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Insuficiência hepática aguda - Encefalopatia hepática

Categoria(s): Emergências, Gastrogeriatria


Resenha

Hepatite fulminanteA insuficiência hepática aguda (IHA) ocorre quando o fígado sofre uma grande agressão resultando em necrose das células hepáticas. 40% dos casos de IHA são causadas por infecção viral. O vírus da hepatite B é o agente mais comumente associado, podendo provocar a IHA na primeira exposição, depois da reativação de infecção crônica ou na co-infecção com vírus da hepatite D. Os outros agentes que podem causar a IHA são: viral - Hepatite A-E, Herpes simples ou Zóster, Citomegalovívus, Vírus Epstein-Barr; Fármacos - Paracetamol, Álcool, Halotano, Isoniazida, Rifampicina, AINEs; Tóxico - Tetracloreto de carbono.

Aspectos clínicos - Clinicamente, define-se IHA pelo aparecimento de alterações neuro-psíquicas de origem metabólica e potencialmente reversíveis, que traduzem agravamento funcional do fígado. A encefalopatia ocorre dentro de 28 dias desde o aparecimento de icterícia por lesão hepática.

Mais de 80% dos pacientes com IHA desenvolvem edema cerebral e suas conseqüências (pressão intracraniana elevada e herniação cerebral) são as causas mais comuns de óbito. Cerca de um terço dos pacientes com IHA desenvolvem edema pulmonar não-cardiogênico.

Exames diagnóstico - Os testes de função hepática: a bilirubina e as transaminases têm importância especial. O hemograma pode mostrar anemia e trombocitopenia. O perfil de coagulação (tempo e atividade de protombina, tempo de tromboplastina parcial) está alterado. As provas de função renal estão alteradas com creatinina elevada e uréia baixa. A glicemia (gliconeogênese defeituosa) está baixa. O ultra-som abdominal mostra o fígado diminuído de tamanho com ecotextura alterada.

Encefalopatia hepática

Quando ocorre a encefalopatia hepática, observamos progressiva lentificação da atividade neuronal. Nos últimos anos várias teorias procuraram explicar esse processo: deficiência de substâncias neuroestimuladoras (uréia, falsos neurotransmissores); excesso de substâncias depressoras da atividade cerebral (teoria do GABA). No entanto, nenhuma delas isoladamente conseguiu explicar satisfatoriamente a gênese da encefalopatia.

A encefalopatia hepática é classificada em quatro estágios:

Estágio 1. Alteração do comportamento e do ritmo sono-vigília. pode haver sonolência ou euforia.

Estágio 2. Idem estágio anterior com maior predomínio da sonolência e aparecimento do “Flapping” ou “Asterixis”.

Estágio 3. Paciente dorme a maior parte do tempo, mas responde a estímulos verbais. Confuso, voz arrastada. “Asterixis” evidente.

Estágio 4. Doente em coma podendo ou não responder a estímulos dolorosos.

Tratamento

Na maior parte das vezes, fator infeccioso, hemorragia digestiva ou desequilíbrio hidroeletrolítico ou ácido-básico, é desencadeante da encefalopatia e sua correção pode ser suficiente para o tratamento. Sedativos, ingestão protéica excessiva e obstipação intestinal são outros fatores desencadeantes.

Uma vez instalada a encefalopatia, a dieta deve ser imediatamente modificada. Nos casos brandos de encefalopatia se reduz a ingestão de proteína animal (geralmente para 20 g/d), optando-se por carne branca (peixes e aves). Nos casos mais graves ou rebeldes, suspende-se completamente a ingestão de proteína animal (carne, ovos, leite e derivados), substituindo-as por proteína vegetal (rica em aminoácidos ramificados). Nos pacientes em coma se administra de glicose hipertônica (10% a 50%), sabendo-se que é comum haver intolerância à glicose (pode ser necessária insulina). O emprego de solução intravenosa de aminoácidos ramificados está indicado nos pacientes com intenso catabolismo ou quando se prevê prolongada recuperação.

Terapia de enemas - Desde que a absorção intestinal de compostos nitrogenados esteja diretamente relacionada ao aparecimento ou agravamento da encefalopatia hepática, medidas visando o bloqueio de absorção ou modificação da flora intestinal estão indicadas ao lado da restrição protéica. Lavagem intestinal com neomicina, lactulose ou lactose ou ainda sulfato de magnésio deve realizada, especialmente nos casos de hemorragia digestiva em pacientes obstipados, cuidando-se para evitar espoliação de água e eletrólitos.

Perspectivas futuras - Mais recentemente, com os conhecimentos advindos do estudo dos receptores GABA e do complexo gaba-benzodiazepínicos, antagonista benzodiazepínico, o flumazenil tem sido empregado no tratamento dos estágios avançados da encefalopatia aguda e crônica. Os poucos estudos controlados com a droga e o elevado custo do medicamento nos fazem sugerir seu emprego apenas nos casos em que as medidas terapêuticas habituais tenham falhado.

Referências:

Mincis M. Doença Hepática Alcoólica. In: Mincis M, Editor. Gastroenterologia & Hepatologia 3ª ed. São Paulo, Lemos Editorial 2002, p. 695-716.

Mincis M, Mincis R. Hepatotoxicidade do etanol. Rev Gastroclínica 1995; 3:15-8.

