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07

Contos de Silvia Trevisani - O que vejo da minha janela

Categoria(s): Contos e Poemas


Emoção

Colaboradora: Silvia Cristina Martins Trevisani *

* Poetisa Paulista

O QUE VEJO DA MINHA JANELA

O que vejo da minha janela está dentro do meu coração!
Ontem, via um jardim maravilhoso, cheio de flores de espécies e cores variadas.
No centro dos meus olhos, um lago de águas azuis da cor do céu, cheio de cisnes brancos nadando, enfeitando a paisagem e enfeitiçando meu olhar.
Via também o arco-íris cortando o céu, disputando lugar com o sol.
Nos bancos espalhados pelo jardim, casais de namorados conversavam, fazendo declarações de amor eterno e outros passeavam de mãos dadas, aproveitando o pôr-do-sol alaranjado.
Nas copas das árvores, um bando de passarinhos gorjeava e outros enfileiravam nos fios de um lado a outro como se quisessem celebrar a liberdade comigo.
Os anciões passeavam com as suas senhoras de braços dados, com os chapéus nas mãos e um largo sorriso nos lábios, me fazendo acreditar que a vida no futuro seria muito melhor.
As crianças brincavam na grama com os seus pais, e a alegria era tanta que via através delas o futuro dos meus filhos.
Mas hoje abri a janela e não vi mais nada, levei as mãos nos olhos e busquei a esperança de ontem e não a encontrei.
Só consegui ver uma floresta de pedras tentando alcançar o céu, crianças brincando presas em apartamentos, e outras disputando lugares nos semáforos da cidade. Os idosos sendo discriminados na sociedade… Homens e mulheres correndo de um lado para outro em busca de bens materiais… Ônibus… Carros… E a tecnologia crescendo minuto a minuto… E nada de cisnes brancos nadando no meu lago azul…
Meu coração se fechou e com ele se foi toda a beleza que via da minha janela.

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2 Comentários »

  1. Eneida Tagliolatto Pires comenta:

    7 Março, 2008 @ 01:20

    Silvia, eu ainda não tinha lido esse poema, somente ouvido, quando num dos nossos encontros literários, você nos agraciou com sua leitura. Meus ouvidos mandaram para meu cérebro e ele comandou uma emoção muito grande para o meu coração. Lembro-me mutio bem que fiquei imensamente emocionada.
    Hoje li, e novamente a emoção tomou conta de mim. Li devagar como se estivesse degustando um inebriante vinho, um néctar dos deuses.
    Nesse momento são 00:16 de um novo dia. Estou sem sono e espero que o sono não venha agora depois dessa leitura, porque seria estragar essa sensação tão boa que estou sentindo, não a sensação da segunda abertura da janela, mas a da primeira que deixou-me uma esperança de ver novamente o que ainda com toda certeza está dentro do teu coração.
    Parabéns minha preciosa amiga.
    Eneida Tagliolatto

  2. Gabriel Araújo dos Santos comenta:

    7 Março, 2008 @ 09:37

    É a repetição da expulsão do paraíso, só que uma expulsão coletiva.
    É o olhar pela segunda janela que está prevalecendo e vai prevalecer, a não ser que tomemos a firme decisão de adotar uma disciplina para que isso não ocorra. Primeiro, em nós próprios, e, depois, na sociedade de que fazemos parte. Creio que a Silvia, por meio da literatura, está na convicta tentativa de conseguir esse intento.

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