Jan
23

Estudo de caso - Síndrome do seio carotídeo

Categoria(s): Cardiogeriatria, Caso clínico


Interpretação clínica

Senhor de 64 anos, trazido ao pronto socorro com história de ter sido encontrado caído no quarto. O filho relata que encontrou o pai caído quando estava se vestindo para ir ao jantar de 40 anos de casamento com a mãe e filhos. No exame de entrada no pronto socorro está bem lúcido, consciente e sem déficit motor. Refere que deve ter ficado desmaiado por alguns segundos, que logo recobrou a consciência. Somente se lembra que estava vestindo a camisa e o colarinho estava muito apertado dificultando fechar o botão e colocar a gravata, e isso estava deixando-o nervoso. Havia feito um check up médico há 4 meses e todos os exames estavam normais. No exame cardiológico, pressão arterial normal, pulsos normais, freqüência cardíaca de 80 batimentos por minuto. No exame neurológico normal. Eletrocardiograma normal.

Qual o possível diagnóstico e que exame ajuda no diagnóstico?

A histório do paciente permite o diagnóstico de síncope de origem circulatória, ou por queda da pressão arterial, ou parada dos batimentos cardíacos (assistolia). Episódios de taquiarritmia (fibrilação atrial, taquicardia ventricular) seriam percebidas pelo paciente. Um dos motivos que explicariam a síncope seria a resposta vagal (disfunção vagal), que ocorre quando a pessoa muda súbitamente da posição supima (deitada) para ereta (em pé). Veja hipotensão ortostática

O relato do paciente, que está tendo dificuldades para fechar o botão do colarinho da camisa, que estava muito apertado, sugere compressão do seio carotídeo.

Denomina-se seio carotídeo hipersensível se existe resposta exagerada ou hiperativa a compressão mínima do seio carotídeo, com assistolia (por causa sinusal ou Bloqueio AV paroxístico) igual ou maior que 3 segundos (resposta cardioinibitória) e/ou da pressão sistólica igual ou maior que 50 mmHg (resposta vasodepressora). Fala-se em síndrome do seio carotídeo quando além da hipersensibilidade do seio carotídeo, existem sintomas que surgem em decorrência de movimentos rotineiros que estimulam o seio carotídeo (colarinho apertado, ato de barbear ou virar a cabeça, etc).

seio carotídeo

O diagnóstico é realizado com verificação deste fenômeno no setor de estudo hemodinâmico, com monitorização dos parâmetros cardiovasculares, e aplicando uma massagem no seio carotídeo (veja a figura).

Indica-se o implante de marca-passo nos pacientes com síncopes repetidas, claramente provocadas por estimulação do seio carotídeo, nos quais manobras provocativas míminas produzem assistolia superior a três segundos, na ausência de medicação que deprima a função sinusal ou condução AV.

O seio carotídeo localiza-se na bifurcação da artéria carótida comum nas carótida interna e externa. Essa estrutura nervosa transmite ao cérebro as informações pressóricas que passam na artéria carótida, regulando a pressão arterial e a freqüência cardíaca.

seio carotídeo

Discute-se a indicação para os pacientes com síncopes ou pré-síncopes repetidas, sem ocorrências provocadoras evidentes e com resposta cardioinibidora superior a três segundos.

Não esta indicado o implante de marcapasso aos pacientes assintomáticos ou com sintomas vagos, como tonturas ou vertigens, mesmo com resposta cardioinibidora a estimulação do seio carotídeo, ou cuja resposta seja exclusivamente vaso-depressora.

Referência:

Lorga AM, Paola AAV, Sosa EA, Maia IG, Pimenta J, Gizzi JC, Rassi SG - Diretrizes para implante de marcapasso cardíaco definitivo. Arq Bras Cardiol. 1988;50(3):209-212.

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1 Comentário »

  1. Eneida Tagliolatto Pires comenta:

    23 Janeiro, 2008 @ 05:32

    Bom dia, Armando.
    Achei interessantísimo esse artigo sobre Sindrome do Seio Carotídeo, pois mesmo sendo leiga, é muito bom manter-se informada sobre situações que muitas vezes pode ocorrer com alguém da família.
    Tendo uma informação, fica mais fácil de prestarmos atenção se isso acontece repetidamente, aí já procurarmos um especialista ou se for esporádicamente, não precisamos nos assustar muito. Mas mesmo assim é bom ouvir a opinião do (a) especialista. “Precaução e caldo de galinha não faz mal a ninguém”, dizia minha mãe.
    Abs, Eneida

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