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Cirrose Hepática – Ascite volumosa

Categoria(s): Caso clínico, Gastroenterologia




Interpretação clínica – Ascite volumosa

Senhor de 48 anos solteiro, pedreiro, tabagista e etilísta crônico. Visto no pronto socorro com história que há 1 mês vem sentido dores em queimação nas pernas, tremores nas mãos, visão embaralhada. Sente muita canseira ao caminhar algumas quadras e melhora quando para de andar. Paciente emagrecido, com manchas equimóticas nos braços, pernas e abdomem. PA 100/70, coração rítmico com freqüência cardíaca de 100 bat/min; Abdomem volumoso, com presença de ascite volumosa, circulação venosa ascendente e presença de “spyders”. Pernas finas, com edema depressivo.

Como entender o caso?

AsciteO quadro clínico é representativo da fase avançada da cirrose hepática pelo álcool, onde ocorre uma desnutrição importante e a presença de ascite (líquido na cavidade abdominal) conseqüente da desproteinemia (hipoalbuminemia) e hipertensão portal. A deficiência da produção de fatores da coagulação pelo fígado lesado, especialmente protombina, ocasiona sangramentos e agravando a anemia carencial. O edema depressivo nas pernas é resultante da hipoalbuminemia.

Como deve ser o tratamento geral da cirrose hepática?

Dieta – A despeito de todo conhecimento acumulado nos últimos anos, ainda é comum os pacientes cirróticos serem colocados em dietas restritas, mesmo em fases incipientes da doença. Esses pacientes acabam apresentando-se com grau moderado a grave de desnutrição protéico-calórica. Não existem motivos para restrição de proteínas até que surjam sinais de encefalopatia e mesmo nessas ocasiões, pacientes com encefalopatia graus I ou II respondem bem à administração de dieta sem proteína animal, mas com até 1,5 g de proteína vegetal/kg de peso ideal (rica em aminoácidos de cadeia ramificada).

Os pacientes colestáticos estão aptos a ingerir gordura em sua dieta, para que não se agrave ainda mais seu déficit nutricional. Nesses pacientes, a utilização de dieta com maior conteúdo de triglicérides de cadeia média pode ser alcançada com emprego da banha de coco no preparo dos alimentos.

Outro fator agravante do estado nutricional tem sido a manutenção de dieta hipossódica rigorosa em pacientes com ascite em detrimento de seu estado geral. A recuperação nutricional desses pacientes torna mais fácil o manejo clínico, inclusive possibilitando reduzir a dose de diuréticos.

Terapias antifibróticas – Desde que a fibrose da cirrose hepática foi reconhecida como sua complicação mais deletéria, inúmeras terapias antifibróticas têm sido propostas. Dessas, a única que tem conseguido mostrar utilidade terapêutica é a colchicina, que vem sendo empregada no tratamento de cirrose hepática de diversas etiologias, especialmente a alcóolica e a cirrose biliar primária. Estudos clínicos sugerem que ela possa melhorar os parâmetros bioquímicos e, talvez, a sobrevida de pacientes com cirrose hepática. A terapêutica com colchicina visa resultados a longo prazo, especialmente após tempo mínimo de um ano de tratamento, quando melhora dos níveis séricos de albumina, pré-albumina e do tempo de protrombina pode ser observada. Esta droga não deve ser administrada a pacientes com úlceras gástricas em atividade. O efeito colateral mais comumente observado é a diarréia que responde rapidamente à interrupção da droga ou redução da dose.

Interferon – Estudos clínicos e experimentais indicam que o emprego de interferon pode reduzir os níveis de RNAm para o colágeno e regular a liberação de citocinas que estimulam sua produção.

Novas drogas se encontram em estudos, mas ainda não existe, na prática, nenhuma terapia concreta para o tratamento da fibrose do fígado.

Hepatoprotetores – Os chamados “hepatoprotetores” não se mostraram capazes de alterar o curso da doença, nem deter a necrose hepatocelular.

Transplante hepático – Existe um grande risco do transplante hepático nesta fase da doença, pois inúmeros fatores estão envolvidos, sobre tudo a baixa capacidade imunológica desses pacientes.

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Referências:

Sherlock S. Dooley J. Alcohol and the liver. In: Sherlock S, Dooley J. editors. Diseases of the liver and biliary system. 11ª ed. Oxford Blackwell Science 2002 p 381-98.

Szwarcwald CL, Viacava F. O Brasil em dados: a Pesquisa Mundial de Saúde.
Diagnóstico & Tratamento 2004; 9:202-3.

