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Fev
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Estudo de caso - Congestão pélvica
Categoria(s): Caso clínico, Ginecogeriatria |
Interpretação clínica
Senhora de 56 anos casada, queixa-se de desconforto na região abaixo do umbigo há 6 anos. Os sintomas apareceram de forma mais acentuada após a menopausa há 3 anos. Tem feito acompanhamento ginecológico de rotina e não faz terapia de reposição hormonal. Já consultou urologista que não detectou nenhuma anormalidade. Mãe de 2 filhos de parto normal. Ao exame físico, dores a palpação da região do hipogastro, obesidade leve, varizes em ambas as pernas, demais parâmetros clínicos normais.
Qual a hipótese diagnóstica e a conduta para o caso?
Aproximadamente 15% das mulheres podem apresentar uma sensação desconfortável, de peso na região inferior do abdomen, sem que encontre nenhuma evidência de inflamação pélvica ou outra doença da região urogenital. Estes sintomas podem ser decorrentes da presença de varizes na região pélvica.
Reichet descreveu em 1857 as varizes pélvicas pela primeira vez e as nomeou de varicocele tubo-ovariana1. Lefévre sugeriu que as varizes pélvicas observadas em mulheres multíparas eram conseqüência de veias dilatadas durante a gravidez e que não se recuperaram a morfologia depois do parto. Giacheto et al. demonstraram através de flebografia, o fluxo sangüíneo retrógrado através das veias ováricas e ilíacas internas em mulheres com síndrome de congestão pélvica crônica (SCPC).
Fisiopatogenia - incompetência das valvas venosas
Durante gravidez, a capacidade das veias ováricas pode aumentar 60 vezes e esta mudança pode persistir por até seis meses após o parto. Isto poderia explicar porque SCPC é mais comum em mulheres multíparas. Embora uma associação de varizes pélvicas e SCPC seja conhecida há muitos anos, porém, a incerteza da sua etiologia resultou em condutas terapêuticas diferentes com resultados variáveis. Veja na figura abaixo os plexos venosos do aparelho reprodutor feminino, o que pode explicar a facilidade do aparecimento das varizes pélvicas.
As mulheres mais idosas e jovens multíparas têm mais chance de ter SCPC, e estudos mostram que o refluxo através das veias ováricas dilatadas e com incompetência valvar * é o problema primário de SCPC. As valvas das veias ovárianas estão ausentes aproximadamente 15% de mulheres à esquerda e 6% à direita e bilateralmente em 35-43% dos casos. Além de incompetência valvar, alterações primárias da parede venosa, malformações arteriovenosas também são causas adicionais de varizes pélvicas.
Diagnóstico
O exame ginecológico geralmente é inconclusivo,mas varizes vulvares podem ser vistas na inspeção e dor pode ser referida durante a palpação dos anexos. O uso de métodos não-invasivos como o ultra-som Doppler colorido (mapeamento dúplex) transvaginal, utilizando janelas anatômicas específicas ou aproximação aumentadas auxilia no diagnóstico de SCPC. Este exame de ultra-som é um método bom para demonstrar varizes pélvicas, mas deve ser executado em posição ereta e com uma manobra de Valsalva para demonstrar o enchimento das veias pélvicas.
A flebografia (por cateterismo da veia femoral) das veias ováricas e ilíacas internas é considerada como o método padrão para o diagnóstico de varizes pélvicas, mas é invasivo e pode apresentar riscos.
A laparoscopia embora seja um exame invasivo demonstra com segurança as veias ectasiadas,varizes e congestão pélvica, ajuda a fazer o diagnóstico diferencial com outras doenças, e também pode ser utilizada para o tratamento dessa síndrome.
Tratamento
O tratamento clássico da SCPC é através de ligaduras das veia ováricas insuficientes e colaterais, e na maioria das vezes das ilíacas internas também, por via retroperitoneal.A embolização por via percutânea das veias ováricas varicosas e algumas vezes das veias ilíacas internas insuficientes é uma técnica segura e oferece alívio sintomático de dor pélvica na maioriade casos.
Mas recentemente também foi realizada ligaduradas varizes pélvicas por via laparoscópica,mostrando ser um método seguro e aliviando a síndroma de congestão pélvica crônica.
* veja mais sobre o papel da valvas venosas - Varizes: aspectos gerais
Referências:
Hobbs JT. The pelvic congestion syndrome. Br J Hospital Med 1990;43:200-6.
Capasso P, Simons C, Trotteur G, Dondelinger RF,Henroteaux D, Gaspard U. Treatment of symptomatic pelvic varices by ovarian vein embolization. Cardiovasc Intervent Radiol 1997;20(2):107-11.
Lefréve H. Broad ligament varicocele. Acta ObstetScand 1964;43:122-3.
