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Fev
22
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Insuficiência aórtica
Categoria(s): Cardiogeriatria, Emergências |
Resenha
A insuficiência aórtica resulta da incompetência da valva aórtica em sustentar o sangue da artéria aórtica durante a diástole ventricular, permitindo que este retorne ao ventrículo esquerdo.
A insuficiência pode se instalar de forma aguda, na ruptura de uma de suas três cúspides, como é caso da endocardite infecciosa e nos aneurismas de seio de Valsalva, ou de forma lenta como nos casos de doença reumática, ou mesoaortite luética.
A instalação aguda geralmente e pouco tolerada, pois o ventrículo esquerdo não esta adaptado a esta nova realidade hemodinâmica, entrando em falência rapidamente com baixo débito periférico e edema agudo de pulso, sobretudo por ser este tipo de insuficiência aórtica constituído por grande regurgitação sangüínea.
A instalação lenta permite que haja uma compensação hemodinâmica do coração com hipertrofia e dilatação de sua musculatura ventricular esquerda. Esta insuficiência evolui por longo tempo praticamente sem sintomas. Tornando seu diagnóstico objeto de achado nos exames clínicos por outros motivos.
Após o diagnóstico, 75% dos pacientes sobrevivem em torno de 5 anos e 50% abaixo de 10 anos. Quando os sintomas se acentuam as condições clínicas pioram rapidamente, ocorrendo morte em 4 anos após o início da angina pecturis e 2 anos após a insuficiência cardíaca.
Aspectos clínicos
O paciente procura o médico com queixas compatíveis com angina pecturis, ou seja, dor precordial de forte intensidade, carater constrictiva, com duração variada de até no máximo 15 minutos, que aparece e piora com os exercícios físicos e emoções, e melhora com o repouso.
A angina aparece pela queda da pressão diastólica, condicionando menor fluxo efetivo nas coronárias e conseqüente isquemia miocárdica.
Muitas vezes, o paciente queixa-se de batimentos incomodos das artérias, sobretudo das carótidas, e da crossa da aorta na furcula esternal. Esta pulsátilidade resulta da chamada “danca das artérias” que é resultante a diferencial de pressão sistólica e diastólica muito elevada.
Os pacientes com insuficiência aórtica apresenta facies e pele com tonalidade característica de amarelo palido, conseqüente a adaptação circulatória (constrição em maior extensão e intensidade) da microcirculação periférico resultante da diferencial aumentada da pressão arterial. Devemos lembrar que estes pacientes tem resistência vascular periférica diminuída.
Propedêutica física
O exame do pré-cordio é extremamente importante para definir o grau de gravidade da lesão, sobretudo nas de instalação lenta, pois o ictus (ponto de maior impulsividade na caixa torácia) apresenta-se deslocado para fora da linha hemi-clavicular esquerda no sexto ou sétimo espaco intercostal, com extensão de 3 polpas digitais e impulsivo. Este tipo de ictus é denominado hipercinético, e interpretado como resultante de hipertrofia e dilatação do ventrículo esquerdo. A insuficiência aórtica é a doença que produz o maior aumento da massa muscular cardíaca.
A ausculta é característica, porém necessita de exame cuidados em ambiente silencioso para não passar despercebido. O sopro é holodiastólico no foco aórtico ou aórtico acessório, ou seja inicia-se forte logo após a segunda bulha e vai diminuindo de intensidade até o final da diástole ventricular. Este tipo de sopro recebe o nome de sopro aspirativo. Sua intensidade de ausculta coincide em grande parte com o grau de gravidade da lesão. Para melhor a ausculta faz-se a manobra de colocar o paciente sentado com o tronco para frente e para baixo (posição geno-peitoral) e em apnéia respiratória. Os frêmitos diastólicos (sensação palpatória do sopro sobre a caixa torácica) da insuficiência aórtica geralmente são pouco perseptiveis, mesmo nas grandes lesões valvares.
