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Estudo de caso - Mixoma

Categoria(s): Cardiogeriatria, Caso clínico


Interpretação clínica

Mulher de 58 anos, pós-menopausada, foi avaliada devido aos sintomas de dispnéia aos esforços há mais ou menos 6 meses. O exame clínico e laboratoriais , inclusive os da tireóide, mostraram-se normais. Eletrocardiograma e estudo radiológico de tórax normal. Os médicos que assistiam ao caso, diagnosticaram ansiedade, porém por insistência da paciente solicitaram estudo ecodopplercardiográfico. O diagnóstico foi de possível mixoma do átrio esquerdo.

Comentários sobre o caso

Devido a dificuldade diagnóstica pelo seu polimorfismo clínico, os tumores cardíacos eram, até década de 50, descoberta de necrópsia. O advento da angiografia e, posteriormente, da ecocardiografia foi possível o diagnóstico em vida e o tratamento cirúrgico adequado.

Os tumores primitivos do coração são raros, apresentando incidência entre 0.0017 e 0.28%. Em 75% dos casos, esses tumores são benignos, sendo essencialmente representados pelos mixomas (30 a 50% dos casos). Os mixomas do átrio esquerdo são mais freqüentes. Nos casos mais típicos, apresentam inserção ao nível da fossa oval, sendo pedunculados e atingindo a cavidade ventricular esquerda na diástole, voltando ao átrio na sístole. Os mixomas de átrio direito representam 25% dos casos e apenas 5% se localizam nos ventrículos.

O tumor pode ser encapsulado ou completamente gelatinoso, com maior risco de embolia. São mais freqüentes no AE (75%), AD (20%) ou ambos átrios (5%).

Mixoma de átrio esquerdo

Histologicamente os mixomas se apresentam com células mixomatosas gigantes, indiferenciada, com invaginações e rodeada por massa amorfa e com poucas fibras. O núcleo apresenta bordos irregulares com marginação da cromatina. O citoplasma contem goticulas de gordura e mitocôndrios. A matriz é rica em mucoproteinas. Estes aspectos estruturais chamam a atenção para a possível origem da célula mixomatosa a partir da célula endotelial por apresentar características peculiares, como: serem células poligonais, com núcleolo, vacúolos de lipídeos, presença de mitocondrias e não raramente presença de vesículas pinociticas.

Podem se manifestar clinicamente sob três aspectos: a) obstrutivo, acometendo a valva mitral e causando hipertensão pulmonar; b) embólico, onde o exame histopatológico do embolo fornece o diagnóstico; c) constitucional, em que os principais aspectos são: anemia, perda de peso, fadiga, cansaço, elevação do VHS, febre de origem desconhecida, sinais de artrite reumatóide e elevação das proteínas plasmáticas.

A investigação diagnóstica pode ser realizada através do ecocardiograma ou cineangiocardiografia, sendo esta última dispensada quando o paciente tem idade inferior a 40 anos e não havendo necessidade de estudo coronariográfico.

Uma vez feito diagnóstico, não deve protelar a cirurgia, pois cerca de 8% dos pacientes diagnosticados falecem aguardando cirurgia.

Quanto aos aspectos cirúrgicos a via de acesso mais utilizada e a transeptal. Parte do septo interatrial deve ser ressecada justamente onde esta o pedículo do tumor. Os bordos do septo devem ser cauterizados englobando a artéria que nutre a neoplasia. A evolução tardia e bem favorável.

A recorrência do tumor é de 14% com tempo médio de três anos.

Referências:

Semb BKH - Surgical considerations in the treatment of cardíac myxoma. J Thorac Cardiovasc Surg. 1984;87:251.

Williams WJ, Jenkins D, Erasmus D - The ultrastructural of cardíac myxoma. Thorax. 1970;25:756.

Bulkley BH, Hutchins GM - Atrial myxomas: a fifty year review. Am Heart J. 1979;97:639.

Carvalho RG, Giublin PR, Rachid A, Costa IA, Cunha GP - Mixoma de átrio esquerdo: Aspectos cirúrgicos e ultraestruturais. Relato de 2 casos. Arq Bras Cardiol. 1988;51(2):171-175.

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2 Comentários »

  1. silvia marques comenta:

    2 Abril, 2008 @ 11:30

    bom dia

    trabalhamos aqui - no IPREF, Instituto de Previdência de Guarulhos/SP, na área administrativa de perícia médica, e a pesquisa sobre mixoma de átrio, foi de grande valia, neste momento.
    gostaria de receber, se possível, informações, novidades e etc na área de saúde
    muito grata
    Sílvia Marques

  2. carlos zanelato comenta:

    16 Agosto, 2008 @ 16:44

    minha esposa teve essa doença gracas a DEUS ja fez a cirurgia

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