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Mar
15
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Estudo de caso - Mixoma
Categoria(s): Cardiogeriatria, Caso clÃnico |
Interpretação clÃnica
Mulher de 58 anos, pós-menopausada, foi avaliada devido aos sintomas de dispnéia aos esforços há mais ou menos 6 meses. O exame clÃnico e laboratoriais , inclusive os da tireóide, mostraram-se normais. Eletrocardiograma e estudo radiológico de tórax normal. Os médicos que assistiam ao caso, diagnosticaram ansiedade, porém por insistência da paciente solicitaram estudo ecodopplercardiográfico. O diagnóstico foi de possÃvel mixoma do átrio esquerdo.
Comentários sobre o caso
Devido a dificuldade diagnóstica pelo seu polimorfismo clÃnico, os tumores cardÃacos eram, até década de 50, descoberta de necrópsia. O advento da angiografia e, posteriormente, da ecocardiografia foi possÃvel o diagnóstico em vida e o tratamento cirúrgico adequado.
Os tumores primitivos do coração são raros, apresentando incidência entre 0.0017 e 0.28%. Em 75% dos casos, esses tumores são benignos, sendo essencialmente representados pelos mixomas (30 a 50% dos casos). Os mixomas do átrio esquerdo são mais freqüentes. Nos casos mais tÃpicos, apresentam inserção ao nÃvel da fossa oval, sendo pedunculados e atingindo a cavidade ventricular esquerda na diástole, voltando ao átrio na sÃstole. Os mixomas de átrio direito representam 25% dos casos e apenas 5% se localizam nos ventrÃculos.
O tumor pode ser encapsulado ou completamente gelatinoso, com maior risco de embolia. São mais freqüentes no AE (75%), AD (20%) ou ambos átrios (5%).
Histologicamente os mixomas se apresentam com células mixomatosas gigantes, indiferenciada, com invaginações e rodeada por massa amorfa e com poucas fibras. O núcleo apresenta bordos irregulares com marginação da cromatina. O citoplasma contem goticulas de gordura e mitocôndrios. A matriz é rica em mucoproteinas. Estes aspectos estruturais chamam a atenção para a possÃvel origem da célula mixomatosa a partir da célula endotelial por apresentar caracterÃsticas peculiares, como: serem células poligonais, com núcleolo, vacúolos de lipÃdeos, presença de mitocondrias e não raramente presença de vesÃculas pinociticas.
Podem se manifestar clinicamente sob três aspectos: a) obstrutivo, acometendo a valva mitral e causando hipertensão pulmonar; b) embólico, onde o exame histopatológico do embolo fornece o diagnóstico; c) constitucional, em que os principais aspectos são: anemia, perda de peso, fadiga, cansaço, elevação do VHS, febre de origem desconhecida, sinais de artrite reumatóide e elevação das proteÃnas plasmáticas.
A investigação diagnóstica pode ser realizada através do ecocardiograma ou cineangiocardiografia, sendo esta última dispensada quando o paciente tem idade inferior a 40 anos e não havendo necessidade de estudo coronariográfico.
Uma vez feito diagnóstico, não deve protelar a cirurgia, pois cerca de 8% dos pacientes diagnosticados falecem aguardando cirurgia.
Quanto aos aspectos cirúrgicos a via de acesso mais utilizada e a transeptal. Parte do septo interatrial deve ser ressecada justamente onde esta o pedÃculo do tumor. Os bordos do septo devem ser cauterizados englobando a artéria que nutre a neoplasia. A evolução tardia e bem favorável.
A recorrência do tumor é de 14% com tempo médio de três anos.
Referências:
Semb BKH - Surgical considerations in the treatment of cardÃac myxoma. J Thorac Cardiovasc Surg. 1984;87:251.
Williams WJ, Jenkins D, Erasmus D - The ultrastructural of cardÃac myxoma. Thorax. 1970;25:756.
Bulkley BH, Hutchins GM - Atrial myxomas: a fifty year review. Am Heart J. 1979;97:639.
Carvalho RG, Giublin PR, Rachid A, Costa IA, Cunha GP - Mixoma de átrio esquerdo: Aspectos cirúrgicos e ultraestruturais. Relato de 2 casos. Arq Bras Cardiol. 1988;51(2):171-175.
Tags: estenose mitral, hipertensão pulmonar, neoplasia

silvia marques comenta:
2 Abril, 2008 @ 11:30
bom dia
trabalhamos aqui - no IPREF, Instituto de Previdência de Guarulhos/SP, na área administrativa de perÃcia médica, e a pesquisa sobre mixoma de átrio, foi de grande valia, neste momento.
gostaria de receber, se possÃvel, informações, novidades e etc na área de saúde
muito grata
SÃlvia Marques
carlos zanelato comenta:
16 Agosto, 2008 @ 16:44
minha esposa teve essa doença gracas a DEUS ja fez a cirurgia