Exame ecodopplercardiográfico

A insuficiência aórtica crônica pode causar uma deterioração subclínica da função ventricular esquerda. Desse modo, a vigilância clínica, incluindo a avaliação seriada da função ventricular esquerda, a medida que ela se adapta a esta sobrecarga de volume, e extremamente importante. A ecocardiografia bidimensional nos fornece informações anatômicas que podem estabelecer a etiologia e indicar o momento ideal para a substituição da valva.
A ecocardiografia se presta no controle do tratamento das insuficiência aórtica aguda, como no caso da causadas por endocardite infecciosa, onde um grau intenso de regurgitação instala-se em um ventrículo esquerdo pequeno e não preparado, para recebe-lo, causando um abrupto aumento da pressão ventricular. De fato, a pressão ventricular elevada excede a pressão atrial esquerda antes do início da sístole ventricular, resultando no fechamento prematuro da valva mitral. A utilização, precoce, de vasodilatadores como o nitroprussiato de sódio, que diminui a grau de insuficiência aórtica, pode atenuar este fechamento precoce da valva mitral e melhorar a performace hemodinâmica, e o ecocardiograma permite este acompanhamento.
A investigação do ventrículo esquerdo pelo Doppler pulsátil pode estimar a gravidade da insuficiência aórtica. Quanto mais profundamente for registrado o jato da insuficiência aórtica no ventrículo esquerdo, maior o grau de insuficiência. Entretanto, sabe-se bem que o jato regurgitante da insuficiência aórtica pode ser excêntrico e de amplitude variável, o que pode explicar em parte uma correlação subótima entre a angiografia e o ecoDoppler.
A formação de imagens coloridas do jato pelo Doppler aumentou muito a confiança na avaliação do grau de insuficiência aórtica. Tem-se percebido uma melhor correlação com a angiografia, particularmente quando se compara a área do jato regurgitante nos cortes ortogonais do ventrículo esquerdo ou espessura do jato regurgitante, em relação a área da via de saída do ventrículo esquerdo, registrado imediatamente abaixo da valva aórtica.
O Doppler contínuo fornece informações hemodinâmicas, analisando a taxa de deterioração do perfil de velocidade (tempo de meia-pressão e tempo de meia-velocidade). Quando a insuficiência aórtica é grave, o gradiente entre a aorta e o ventrículo esquerdo na diástole dissipa-se mais rapidamente, produzindo um declínio mais rápido na velocidade de fluxo.
Tratamento
Após o diagnóstico, 75% sobrevivem após 5 anos e 50% abaixo de 10 anos, se não houver correção cirúrgica da valva. Quando os sintomas se acentuam as condições clínicas pioram rapidamente, ocorrendo o óbito em 4 anos após o início da angina pecturis e 2 anos depois da insuficiência cardíaca.
1. Lesão mímina - Reavaliação do caso semestralmente, com ecocardiograma para avaliação da função ventricular esquerda.
2. Lesão moderada
2a. com fração de ejeção de 50% a 55% - acompanhamento trimestral com ecodopplercardiograma.
2b. com fração de ejeção menor que 50% - indicação cirurgia de troca valvar.
3. Lesão grave - indicação de troca valvar.
Devemos salientar que a insuficiência aórtica e uma sobrecarga tanto de pressão, como de volume e resposta a substituição da valva aórtica e menos previsível que a troca das demais valvas.
Referências:
Roberts WC - Aortic dissection: anatomy, consequences and causes. Am Heart J. 1981;101:195.
Slater EE, De Sanctis RW - The clinical recognition of dissection aortic aneurysm. Am J Med. 1976;60:625.
Botvinick EH, Schiller NB, Wickramasekaran R, Klausner SC, Gertz E - Echocardiographic demonstration of early mitral valve closure in severe aortic insufficiency: Its clinical implications. Circulation. 1975;51:836-847.
Assey ME, Usher BW, Hendrix GH - Valvulopatia: uso de técnicas invasivas e não invasivas na tomada de decisões clínicas. Conceitos Modernos sobre doenças cardiovasculares. 1990,7(10):1-6.
