abr

 Doença de Alzheimer - Cuidados de Enfermagem. Parte 3

Categoria(s): Gerontologia

Resenha

Colaboradora: Larissa Franceschetti Lopes Cunha *

* Enfermeira e pós-graduanda do curso Saúde e Medicina Geriátrica da Metrocamp

Cuidados de Enfermagem na Doença de Alzheimer

Cuidar de uma pessoa portadora de DA pode ser difícil em alguns momentos. Requer principalmente amor, solidariedade e tudo que estas duas palavras englobam: paciência, dedicação e, sobretudo, uma assistência que merece a divisão de tarefas entre os familiares, visto que os cuidados exigem atenção diuturna, gerando grande desgaste físico e emocional para aqueles que lidam diretamente com o portador.

Cuidar de uma pessoa portadora de DA pode ser difícil em alguns momentos. Requer principalmente amor, solidariedade e tudo que estas duas palavras englobam: paciência, dedicação e, sobretudo, uma assistência que merece a divisão de tarefas entre os familiares, visto que os cuidados exigem atenção diuturna, gerando grande desgaste físico e emocional para aqueles que lidam diretamente com o portador.

Para facilitar no cuidado de enfermagem é necessário estabelecer algumas rotinas para o portador da DA, tais como:
• Estabeleça rotinas, mas mantenha a normalidade: uma rotina pode facilitar as atividades que você deverá fazer e, ao mesmo tempo, estruturar um novo sistema de vida. A rotina pode representar segurança para o portador; porém, embora ela possa ajudar, é importante manter a normalidade da vida familiar; procure tratar o portador da mesma forma como o tratava antes da doença;
• Incentive a independência: é necessário que o portador receba estímulos à sua independência. Faça com ele e não por ele, respeite e preserve sua capacidade atual de realizar atividades de vida diária. Supervisione, auxilie e faça por ele apenas quando não houver nenhuma capacidade para execução de determinada tarefa. Isto o ajudará a manter a auto-estima, o respeito próprio e, conseqüentemente, diminuirá a ansiedade do familiar;
• Ajude o portador a manter sua dignidade: lembre-se que a pessoa de quem você cuida é ainda um indivíduo com sentimentos. O que você ou outros familiares fazem ou falam em sua presença pode perturbá-lo. Evite discutir sobre as condições do portador na sua presença;
• Evite confrontos: qualquer tipo de conflito pode causar estresse desnecessário em você e/ou no portador. Evite chamar atenção e mantenha a calma de maneira que a situação não piore. Lembre-se que por mais que pareça proposital, é a doença que ocasiona momentos de agitação, agressividade, etc. NÃO é culpa do portador. Tente identificar qual ou quais fatores podem ser responsáveis pela alteração apresentada e, a partir daí, trabalhe para eliminá-los;
• Faça perguntas simples: mantenha uma conversa simples, sem incluir vários pensamentos, idéias ou escolhas; as perguntas devem possibilitar respostas como “sim†ou “nãoâ€; perguntar “você quer laranja?†é melhor do que “que fruta você gostaria de comer?â€.
• Mantenha seu senso de humor: procure rir com (e não rir do) o portador de DA. Algumas situações podem parecer engraçadas para você, mas não são para ele. Mantenha um humor saudável e respeitoso, ele ajuda a diminuir o estresse.
• Torne a casa segura: a dificuldade motora e a perda de memória podem aumentar a possibilidade de quedas. Por isso, você deve trazer o máximo de segurança para sua casa: verifique tapetes, mesas de centro, móveis com quina, objetos de decoração, escadas, banheiras, janelas, piscinas.
• Encoraje o exercício e a saúde física: em alguns casos, o exercício físico pode colaborar para que o portador mantenha suas habilidades físicas e mentais por um tempo maior. O exercício apropriado depende da condição de cada pessoa. Consulte o médico para melhores informações.
• Ajude a manter as habilidades pessoais: algumas atividades podem incentivar a dignidade e o respeito próprio, dando propósito e significado à vida. Uma pessoa que antes foi uma dona de casa, um motorista, um professor ou um executivo pode ter maior satisfação usando algumas das habilidades relacionadas ao seu serviço anterior. Lembre-se, entretanto, que a DA é progressiva e os gostos ou habilidades das pessoas acometidas pela doença fatalmente mudarão com o tempo. Conhecer estes detalhes exigirá de você, familiar/cuidador, maior observação para que, dessa forma, seja possível um planejamento de atividades compatíveis com o grau de dependência apresentado pelo portador.
• Mantenha a comunicação: com o avanço da doença, a comunicação entre você e o portador pode tornar-se mais difícil. As seguintes dicas poderão ajudá-lo:
- tenha certeza de que a atenção do portador não está sendo prejudicada por outrosfatores;
- fale clara e pausadamente, frente a frente e olhando nos seus olhos;
- demonstre amor através do contato físico;
- preste atenção na linguagem corporal – pessoas que perdem a comunicação verbal, comunicam-se muito com os gestos;
- procure identificar as lembranças ou palavras-chave que podem ajudá-lo a comunicar-se efetivamente com o portador.
• Use artifícios de memória: para alguns portadores, o uso de artifícios de memória pode ajudá-lo a lembrar de ações cotidianas e prevenir confusões como, por exemplo: mostre fotografias dos familiares com seus nomes para ajudá-lo a reconhecer quem é quem no ambiente familiar, coloque placas indicativas nas portas identificando o quarto, o banheiro, etc. Lembre-se, porém, que com o avançar da doença estes artifícios não mais terão o resultado esperado.

