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Fev
25
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Estudo de caso - SÃndrome de Horner
Categoria(s): Cardiogeriatria, Caso clÃnico, Emergências, Neurogeriatria |
Interpretação clÃnica
Paciente de 60 anos, procurou o setor de emergência do hospital, com queixa de dor aguda à esquerda no queixo, face e região frontal da cabeça. Há 2 dias teve perda visual no olho esquerdo. Hoje apresentou 2 episódios transitórios de dormência e fraqueza na mão esquerda. O exame fÃsico está normal, exceto por pupila miótica à esquerda (foto).
Qual o diagnóstico provável?
A SÃndrome de Horner é caracterizada pela interrupção do nervo oculossimpático entre sua origem no hipotálamo e o olho. Claude Bernard primeiro notou a condição experimentalmente em 1852, e o oftalmologista suÃço Johann Friedrich Horner descreveu-a em 1869. Pela participação dos dois médicos na descrição da clÃnica e fisiopatologia da sÃndrome, ela é conhecida com SÃndrome de Claude Bernard -Horner (SCBH).
Clinicamente, ocorre uma ptose palpebral discreta a moderada da pálpebra superior, devida a uma paresia do músculo tarsal superior ou de Müller. A pupila apresenta uma miose variável, que depende da localização, grau e cronicidade do déficit. A sÃndrome é considerada completa quando esses sintomas estão associados à anidrose da hemiface ipisilateral, a um aumento da temperatura e à hiperemia facial.
Fisiopatologia da sÃndrome de Horner
O nervo simpático responsável pelo suprimento nervoso ocular e facial segue um trajeto descendente desde o hipotálamo, através do primeiro neurônio motor, até o tronco do encéfalo, seguindo depois até o gânglio estrelado através do segundo neurônio motor. A seguir, alcança a face através do terceiro neurônio motor, distribuÃdo em dois feixes: um junto ao trajeto da artéria carótida interna, via destinada à musculatura lisa da pálpebra e pupila, e outro junto à artéria carótida externa, via destinada à s glândulas sudorÃparas da face.
Esse complexo trajeto da via simpática faz com que existam distintos nÃveis de interrupção do estÃmulo nervoso, que podem ser responsabilizados pela SCBH, e agrupados em lesões do cérebro, tronco cerebral, medula, vértebras torácicas de C8 a T1, cadeia simpática cervical e órbita.
A interrupção em qualquer lugar ao longo deste caminho pré-ganglionar (primeiro ou segundo neurônios antes da sinápse no ganglio cervical superior) ou pós-ganglionar (após ter saÃdo do gânglio cervical superior)- induzirá à sÃndrome ipsilateral de Horner.
Existem inúmera etiologias para a SÃndrome de Horner tais como:
Por lesão central - Tumor da pituitária, sifilis,esclerose múltipla, AVC, tumor de ponte.
Por lesão pré-ganglionar - Tumor de Pancost, tuberculose, dissecção da aórta ou da carótida,linfadenopatia.
Por lesão pós-ganglionar - Trauma, aneurisma, aterosclerose, herpes zoster, sinusite
Discussão do caso
A presença de dor facial ou de dor de cabeça frontal é um indÃcio importante para o diagnóstico e freqüentemente precede os sintomas ou sinais de isquemia retiniana ou cerebral.
A manifestação de sintomas visuais ou cerebrais transitórios, com SCBH ispilateral (do mesmo lado) é uma manifestação clássica de dissecção da artéria carótida. A dissecção arterial cervicocefálica extracraniana é uma causa importante de acidente vascular cerebral nos idosos e é importante o seu diagnóstico precoce por causa da oportunidade de intervir se o paciente apresenta-se antes que um acidente vascular isquêmico.
O seqüenciamento temporal dos sintomas retinianos e cerebrais focais seguindo o inÃcio de uma cefaléia por dois dias e a presença de SCBH são incompatÃveis com o diagnóstico de enxaqueca. A cefaléia súbita e grave que precede os sintomas neurológicos também seria pouco usual para cardioembolia recorrente.
Finalmente, se o paciente apresenta ptosis (paralisia dos músculos da pálpebra superior), nossa primeira supeita é de paralisia do terceiro par craniano. Porém, se não tiver diplopia (visão dupla) esta hipótese não deve ser considerada. Em alguns casos a ptose pode ser leve, não causando diplopia. Se a paralisia não está presente e observa-se anisocoria (pupilas de tamanhos diferentes - veja figura) exagerada a escuridão então a SCBH é a causa provável.
Referências:
Mokri B, Sundt TM Jr, Houser OW, Piepgras DG - Spontaneous dissection of he cervical internal carotid artery. Ann Neurol. 1986,19:126-138.
Giles CL, Henderson JW. Horner’s syndrome: an analysis of 216 cases. Am J Ophthalmol 1958;46(3):289-96.
Bates AT, Chamberlain S, Champion M, et. al. Pholedrine: a substitute for hydroxyamphetamine as a diagnosis eye drop test in Horner’s syndrome. J Neurology, Neurosurgery and Psychiatry 1995;58:215-7.
Pancoast HK. Superior pulmonary sulcus tumor. JAMA 1932;99:1391-6