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14 Comentários »

  1. muriel comenta:

    19 Maio, 2008 @ 19:35

    gostei do assunto gostaria q editassem a respeito, por ex:a diabete vai de 70 a200 quantidade de insulina para uma glicose perfeita o figado parece q e ate 37 , quando chega no nivel de 850 muito ultrapassado considera-se necrosado goataria de saber a respeito.

  2. jane comenta:

    25 Maio, 2008 @ 00:55

    olá gostei do assunto, gostaria de saber se quando a bilirrubina está alterada a direta, indireta e total, e a fosfatase também alterada, a pessoa com icterícia e dor abdominal e fez tomografia e constou um nódulo no pâncreas não tem um medicamento para abaixar a bilirrubina e melhorar a icterícia e ter um tratamento paliativo por favor envie a resposta meu email e janelavayen@hotmail.com

  3. Dr. Armando Miguel Jr comenta:

    25 Maio, 2008 @ 07:53

    Jane,
    O fato mais importante é o diagnóstico da doença que causou o nódulo no pâncreas (cisto, pseudocisto, câncer, etc). O tratamento depende deste diagnóstico.

  4. sidineia comenta:

    1 Agosto, 2008 @ 15:11

    meu marido tem encefalopatia crónica por alcool que já não toma faz tempo , como posso cuidar dele em casa ?quais cuidados devo ter?

  5. ROSEMARY SEVERO comenta:

    7 Agosto, 2008 @ 10:18

    Minha mãe tem cirrose a 2 anos e meio, de 1 ano pra cá apareceu a encefalopatia, tratamos com com o remédio lactulona, mas não resolve muito, pois tem dias que ela não conhece ninguem e pensa que está no passado, mas daqui a uns minutos ela começa agir naturalmente.
    Quanto tempo em média vive uma pessoa com esta doença?

  6. silvane comenta:

    20 Agosto, 2008 @ 21:49

    Boa noite…
    Tenho um amigo de 48 anos, que encontra-se com cirrose álcoolica, há mais de um ano que está em tratamento, no dia 9 de março,2008, teve uma hemorragia e foi internado, ficando 15 dias em coma. Depois deste quadro ficou com confusão mental,ora reconhece as pessoas, hora não, fica agressivo,fala o mesmo assunto por várias vezes e fica insistindo com coisas que não pode fazer. Ex. beber, andar sozinho, quer ir trabalhar etc.
    A cada 15 dias encontra-se internado,por motivos diferentes, como:
    1-agitação, agressividade, confusão mental, falta de sono;
    2- Inchação nos membros inferiores, erizipele,prisão de ventre,retenção urinária etc.
    Faz uso de lactulona, neomicina a 2%, omeprazol,por conta de uma úcera.
    Sabemos que o caso dessa pessoa é grave, onde é necessário um transplante. E estamos aguardando.
    Dentro deste assunto,gostaria de saber,o que pode ser feito para amenizar estas crizes.
    Estou aguardando com muita anciedade, o retorno de sua resposta.
    um grande abraço. Silvane Goes

  7. carolina comenta:

    9 Outubro, 2008 @ 16:43

    meu avo de 72 anos tem encefalopatia hepatica esta com anemia, nao anda sozinho, quase todo mês tem que ser internado e tem hepatite em um grau leve.
    gostaria de saber quais alimentos ele pode ou nao comer e se tem algo que melhore as condições de vida?

  8. Rafaela comenta:

    14 Outubro, 2008 @ 13:32

    Olá, gostaria de receber em meu emais, as respostas para todas as perguntas que foram feitas acima, meu pai tem 58 anos, e está com o enfalopatia, ele tem hepatite C.
    Obrigada

  9. zuila comenta:

    4 Novembro, 2008 @ 17:26

    minha mãe de 84 anos tem encefalopatia hepatica esta com anemia, gostaria de saber quais alimentos ela pode ou nao comer e se tem algo que melhore as condições de vida?

  10. domenica andrade di luca comenta:

    11 Novembro, 2008 @ 11:12

    Eu gostaria de mais informações a respeito da nutrição, talves um quadro com os alimentos.

    Obrigada

  11. Carenine Almeida comenta:

    12 Novembro, 2008 @ 15:12

    Boa tarde! Meu pai tam 68 anos, foi descoberto um tumor maligno no fígado, está com encefalopatia hepática e está sendo tratado com o *Lactulona, mas há 3 dias que não está fazendo efeito…. gostaria de saber se existe outra droga mais forte…. Obrigada!

  12. karyna victor comenta:

    16 Novembro, 2008 @ 13:57

    por favor me responda pois estou desesperada meu pai esta co cirrose mais nao quer ir ao medico e ele esta meio doido.gostaria de saber o que eu devo fazer dar pra ele comer?

  13. Fátima comenta:

    28 Novembro, 2008 @ 08:49

    Foi diagnosticada Encefalopatia Hepatica à minha mãe.
    Não sei que tipo de alimentação devo adoptar para minorar os efeitos da doença.
    A única coisa que me disseram foi para lhe dar água.
    OBRIGADA

  14. Rafaela comenta:

    28 Novembro, 2008 @ 08:57

    Olá Fatima, meu pai tbm está com encefalopatia Hepatica, e está fazendo o tratamento seguido
    da alimentação correta que deve ser aplicada nesse caso.
    No momento eu nao sei exatamente oq é realmente necessario, em relação a alimentação,
    medicamentos.. etc… pois quem cuida e acompanha bastante meu pai é a minha mãe.
    VOu conversar com ela, e ainda hj te responde exatamente tudo oq é necessario para o tratamento da sua mãe. ok?
    Abraços
    Rafaela F.

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