Referências:

Marzide MHP. A política nacional de atenção ao idoso e a capacitação dos profissionais de enfermagem. Rev Latinoam Enfermagem [periódico na internet]. 2003 Nov- Dez Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-11692003000600001&1

Netto MP. Gerontologia- a velhice e o envelhecimento em visão globalizada.São Paulo: Atheneu;2000. p.146-59, 181-4, 343-4.

Nitrini R. & Caramelli P (2003) Demências. In: Nitrini, L.E. Bacheschi (orgs). A neurologia que todo médico deve saber. São Paulo: Editora Atheneu (pp. 323-334).

Papaléo Netto M, Carvalho Filho ET, Salles RFN. Fisiologia do envelhecimento. In: Carvalho Filho ET, Papaléo Netto M, editores. Geriatria: fundamentos, clínica e terapêutica. 2. ed. São Paulo: Atheneu; 2005. p. 43-62.

Paula JAM, Diogo MJD. Avaliação da capacidade funcional motora em idosos atendidos em ambulatório de hospital universitário: análise comparativa de dois instrumentos. Rev Panam Salud Publica. 2007.
Rosa ALCS, Amendoeira MCR, Cavalcanti MT. Relações entre gênero e cuidados com o idoso demenciado. Disponível em: http://www.aperj.com.br/rev3_mat5.htm

Veja Também:
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Doença de Alzheimer - Cuidados de enfermagem. Parte 2.
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Cuidados Paliativos - Ensino e educação
Doença de Paget

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29
Abr

 Doença de Alzheimer - Cuidados de enfermagem. Parte 2.

Categoria(s): Gerontologia

Resenha

Colaboradora: Larissa Franceschetti Lopes Cunha *

* Enfermeira e pós-graduanda do curso Saúde e Medicina Geriátrica da Metrocamp

Cuidados de Enfermagem na Doença de Alzheimer

A Política Nacional do Idoso, descrita na Lei 8.842/94, foi onde pela primeira vez se observou efetivamente contemplados os direitos dos idosos de uma maneira mais ampla. Essa buscou envolver todos os segmentos das esferas federal, estadual e municipal com vistas a garantir o bem-estar físico, emocional e social dos idosos em todo o território nacional. Em uma de suas diretrizes propõe priorizar o atendimento aos idosos por intermédio de suas próprias famílias, em detrimento do atendimento asilar. Verifica-se, aí, a oficialização da reprivatização do cuidado e o retorno à família da responsabilidade de cuidar de seus idosos. Por tratar-se de um grande programa de ações governamentais, requeria que cada ministério (Previdência e Assistência Social, Cultura, Educação e Desportos, Justiça, Saúde, Trabalho e Planejamento) que dela participasse traçasse um plano para operacionalizar suas ações.

Uma das conseqüências da operacionalização supracitada na área da saúde foi a criação da Política Nacional de Saúde do Idoso, regulamentada através da Portaria no 1.395, de dezembro de 1999. O objetivo central dessa política é a promoção do envelhecimento saudável, a preservação e/ou a melhoria da capacidade funcional dos idosos, a prevenção de doenças, a recuperação da saúde e a reabilitação daqueles que apresentam alguma restrição de sua capacidade funcional.

