Fev
23

Aneurisma da aorta: Mesoaortite sifilítica

Categoria(s): Cardiogeriatria, Infectologia


Resenha

A sífilis é uma doença sexualmente transmissível, causada pela espiroqueta “Treponema pallidum“. O treponema atinge precocemente a parede da aorta, iniciando a destruição silenciosamente, já na fase aguda.

No sistema cardiovascular as conseqüências da sífilis, também conhecida como lues, são o resultado direto da infecção pela espiroqueta na camada média da aorta, o que se acredita que ocorra na fase secundária da doença, com inflamação e fibrose da parede da aorta. A lesão anatomopatológica e a endarterite obliterante dos vasa vasorum da adventícia da aorta, com obstrução perivascular por células plasmáticas e linfócitos. A parede da aorta vai se enfraquecendo progressivamente até sofre calcificação. Este processo acaba por causar dilatação aneurismática, e a íntima fica com aspecto classicamente descrito com casca de arvore (veja figura).

aortite sifilítica

Heggtvirt e cols em seu estudo do ponto de vista cardiológico encontrou:
1. paciente assintomáticos em 33% dos casos.
2. dilatação aneurismática da aorta em 50% dos casos.
3. insuficiência aórtica pura em 10% dos casos.
4. estenose do óstio coronário em 26% dos casos.

A insuficiência aórtica luética, lesão da valva aórtica (detalhe da figura), geralmente, ocorre em pacientes mais idosos com a doença cardiovascular, presumivelmente devido a longa duração da doença nestes indivíduos. A insuficiência aórtica decorre da dilatação da aorta e da medionecrose, afastando as cúspides da valva, impedindo que ela consigam se aproximar no ato de fechar a valva. Com isso, o sangue reflui da aorta parao ventrículo esquerdo, causando todos os sintomas da insuficiência valvar aórtica.

Goma sifilítica - raramente encontramos a chamada goma sifilítica, muito comum na sífilis neuro-cerebral, no miocárdio ou a miocardite septal descendente de Costero, que explica os distúrbios de condução freqüentes na insuficiência aórtica luética.

Classificação
- A mesoaortite sifilítica pode ser dividida em quatro categorias:
1. aortite não complicada.
2. aneurisma aórtico sifilítico.
3. valvulite aórtica com insuficiência aórtica.
4. estenose sifilítica do óstio coronário.

Diagnóstico - Considerando-se a caráter insidioso e oligossintomático da doença, freqüentemente está e objeto de achado de exame clínico de rotina (insuficiência aórtica pura), ou radiológico (dilatação aneurismática).

Na fase secundária e terciária da doença utiliza-se o soro diagnóstico com os seguintes exames:
1. Teste da imobilização do treponema - TPI.
2. Teste de absorção antitreponema - FTA-Abs.
3. VDRL.

O VRDL pode ser falso-positivo em gravidez, hanseniase, malária, leptospirose, tifo, hepatite, tuberculose, lúpus eritematoso sistematizado e artrite reumatóide. Além de ter 30% de negatividade.

Tratamento - A penicilina é o antibiótico mais efetivo. A penicilina benzatina e feita na dose de 2.400.000 U dose única. Nos pacientes alérgicos a penicilina utiliza-se a tetraciclina 3g durante 15 dias na sífilis precoce e 6g na sífilis tardia.

As indicações de correções cirúrgicas do aneurisma reservam-se para os aneurismas com diâmetro de 7 cm ou mais, aneurismas de qualquer tamanho com sintomas ou rápida expansão.

A troca valvar segue as indicações para insuficiência aórtica de outra etiologia.

A endarterectomia local dos orifícios da artéria coronária deve ser feita, uma vez que a doença coronária sifilítica e usualmente ostial.

Veja mais  - Insuficiência aórtica
Referências:

Ferrari AH, Miyagui T, Praxedes IK, Soares WTB - Mesoaortite ostial luética e infarto do miocardio. relato de caso. Arq Bras Cardiol,1986;46(6):421-424.

Heggtveit HA - Syphilitic aortitis. A clinicopathologic autopsy study of 100 cases, 1950 to 1960. Circulation,1964;29:346.

Carneiro RC, lion MF, Oliveira PRG, Juan ES - Coronarite ostial sifilitica. Arq Bras Cardiol,1976;29:235.

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1 Comentário »

  1. vani malaquias comenta:

    6 Março, 2008 @ 20:28

    Gostaria de obter mais informações sobre o artigo

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