Fev
02

Varizes - Aspectos gerais

Categoria(s): Cardiogeriatria


Resenha

A avaliação dos vasos das pernas e o diagnóstico das possíveis varizes tem o seu grande valor não só do ponto de vista estético, mas na prevenção das suas graves complicações como: celulite, edema, eczema, dermatofibrose, úlceras, hemorragias, flebites, trombose e embolia pulmonar, até mesmo óbito.

As varizes podem ser classificadas como primárias e secundárias, com características distintas, tanto do ponto evolutivo como terapêutico.

Varizes primárias - Nas varizes primárias os defeitos se localizam nas válvulas e/ou paredes venosas. variando em número, intensidade e localização. A insuficiência na croça ou nas veias perfurantes comunicantes permite o refluxo durante os esforços ou deambulação com conseqüente dilatação dos troncos venosos. Essas varizes estão relacinadas com fatores hereditários.

A tortuosidade e a alteração no calibre da veia são causadas pela ruptura dos feixes elásticos e musculares da camada média da parede da veia, com posterior fibrose, comprometendo não só a função condutora das veias superficiais como sua capacidade de reservatório sangüíneo.

varizes secundárias - As varizes secundárias são as que surgem após doenças conhecidas como fístulas arteriovenosas, “shunt” arteriovenosos utilizados nas terapias de hemodiálise, trombose venosas.

Fatores desencadeantes das varizes - Os fatores desencadeantes (idade, obesidade, gestações, profissão) das varizes geram e perpetuam o processo varicoso.

Nos idosos, com o envelhecimento a parede das veias perdem o tonus e as válvulas se tornam insuficientes, ocasionando as varizes e piorando as existentes.

varizes

Drenagem venosa das pernas - A drenagem venosa das pernas (tecidos cutâneo, subcutâneo e tecido muscular) é feita pelos; sistema venoso superficial (15%) e os sistemas venosos profundo e perfurante comunicante que respondem pela drenagem dos 85% do sangue das extremidades.

O organismo humano utiliza-se de alguns mecanismos para auxiliar o retorno venoso das pernas quando a pessoa fica em pé e a força da gravidade gera uma dificuldade para o retorno venoso: o “coração venoso periférico”, as válvulas venosas, a aspiração torácica, a pressão vis a tergo no leito arteríolo-capilar, a viscosidade sangüínea e finalmente a pulsatilidade das artérias.

O “coração venoso periférico” consiste na ação da massa muscular da panturrilha sob todas as veias dos membros inferiores com o auxílio das válvulas venosas. Todos os segmentos venosos possuem essas válvulas que, quando íntegras, permitem a passagem do sangue da superfície para a profundidade e desta para o coração. Na marcha, esses músculos se contraem, comprimem as veias profundas e as válvulas íntegras orientam a coluna sangüínea centripetamente.

Diagnóstico clínico

O diagnóstico das varizes, aparentemente é fácil, ou seja, estando a pessoa em pé, visualizar-se as veias dilatadas. Porém, muitas vezes os médicos, são “especialistas” que se dedicam apenas a observar as queixas do paciente, esquecendo de vê-lo como um todo. Poucos médicos pedem aos seus paciente que levantem um pouco a calça comprida ou o vestido para observar as veias das pernas. O exame local das veias é realizado com o intuito de auxiliar no diagnóstico etiológico diferencial, avaliar o grau evolutivo da doença e orientar o tratamento.

Ao exame físico observa-se que as varizes primárias apresentam distribuição sistematizada, com comprometimento dos troncos principais e suas colaterais. Nas varizes secundárias, ao contrário, o varicosamento é anárquico, comprometendo difusamente o sistema venoso superficial e o perfurante comunicante.

Nas varizes primárias as alterações da pele são mais tardias e menos extensas. A presença de vícios plantares, posturais ou seqüelas de lesões ortopédicas, tais como atrofias musculares, rigidez articular, e a existência de sopro e frêmito contínuo com reforço sistólico, é sinal importante para o diagnóstico de varizes secundárias.

Diagnóstico laboratorial

O complemento do estudo das veias pode ser feito pela ultra-sonografia Doppler e/ou flebografia ascendente.

A ultra-sonografia Doppler, também chamado de Duplex, é o método ideal para o estudo da permeabilidade do sistema venoso profundo e superficial, tanto por sua inocuidade, como por sua segurança e precisão de informações que fornece. O Duplex, também fornece informações sobre a competência das válvulas venosas estudadas ou a presença e o grau de refluxo. O exame do sistema venoso profundo ao Duplex nos fornece dados quanto à sua patência, recanalização e espessamento potencial, que são sinais da síndrome pós-trombótica. A presença de fístulas arteriovenosas de alto débito são facilmente diagnosticadas por esse método.

A flebografia ascendente é um estudo invasivo em que se injeta, através de uma veia superficial do pé, contraste iodado. Durante a injeção de contraste o tornozelo do paciente deverá estar garroteado para que o contraste migre para o sistema venoso profundo. A finalidade deste exame é verificar obstruções, recanalizações e presença de válvulas no sistema venoso profundo e pontos de refluxo para o sistema venoso superficial. A flebografia retrograda consiste na injeção de contraste iodado na veia femoral com o paciente deitado num angulo de 60°. Este exame permite verificar o grau de incompetência das válvulas do sistema venoso profundo.

Tratamento

O tratamento das varizes dos membros inferiores tem como objetivo a diminuição da estase venosa e melhora funcional do retorno venoso, evitando assim as complicações das varizes. As duas opções de tratamento são a cirurgia de ressecção das veias varicosas e o tratamento clínico, pela compressão elástica do membro.

Tratamento cirúrgico - A cirurgia das varizes tem por objetivo a ressecção das varizes e a eliminação de todos os pontos de refluxo entre os sistemas venosos profundo e superficial, ou seja, croças das veias safenas e comunicantes insuficientes.

Tratamento clínico - O tratamento clínico consiste em medidas que visem melhorar o retorno venoso e fortalecer os vasos. A atividade dos músculos da panturrilha é o fator mais importante no retorno venoso dos membros inferiores, o paciente deve ser estimulado a andar e não permanecer sentado ou de pé parado por longos períodos de tempo. O uso de meia ou enfaixamento elástico diminui a capacidade da rede venosa superficial e se opõe ao refluxo do sangue do sistema venoso profundo. O doente deve ser orientado a adotá-lo, constantemente, durante o dia, a partir do momento que inicia a deambulação.

Veja mais - Varizes: Complicações

Referências

Biegeleisen HI: Telangectasias associated with varicose veins. JAMA 102: 2092, 1994.

Cotton LT. Varicose Veins: Gross anatomy and development. Br J Surg. 1961; 48:589-598.

Goldman MP, Fronek A: Anatomy and pathophysiology of varicose veins. J Dermatol Surg Oncol 1989; 15:138-145.

Goren G, Yellin AE: Primary varicose veins: Topographic and hemodymamic correlations. J Cardiovasc Surg 1990; 31:672-677.

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