A prevalência de doenças crônicas e incapacitantes é maior entre os idosos. Essas doenças, se não tratadas e continuamente controladas, tendem a gerar complicações e seqüelas que afetam sua independência na realização das atividades da vida diária (AVDs). As atividades básicas da vida diária (ABVDs) incluem banhar-se, vestir-se, alimentar-se, transferir-se (leito, cadeira, cadeira de rodas, vaso sanitário, banheira ou chuveiro), controlar as eliminações urinária e intestinal, e fazer a higiene pessoal. As atividades instrumentais da vida diária (AIVDs) envolvem o uso dos meios de transporte, cozinhar, fazer compras, fazer uso do telefone, controlar as finanças, administrar a tomada de medicamentos, arrumar a casa e lavar roupas. Em um nível superior de complexidade estão as atividades avançadas da vida diária (AAVDs), que mesmo não sendo consideradas essenciais para a vida independente podem contribuir para uma melhor qualidade de vida. A prática de atividades esportivas, a habilidade para conduzir veículos motorizados e as diversas formas de participação social são exemplos. Os idosos também estão mais propensos ao comprometimento de sua autonomia, que é a capacidade de auto-determinação ou de gerenciamento da sua própria vida. Em torno de um quarto das pessoas com 65 anos de idade e mais apresenta alguma limitação em suas AIVDs ou ABVDs, e metade das que atingem os 85 anos tem alguma limitação nas AVBDs.

Os idosos saudáveis podem realizar suas atividades cotidianas de forma independente, mas a diminuição da sua reserva fisiológica, associada às doenças crônicas que os afetam, pode comprometer sua funcionalidade em ocasiões de estresse ou de maior exigência. Uma situação particularmente importante é a hospitalização do idoso, que tem média de permanência hospitalar maior do que as pessoas em outras faixas de idade, o que contribui para a imobilidade e suas complicações.

A repercussão que tem a perda funcional dos idosos em sua independência para as AVDs é avaliada por testes especificamente planejados para isso, ou seja, testes que não avaliam diretamente o desempenho funcional de sistemas orgânicos, como o fazem o teste ergométrico, a avaliação da capacidade respiratória, a avaliação cognitiva, os testes de equilíbrio, marcha, força dos membros inferiores e da força de preensão, mas sim a capacidade para realizar, ou a efetiva realização de tarefas como vestir-se, comer, subir escadas, andar determinada distância, fazer uso do telefone, e assim por diante. Muitos instrumentos têm sido desenvolvidos para avaliar a capacidade de realizar as AVDs, o que se constata em publicações sobre o tema desde os anos 1950 na literatura internacional. O propósito maior dessa avaliação é o de programar o tratamento dos pacientes, oferecendo-lhes o cuidado e a assistência adequados a cada situação.

No plano familiar, a doença de Alzheimer atinge significativamente cônjugues, companheiros, filhos, netos e cuidadores, restringindo ou afetando as rotinas, a produtividade no trabalho e o tempo de lazer, além de afetar sentimentos diversos. A gravidade da doença de Alzheimer, que passa por um início insidioso e um curso variável, forçando os familiares e cuidadores a uma adaptação e ajuste frente aos novos problemas.

Para Regiane Garrido, os estudos concordam que o impacto ou sobrecarga sofridos na vida do cuidador, como o desenvolvimento de sintomas depressivos, tem relação direta com a presença de transtornos psiquiátricos apresentados pelos pacientes.

O portador de doença de Alzheimer deverá ser atendido por uma equipe multiprofissional, sendo que o enfermeiro e sua equipe têm importante significado na comunicação e possui uma proximidade maior com o paciente tanto no cuidado como nas intervenções e orientações. A assistência de enfermagem também se porta como a de um cuidador, baseando nisto, estuda-se os sintomas do portador de Alzheimer, para poder realizar intervenções corretas, baseadas em dados científicos podendo assim delegar funções para sua equipe.

É interessante perceber que a Enfermagem Gerontológica destaca-se num processo específico baseado na compreensão de parâmetros físicos, emocionais e de ordem social, pelo qual a atuação da equipe interdisciplinar desmistifica o papel de cada profissional e deixa claras as especificidades de suas funções. É um processo que corre fundamentalmente de forma educativa para todas as partes, em direção à clientela idosa.

Dessa forma, a avaliação funcional do idoso faz parte do cuidado de enfermagem, com ênfase na pessoa e nos sistemas de apoio com os quais possa contar. A Enfermagem inserida numa equipe interdisciplinar deve assistir de maneira individualizada, levando em consideração as suas limitações físicas, psíquicas e ambientais.

Segundo o artigo 18: â€as instituições de saúde devem atender aos critérios mínimos para o atendimento as necessidades do idoso, promovendo o treinamento e a capacitação dos profissionais, assim como orientação a cuidadores e familiares e grupos de auto-ajuda†.

A capacitação do pessoal de saúde é imprescindível para o atendimento adequado ao idoso. Assim, torna-se necessário voltar a atenção na academia para a formação e capacitação de recursos humanos de enfermagem, com vistas ao atendimento do fenômeno do envelhecimento (Gerontologia) e processo saúde-doença dos idosos (Geriatria) .