Mincis M. Inquérito Nacional sobre doença hepática alcoólica. Apresentado ao XI Congresso Nacional de Hepatologia & Jornada Latino-Americana extra de Hepatologia;1991. Foz do Iguaçu; 3 a 6 de abril de 1991.

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12 Comentários »

  1. selma comenta:

    5 março, 2008 @ 11:29 AM

    caso muito interessante,para estudo universitarios,parabenizo,
    pelo trabalho.
    um abraço

  2. João Luiz de Almeida comenta:

    21 agosto, 2008 @ 1:38 PM

    Vi ha algum tempo atras algo referente a esteatose pulmonar,atraves de instilaçao e uso continuo de vaso dilatador nasal, e agora nada consigo achar poderiam me auxiliar? grato

  3. adriana comenta:

    21 outubro, 2008 @ 1:40 PM

    falta o diagnóstico , intervenção e evolução de enfermagem

  4. Priscila Bernardo comenta:

    14 abril, 2009 @ 6:48 AM

    Estafaltando antropometria do paciente como peso e altura para uma avaliação e acompanhamento nutricional

  5. Mara comenta:

    15 abril, 2009 @ 7:54 AM

    caso interessante com complicaçoes clinicas do genero da doença.
    Muito Bom

  6. Anônimo comenta:

    26 abril, 2009 @ 10:24 PM

    deveria especificar as dietas

  7. Maria das Dores Oliveira Santos comenta:

    17 junho, 2009 @ 3:05 PM

    Achei muito interessante essas explicações, pois através delas agora posso entender o porque das mudanças em minha cunhada, que é portadora de cirrose hepática.
    Gostaria de saber se há contamição através de utensilhos domésticos, como: copo, prato, talher, etc..?
    Porque não gostaria de fazer isso, apesar das pessoas estarem sempre me alertando pra isso, e não acompanhei ela até o médico.
    O que devo fazer com esse caso? Pois já noto a barriga dela muito volumosa.
    Obrigada!

  8. Dr. Armando Miguel Jr comenta:

    17 junho, 2009 @ 6:48 PM

    Maria das Dores.
    A cirrose hepática é o estágio final de inúmeras doenças. A contaminação dos familaires e pessoal que cuida desses doentes depende se a causa da cirrose for um doença infecciosa como hepatite viral.
    Veja com o médico que acompanha o caso quais cuidados tomar a este respeito.

  9. lazaro borges de carvalho comenta:

    8 julho, 2009 @ 11:57 AM

    meu pai tem essa doença siroze hepática estou com muito medo de o perde esta doença tem cura.e muito importante oque voçes fazem deichando agente mais imformados.sou de salinas mg somos de familia muito umildio e minha maé esta muito preocupada com a saúde dele porque toda pessoa tem que te mais uma chance na vida e prá ele ter mais chance ele vai ter de de depender de alguém se enteresar no nosso casso ajude o meu pai 03891825930 ou 3838414911 falar com fátima

  10. adriana comenta:

    26 outubro, 2009 @ 5:17 PM

    meu pai tem cirrosehepatica e ascite volumosa desejaria saber se existe tratamento para essa doença.

  11. neide comenta:

    18 agosto, 2010 @ 9:52 PM

    meu sogro e portador da cirrose hepatica a mais ou menos 6 anos, mais ele escondeu de todos ate que um anos atraz veio adona, teve sangramento alto ficou em coma por conta disso, e nunca mais ele teve vida normal, vive mais no hopital doque em casa,os medicos já falarão para mim não compra os medicamentos caros que não estão fazendo mais efeito.como e que que pode um negocio desse,então ele vai morre dessa doença que pelo visto não tem cura?

  12. mariaceliade o santos comenta:

    20 novembro, 2011 @ 11:41 PM

    estou muito doente tenho varize no sofago e sirozi epatica e pareci q tenho tambem epatite c gotaria de saber sobri minhas doencas pios estou perdeda vou comeca o tratamento agora mas e muito deficio pois tive uma crise muito forte q pasei 4 dias no hge de maceio omde eu moro vomitei muito sangui estou debilita tomei 4 bolca de sangi mas ja estou em casa vou comeca a faser a biopisia do figado mas aqui e muito cara mas vou comsegui se deus quiser qero saber mas sobri essa doenca tao fei um medico ou um estudante de medicina q possa mi da uma luiz obrigado mi desculpe os erros

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