Heggtvirt HA - Siphilitics aortis. A clinic pathologic autopsy sutdy of 100 cases, 1950 to 1960. Circulation, 1964;29:346.
Flint A - On cardiac murmurs. Amer J Med Sc,1862;44:29.
Tags: febre reumática, mesoaortite luética, seio de Valsalva

Gabriel Araújo dos Santos comenta:
22 Fevereiro, 2008 @ 04:46
Dia a dia vemo-nos surpreendidos por essa menina, a Sílvia, tal a facilidade com que transita nos meandros da existência humana. Ela diz o que tantos viventes querem dizer, mas por motivos que desconhecem, emudecem. Mas ela, a Sílvia, está aí a servir-lhe de intérprete.
MARLENE comenta:
9 Maio, 2008 @ 14:59
Por gentizela um pequeno esclarecimento, estive olhando esse site e achei interessante.
Tive recentemente um Enfarto do miocárdio, fis cateterismo, e em seguida
o ECOCARDIOGRAMA - que segundo os médicos constatou que o infarto me causou
lesões e uma veia entupida que não pode ser feito nada.
Fiquei desesperada, por favor me explique o que significa isso?
Dizem que tenhjo so 53% do meu coração o restanto esta morto?
Como pode?
Por favor me respondam com urgenciaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa
Deus os Abençoe
Dr. Armando Miguel Jr comenta:
9 Maio, 2008 @ 15:55
Marlene,
O infarto do miocárdio ocorre porque o sangue deixou de circular em uma artéria que manda o sangue para aquela área. Depois o infarto cicatriza, substituindo o tecido muscular cardíaco por cicatriz que é formada por um tecido fibroso. Esse tecido fibroso não tem a capacidade de contrair, como ocorre com o tecido muscular e os vasos dele são suficientes para ele continuar vivendo. Nos só fazemos uma irrigação, com desobstrução da artéria entupida, se existe na região do infarto, músculo cardíaco viável, ou seja, com condições de voltar a funcionar.
Pode ser que no seu caso ocorreu o infarto e cicatriz fibrosa na região, e irrigar a região não trará benefício.
Isso tudo, não significa que você não possa viver bem com o seu coração. nossa reserva cardíaca é bem grande e as parte sadias compensação a que está deficiente.
Boa sorte.
Adrianne comenta:
12 Julho, 2008 @ 10:38
Por favor, gostaria de ajuda!
Desde outubro de 2007 meu pai vem tendo síncopes ocasionais e súbitas, porém uma das vezes ocorreu por esforço físico. Na adolescência ocorrera uma vez. Nos desmaios porém ele não chega a perder totalmente a consciencia, demora a voltar fica muito pálido e a pressão fica baixa. Há alguns anos ao auscultarem seu coração perceram um sopro porém falaram que não era nada. Agora porém os desmaios se tornaram mais frequentes e os exames que ele fez acusaram estenose aórtica com 76mm de área livre na aorta. Qual será a possível causa desse problema? A cirurgia de troca de válvula é mesmo a indicada neste caso? ele tem 54 anos e o nível de plaqueta um pouco baixo. Existe risco neste tipo de cirurgia?
Agradeço imensamente a oportunidade.
Deus abençoe!
Dr. Armando Miguel Jr comenta:
12 Julho, 2008 @ 15:55
Adrianne,
Veja a página sobre estenose aórtica que foi ao ar no dia 09 de março de 2007.
SOLANGE comenta:
26 Novembro, 2008 @ 12:28
BOA TARDE MINHA MÃE TEM PROBLEMAS COM PRESSÃO ARTERIAL ALTA E POR ESTAR OSCILANDO CONSTANTEMENTE FIZEMOS UM ECO E NA CONCLUSÃO FINAL ESTAVA ESCRETO “DISCRETA INSUFICIENCIA AÓRTICA, E O MÉDICO DIAGNOSTICOU COMO EXAME CARDIACO NORMAL.
ISTO É REALMENTE É NORMAL, ESTOU CONFUSA?
SOLANGE