A enfermagem tem uma significante importância no cuidado do paciente com Alzheimer, com isso pode-se levantar diagnósticos e problemas relacionados a esta doença.

Cuidar de uma pessoa portadora de DA pode ser difícil em alguns momentos. Requer principalmente amor, solidariedade e tudo que estas duas palavras englobam: paciência, dedicação e, sobretudo, uma assistência que merece a divisão de tarefas entre os familiares, visto que os cuidados exigem atenção diuturna, gerando grande desgaste físico e emocional para aqueles que lidam diretamente com o portador.

Referências:

Marzide MHP. A política nacional de atenção ao idoso e a capacitação dos profissionais de enfermagem. Rev Latinoam Enfermagem [periódico na internet]. 2003 Nov- Dez Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-11692003000600001&1

Netto MP. Gerontologia- a velhice e o envelhecimento em visão globalizada.São Paulo: Atheneu;2000. p.146-59, 181-4, 343-4.

Nitrini R. & Caramelli P (2003) Demências. In: Nitrini, L.E. Bacheschi (orgs). A neurologia que todo médico deve saber. São Paulo: Editora Atheneu (pp. 323-334).

Papaléo Netto M, Carvalho Filho ET, Salles RFN. Fisiologia do envelhecimento. In: Carvalho Filho ET, Papaléo Netto M, editores. Geriatria: fundamentos, clínica e terapêutica. 2. ed. São Paulo: Atheneu; 2005. p. 43-62.

Paula JAM, Diogo MJD. Avaliação da capacidade funcional motora em idosos atendidos em ambulatório de hospital universitário: análise comparativa de dois instrumentos. Rev Panam Salud Publica. 2007.
Rosa ALCS, Amendoeira MCR, Cavalcanti MT. Relações entre gênero e cuidados com o idoso demenciado. Disponível em: http://www.aperj.com.br/rev3_mat5.htm

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Doença de Alzheimer - Cuidados de Enfermagem. Parte 1
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Doença de Paget

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28
Abr

 Doença de Alzheimer - Cuidados de Enfermagem. Parte 1

Categoria(s): Gerontologia

Resenha

Colaboradora: Larissa Franceschetti Lopes Cunha *

* Enfermeira e pós-graduanda do curso Saúde e Medicina Geriátrica da Metrocamp

Demência e Doença de Alzheimer

O aumento da expectativa de vida da população fez com que a demência passasse a ser um dos mais importantes problemas de saúde pública. A incidência e prevalência das demências aumenta com a idade, após 64 anos de idade, a prevalência é de cerca de 5 a 10% e após os 75 anos de idade é de 15 a 20% segundo o Instituto de Geografia e Estatística(IBGE). A demência é um quadro de diminuição progressiva da função cognitiva.

Segundo Matheus Papaléo Netto as formas de demência são: demência senil do tipo Alzheimer, demência por múltiplos infartos, além de outras como: deficiência de vitaminas, hipotireodismo e infecções.

Demência é uma síndrome caracterizada pelo declínio progressivo e global das funções cognitivas, na ausência de um comprometimento agudo do estado de consciência, e que seja suficientemente importante para interferir nas atividades sociais e ocupacionais do indivíduo. O diagnóstico de demência exige a constatação de deterioração ou declínio cognitivo em relação à condição prévia do indivíduo.

Dentre os critérios clínicos mais utilizados para o seu diagnóstico incluem-se o comprometimento da memória e, ao menos, um outro distúrbio como apraxia, agnosia e afasia. Tal declínio interfere nas atividades da vida diária e, portanto, na autonomia do indivíduo. A abordagem do paciente com demência deve incluir, sempre, a avaliação e monitoramento das habilidades cognitivas, da capacidade para desempenhar atividades da vida diária, do comportamento e da gravidade global do quadro.

A demência do tipo Alzheimer é a mais comum entre as demências em idosos. São 15 milhões de indivíduos acometidos pela Doença de Alzheimer em todo o mundo e sua prevalência vem aumentando de forma significativa, e no Brasil 500 mil pessoas são acometidas por esta doença .

Dentre todas as demências, a Doença de Alzheimer é a que mais ocupa espaços nas publicações e nos debates nos eventos científicos, bem como na mídia em geral. Tal assunto tornou-se mais evidente especialmente depois que personalidades do meio político, artístico e cultural, no âmbito internacional, declararam publicamente que eram portadoras dessa doença. Além disso, nos países desenvolvidos, os altos custos dos tratamentos da demência se avolumaram como nunca antes observado. O aumento dos gastos públicos e privados com os cuidados a um número crescente de portadores da doença provocou forte canalização de investimentos em recursos materiais e humanos em favor da pesquisa e intervenção com os portadores e suas famílias.