Giacchetto C, Cotroneo GB, Marincolo F, Camisulu F, Caruso G, Catizone F. Ovarian Varicocele: ultrasound and plebographic evaluation. J Clin Ultrasound,1990;18:551-5.
Lechter A. Pelvic Varices: treatment. J Cardiovasc Surg 1985;26:111.
Goren G, Yellin AE. Primary varicose veins; and hemodynamic correlations. Cardiovasc Surg 1990;31 :672-7.

ROBERTA MING comenta:
28 Fevereiro, 2008 @ 20:03
BOA NOITE!!! VENDO ATRAVÉS DESTA SOLICITAR MAIS INFORMAÇÕES SOBRE VARIZES PÉLVICA. VOU SER CURTA EM RELAÇÃO A MINHA HISTÓRIA HJ EU TENHO 26 ANOS E TENHO UMA LONGA HISTORIA EM RELAÇÃO A VARIZES NAS PERNAS TANTO É QUE JÁ OPEREI 5 X A PRIMEIRA FOI COM 19 ANOS E A ULTIMA FOI EM NOVEMBRO DE 2007 ISSO PORQUE EU ESTAJA FAZENDO EXAMES PARA ENGRAVIDAR E QUANDO FUI FAZER O EXAME DE ULTRASSOM VASCULAR ACABEI TENDO QUE SUBMETER A CIRURGIA. MINHA ANGIOLOGISTA PEDIU PARA ESPERAR 06 MESES PARA PODER ENGRAVIDAR DEVIDO A GRAVIDADE DA CIRURGIA, MESMO COM TANTAS COISAS CONTINUEI FAZENDO ALGUNS EXAMES ATÉ PASSAR PELO ULTRASOM ENDOVAGINAL E LÁ PARA MINHA SURPRESA SURGIRAM VARIZES PÉLVICA, MEU MÉDICO FICOU ESPANTADO COM A QUANTIDADE, TANTO É QUE ME INFORMOU QUE FARA UMA LAQUIADORA ASSIM QUE TIVER O PRIMEIRO FILHO E DEPENDENDO DA SITUAÇAO QUE FICAR VOU ATÉ QUE TIRAR O UTERO, E TEM MAIS, ELE ME DISSE QUE DOS 29 ANOS DE CARREIRA ELE NUNCA VIU UM CASO ASSIM, PRINCIPALMENTE POR NÃO EU TER TIDO FILHOS (SÓ PARA INFORMAR EU TIVE UM ABORTO INSPONTANEO) E POR EU TER APENAS 26 ANOS. EU SINCERAMENTE ESTOU CONFIANDO EM TODAS AS PALAVRAS DO MEU MÉDICO POIS SEMPRE TIVE PROBLEMAS COM GINECOLOGISTA E ESSE FOI DEUS QUE COLOCOU NO MEU CAMINHO. ENFIM COMO ESSE TIPO DE VARIZES NÃO TEM TRATAMENTO ESPÉCIFICO SÓ QUERO SABER MAIS ASSUNTO E PRINCIPALMENTE CASOS, POIS COMO DISSE NO INICIO QUERO ENGRAVIDAR LOGO E QUERO SABER O QUE PODE ACONTECER DURANTE E DEPOIS DA GESTAÇÃO. OBRIGADA E FIQUEM COM DEUS.
Andre comenta:
7 Maio, 2008 @ 13:07
Rescentemente foram realizados teste no tratamento endovascular percutâneo na síndrome da congestão pélvica através da técnica de embolização.
No presente estudo, realizou-se a avaliação clínica e técnica do tratamento endovascular percutâneo na scpc através da técnica de embolização. Foram tratadas 113 mulheres, das quais 100 foram acompanhadas pelo período de um ano e a análise dos resultados foi baseada nessa amostra.
Obteve-se sucesso técnico em todos os casos, caracterizado pela possibilidade de realização do cateterismo seletivo das veias ovarianas e ilíacas internas com embolização das mesmas. A remissão total dos sintomas foi observada em 37 pacientes (32.7%) e parcial em 63 pacientes (55.4%).
Foi observado significativo alívio dos sintomas.
Alessandra Valéria comenta:
2 Julho, 2008 @ 10:46
Fiz no inicio do anos todos exames genecologicos, percebi que no momento do exame que tinha pequenas veias no meu utero, gostaria de ter mais informações sobre varizes no utero e como surgi.
Maria Luiza Cintra comenta:
13 Novembro, 2008 @ 08:04
após alguns anos sentindo fortes dores, principalmente quando fico excitada e/ou no momento do orgasmo, fazendo todos os exames e nada constatando, um ginecologista, infelizmente não atua mais, deu como diagnóstico, congestão pélvica, mas outros ginecologistas dizem que é psicológico, não concordo pois sinto estas dores até andando na rua. Gostaria de uma orientação.