A doença de Alzheimer descrita pelo neuropatologista alemão Alois Alzheimer em 1907, é uma afecção neurodegenerativa progressiva e irreversível de aparecimento insidioso, que compromete as áreas do cérebro responsáveis pela memória, pensamento e linguagem .

A principal causa de declínio cognitivo em adultos, DA, sobretudo em idosos, representando mais da metade dos casos de demência. A idade é o principal fator de risco: sua prevalência passa de 0,7% aos 60-64 anos de idade para cerca de 40% nos grupos etários de 90 a 95 anos. Isso revela a magnitude do problema no Brasil, onde já vivem cerca de 15 milhões de indivíduos com mais de sessenta anos. A etiologia é desconhecida. Os fatores de risco para a doença de Alzheimer são: história familiar de demência, idade, presença da isoforma E4 da apolipoproteína E, trissomia do cromossomo 21, Síndrome de Down, sexo feminino, traumatismo craniano e exposição ao alumínio. Mutações dos cromossomos 1, 14 e 21 (raras) determinam doença de início precoce e herança autossômica dominante .

Três estágios são caracterizados pela doença de Alzheimer: leve, moderado e grave. Cada estágio pode durar alguns anos. No estágio leve os sintomas são: esquecimento de eventos recentes, comprometimento do aprendizado de novas informações, desorientação têmporo-espacial, dificuldade em realizar tarefas complexas, necessidade de ser lembrado sobre os cuidados pessoais e higiene. No estágio moderado os sintomas são: esquecimento eventual do nome e identidade de familiares e amigos, dificuldades com a noção de tempo, confusão aguda e crônica, agnosia, afasia, anomia, fala menos espontânea e complexa, perda da iniciativa, dificuldade em realizar as atividades da vida diária (AVDs), incontinência urinária e fecal, irritabilidade, agressividade, delírios, alucinações e perambulação.

No estágio Grave os sintomas mais freqüentes são: problemas com a memória de longo prazo, perda gradual da orientação de tempo e espaço, comunicação por modo não verbal, perda total da independência, aparência fragilizada , Irritabilidade extrema e mudança de personalidade.

O diagnóstico clínico da doença de Alzheimer se baseia na observação do quadro clínico compatível e na exclusão de outras causas de demência por meio de exames laboratoriais e de neuroimagem estrutural. A tomografia computadorizada e, particularmente, a ressonância magnética revela atrofia da formação hipocampal e do córtex cerebral, de distribuição difusa ou de predomínio em regiões posteriores. Esses pacientes preenchem os critérios diagnósticos da denominada doença de Alzheimer provável. Outra possibilidade é o diagnóstico de doença de Alzheimer possível, em que os pacientes apresentam variações na forma de apresentação ou evolução clínica e também nos casos em que outras condições passíveis de produzir demência estejam presentes, porém sem serem consideradas, com base em juízo e experiência clínica, responsáveis pelo quadro demencial. O diagnóstico definitivo só é possível por exame anatomopatológico.

O tratamento da doença de Alzheimer envolve estratégias farmacológicas e intervenções psicossociais para o paciente e seus familiares. Inúmeras substâncias psicoativas têm sido propostas para restabelecer ou preservar a cognição do paciente demenciado. Contudo, os efeitos limitam-se a um retardo na evolução natural da doença, permitindo apenas uma melhora temporária do estado funcional do paciente. Os inibidores da acetilcolinesterase são as drogas hoje licenciadas para o tratamento específico da doença de Alzheimer. Tem efeito sintomático discreto sobre a cognição, algumas vezes beneficiando também as alterações não-cognitivas da demência. Porém apresentam efeitos colaterais importantes.

Referências:

Almeida OP, Crocco EI. Percepção dos déficits cognitivos e alterações do comportamento em pacientes com doença de Alzheimer. Arq Neuro-Psiquiatr, v.58 (2), p. 292-299, 2000.

Barbosa AR, Souza JMP, Lebrão ML, Laurenti R, Marucci MF. Diferenças em limitações funcionais de idosos brasileiros de acordo com idade e sexo: dados da pesquisa SABE. Cad Saúde Pública; 21(4): 1177-85,2005.
Brasil. Instituto Brasileiro de Estatística e Geografia. Perfil dos idosos responsáveis pelos domicílios Disponível em:
http://www.ibge.com.br/home/presidencia/noticias/25072002pidoso.shtm

Marzide MHP. A política nacional de atenção ao idoso e a capacitação dos profissionais de enfermagem. Rev Latinoam Enfermagem [periódico na internet]. 2003 Nov- Dez Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-11692003000600001&1

Netto MP. Gerontologia- a velhice e o envelhecimento em visão globalizada.São Paulo: Atheneu;2000. p.146-59, 181-4, 343-4.

Nitrini R. & Caramelli P (2003) Demências. In: Nitrini, L.E. Bacheschi (orgs). A neurologia que todo médico deve saber. São Paulo: Editora Atheneu (pp. 323-334).

Papaléo Netto M, Carvalho Filho ET, Salles RFN. Fisiologia do envelhecimento. In: Carvalho Filho ET, Papaléo Netto M, editores. Geriatria: fundamentos, clínica e terapêutica. 2. ed. São Paulo: Atheneu; 2005. p. 43-62.

Paula JAM, Diogo MJD. Avaliação da capacidade funcional motora em idosos atendidos em ambulatório de hospital universitário: análise comparativa de dois instrumentos. Rev Panam Salud Publica. 2007.
Rosa ALCS, Amendoeira MCR, Cavalcanti MT. Relações entre gênero e cuidados com o idoso demenciado. Disponível em: http://www.aperj.com.br/rev3_mat5.htm

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Doença de Alzheimer - Cuidados de enfermagem. Parte 2.
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27
Abr

 Contos do Bié - Seu Nagib

Categoria(s): Contos e Poemas

 Sabedoria

Colaborador: Gabriel Araújo dos Santos *

* Poeta Mineiro

SEU NAGIB.
Dos estrangeiros que havia na cidade,
Seu Nagib era um deles.
Já passava dos setenta anos, mas bem disposto, forte
feito um touro.
Sempre de terno e gravata, além do costumeiro colete.
Só teve três filhos, homens. Todos fizeram avançados
estudos na Capital, e por lá ficaram.
Sua venda de ferragens e armarinhos; secos e molhados
situava numa das ruas principais bem ali no que chamávamos de Largo da
Igreja.
O estabelecimento, de muitas portas, daquelas de duas
bandas que se abrem em par, via-se em constante ebulição, pois até
ferraduras ali se vendiam, e os animais eram ferrados no pátio dos
fundos da propriedade.
Casou-se com moça do lugar, e parecia um dos nossos, tal
a sua participação nos acontecidos do cotidiano da cidade.
Havia um senão.
Era, como se dizia, cristão ortodoxo, e não freqüentava
nenhuma liturgia na igreja local, cuja presença formal se restringia
aos eventos ditos sociais, casamentos e passagens fúnebres.
De tempos em tempos viajava à Capital, onde, diziam,
participava dos ritos da religião de seu povo.
Mas não era motivo para a inexistência de um bom
relacionamento com o vigário, cujas obras sociais e religiosas
contavam sempre com as generosas contribuições do respeitável libanês.
Entretanto, no sermão da “Descida da Cruz”, o Largo da
Igreja lotado de fiéis, o vigário desandou em terríveis ataques ao
“ganancioso do sangue de Cristo”, referindo-se com todas as letras ao
comunicativo negociante.
Tudo porque na Sexta-Feira Santa ele atendera alguns
roceiros, que vieram de grotas distantes para o rito sagrado. E ali na
venda, apenas meia porta entreaberta, cerrada, como se costuma dizer,
fizeram umas compras de nada, e daí a pouco Seu Nagib já se recolhia,
feliz pelo atendimento àquelas simplórias criaturas.
Apesar do pesado das palavras, Seu Nagib não mudou de cara.
Continuou na lida como se nada tivesse acontecido. Trazia consigo uma
tristeza, a de ter perdido a amizade do vigário.
Percebeu, com o correr dos dias, que os freguês rareavam, mas
não a ponto de causar um baque danoso às finanças do estabelecimento.
Num domingo de importante celebração litúrgica os fiéis se
surpreenderam com a sua presença inesperada à missa daquele dia.
À hora do sermão, no momento em que o vigário vinha do altar
em direção ao púlpito, que ficava num dos lados da nave da igreja, Seu
Nagib se adiantou e escalou as escadinhas em direção ao que também
poderíamos chamar de parlatório. Abriu a portinhola, entrou e a fechou
de novo com o trinco.
A igreja como que levitava, e o vigário, tomado de surpresa,
estacou no meio do caminho.
Perdeu a cor e a fala, e inventando tosse e engolindo seco
ficou a esperar pelo que viria após.
- Esta aqui é a bíblia do meu rito, a bíblia da religião do
meu povo, a bíblia que todos nós podemos ler. Não é a que os
católicos, apostólicos e romanos estão proibidos de ler, que pode
levar as pessoas à loucura. Essa também nos leva à loucura, mas à
loucura de Deus, não à loucura dos homens, homens como o Sr. Vigário,
que parece nunca ter tido acesso à passagem do Evangelho em que o
samaritano, originário de um povo odiado e menosprezado, foi quem
acudiu o viajante assaltado e maltratado quase à morte pelos ladrões,
enquanto um levita e também um sacerdote passaram à larga, eis que era
dia de sábado. Digo isso, Senhor Vigário, porque vi naqueles roceiros
a figura do viajante. O lucro que obtive na transação daquela
sexta-feira não chegou a um centésimo do que apuro no meu cotidiano.
Foram coisas simples e de insignificante valor que eles compraram, uns
sortidos de pouca monta: querosene e creolina para a cura dos
machucados de suas criações. Sal para o tempero de suas refeições, e
macarrão para os almoços dos domingos festivos. Não pense que a sua
fala não me trouxe angústia. O Senhor podia ter-se alongado mais e
mais, porém nunca mencionar que dispensava a minha amizade. Para o meu
povo, a amizade é um dom de Deus. De que vale a flauta, por mais
recursos de que disponha, se não puder contar com o sopro do músico?
Assim, a amizade é para o homem como o sopro é para a flauta e os
dedos são para a cítara. Considero-me, de fato, um homem de fortuna, e
a minha maior fortuna são os amigos. O que faria de minha fortuna, se
de amigos eu não dispusesse? Por tudo isso, confesso-lhe, Senhor
Vigário, lamento perder a sua amizade, mas o meu coração permanece
aberto e a minha estima pelo Senhor continuará viva até os fins de
meus dias.
Fechou a bíblia, cerrou os olhos e orou contrito.
O vigário, ainda imobilizado por tudo que ouvira, a
passos lentos e trôpegos retornou ao altar.
Após a consagração, virou-se para a assistência e falou:
- Deste lugar em que estou e até onde o Senhor Nagib se
encontra há uma distância razoável. Daí até a mureta que divide o
átrio sagrado do restante da igreja é a metade do caminho. Que cada um
de nós dois faça o seu trajeto, e o nosso encontro se dará ali, na
mureta onde os fiéis se ajoelham para receber a comunhão.
O vigário principiou por descer as escadas do altar,
enquanto Seu Nagib ia pedindo passagem por entre os fiéis.
Enfim, viam-se frente a frente.
Veio a cena derradeira quando o vigário, acolitado pelo
sacristão, e pegando uma hóstia do Cibório, elevou-a como mandava o
rito, e diz:
- Senhor Nagib, peço-lhe que aceite a minha amizade em
nome de Cristo, cujo corpo agora lhe ofereço.
Era o momento em que todos os fiéis se achavam
ajoelhados em sinal de respeito ao Corpo de Deus.
Como tocados por um só e mesmo pensamento, ergueram-se
em bloco, e num silêncio respeitoso e benzendo-se repetidas vezes,
presenciaram, caso inédito até então, a Primeira Comunhão - no rito
romano - do próspero e prestimoso libanês ortodoxo Nagib Naked Tannus.
Por muito tempo ainda a cidade se perguntaria: quem
converteu quem?

Veja Também:
Contos de Mardegam - Bernardo Ermitão
Contos do Bié - O Jardim e a Literatura
Contos do Mardegam - Somos a Doença
Contos do Bié - Nhá Tuca*
Poemas do Silas Corrêa -
Contos de Silvia Trevisani - O que vejo da minha janela

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27
Abr

 O Idoso e o Programa de Saúde da Família - Parte 2.

Categoria(s): Gerontologia

Painel

Colaboradora : Sultania Fátima Costa *

* Agente comunitária e pós-graduanda do curso de Gerontologia da Metrocamp

A EQUIPE DE REFERÊNCIA
Nas Unidades Básicas de Saúde, que também é conhecido pela população como Posto, Centro de Saúde ou Postinho, a equipe multiprofissional geralmente está composta dos seguintes profissionais: médico generalista, ginecologista, pediatra, enfermeira, terapeuta ocupacional, dentista, auxiliares de enfermagem e de quatro agentes de saúde.

Os profissionais em sua maioria ficam na UBS trabalhando, fazendo atendimentos rotineiros agendados e também fazem os atendimentos domiciliares mediante as necessidades. Cada agente deve ter sobre sua responsabilidade um número aproximado de 150 a 500 famílias cadastradas.

A INTERAÇÃO
Para o fortalecimento do trabalho em equipe, em que há o pertencimento do ACS, há importância e necessidade da troca de conhecimento entre os profissionais através da discussão de casos, do atendimento conjunto, do respeito quanto ao parecer de cada profissional, bem como do bom relacionamento interpessoal, auxilia a todos em sua especialidade e na busca por uma abordagem mais integral e resolutiva, visando à promoção da saúde e a qualidade de vida dos idosos de maneira geral e individualmente.

O objetivo, a diretriz para ser alcançada no trabalho, na prática e em todos os esforços usados pela equipe e os agentes, no cotidiano, na dinâmica e intervenções executadas, visa à obtenção da qualidade de vida e da promoção à saúde, segundo os conceitos já apresentados, ao idoso, uma parcela crescente da população brasileira e também no atendimento a população em geral.

A atuação dos ACS vai do apoio aos indivíduos e coletivos sociais, a identificação das situações de risco, na participação da orientação, acompanhamento e na educação popular em saúde, devendo ter o respaldo e a orientação da equipe, colocando em ação conhecimentos sobre a prevenção e solução de problemas de saúde, através de práticas de promoção a saúde na coletividade e participa do desenvolvimento das interações sociais.

Um trabalho feito em equipe, semanalmente na comunidade, são os grupos de hipertensos e diabéticos, em especial, nesta reunião com uma média de participantes entre 40 a 60 pessoas de ambos os sexos e a maioria com mais de 60 anos, vão medir a pressão e a glicemia capilar. E, a convite vão profissionais especializados para fazerem palestras e dentre os temas pedidos alguns que se destacam: a importância de conhecer o seu corpo, autoestima, atitudes, câncer de próstata como evitar, saúde da mulher, aleitamento infantil, dietas aplicáveis, dengue, febre amarela, escabiose, pediculose e outros assuntos. O trabalho é de equipe feita com técnica, ética e humanística para atender os usuários a saberem se orientar em suas necessidades.

ATIVIDADES NA COMUNIDADE
As atividades na comunidade com intenção maior aos idosos são o Liang Gong e a Ginástica Harmônica. Para tal vários profissionais foram capacitados para serem instrutores desses exercícios físicos. Mas os que mais põem em prática são os ACS. O Liang Gong são exercícios de origem Oriental com movimentos lentos atentos e fáceis de execução e seu objetivo é movimentar todas as partes do corpo, com cuidado, num tempo pré-estabelecido de grande importância para que haja ação nos músculos. Uma variedade de exercícios seqüencial, muito utilizado na China e no Japão com algumas propostas de redução do cansaço, LER, do fortalecimento dos músculos, memória dos músculos, ajudarem na concentração, entre outros.

Na Ginástica Harmônica excelente para depressão, tem-se contato com a música, o participante canta, se expressa, toca-se, movimenta-se, dança livremente, acompanha o instrutor, participa fica mais atento e confiante. Nestas atividades de grupo os idosos ficam alegres, mais dispostos e dispostos. Porem, quando por algum motivo não tem as aulas eles reclamam, adesão ao projeto foi muito bom, são sempre feito em locais públicos como praças, ginásio esportivo, salão de igreja, quase sempre as aulas são dadas por ACS e a presença dos idosos é grande e muito boa.

Referências:

Deslandes, Suely Ferreira, Otavio Cruz Neto, Romeu Gomes, Maria Cecília de S.Minayo (organizadora). Pesquisa social: teoria, método e criatividade. Petrópolis, RJ. Vozes, 1994.

Diogo, Maria J. D’Élboux, Néri, Anita L. Cachioni, Meire (org.). Saúde e qualidade de vida na velhice. Campinas, SP: Editora Alínea (Coleção Velhice e Sociedade), 2004.

Nunes, Monica DE O., Bonfin, Leny, Almeida, Bethânea DE A., Homem, Carolina R., Melo, Marise C.I. DE C. O agente comunitário de saúde: Construção da identidade desse personagem híbrido e polifônico. Disponível em < http://www.scielo.br/pdf/csp/v18n6/13260.pdf

MINISTERIO DE SAÚDE, saúde da Família: uma Estratégia para a Reorientação do Modelo Assistencial. Brasília: MS. 1998. Medida Provisória 297.
Disponível em < http://www.camara.gov.br/sileg/integras/402772.pdf >.

NERI, Anita Liberalesso. Palavras-chave em gerontologia. Campinas, SP: Editora Alínea, Coleçao Velhice e Sociedade). 2º. Edição. 2005.
PAIM, JS. Abordagens teórico-conceituais em estudos de condições de vida e saúde: notas de reflexão e ação. Pp.7 – 30. ABRASCO. RJ. 1997.

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Veja Também:
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Atenção Psiquiátrica ao Idoso Parte 3. Programa de Volta para Casa
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Osteoporose
Relacionamento médico e paciente

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