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Estudo de caso – Síndrome do seio carotídeo
Categoria(s): Cardiogeriatria, Caso clínico |
Interpretação clínica
Senhor de 64 anos, trazido ao pronto socorro com história de ter sido encontrado caído no quarto. O filho relata que encontrou o pai caído quando estava se vestindo para ir ao jantar de 40 anos de casamento com a mãe e filhos. No exame de entrada no pronto socorro está bem lúcido, consciente e sem déficit motor. Refere que deve ter ficado desmaiado por alguns segundos, que logo recobrou a consciência. Somente se lembra que estava vestindo a camisa e o colarinho estava muito apertado dificultando fechar o botão e colocar a gravata, e isso estava deixando-o nervoso. Havia feito um check up médico há 4 meses e todos os exames estavam normais. No exame cardiológico, pressão arterial normal, pulsos normais, freqüência cardíaca de 80 batimentos por minuto. No exame neurológico normal. Eletrocardiograma normal.
Qual o possível diagnóstico e que exame ajuda no diagnóstico?
A histório do paciente permite o diagnóstico de síncope de origem circulatória, ou por queda da pressão arterial, ou parada dos batimentos cardíacos (assistolia). Episódios de taquiarritmia (fibrilação atrial, taquicardia ventricular) seriam percebidas pelo paciente. Um dos motivos que explicariam a síncope seria a resposta vagal (disfunção vagal), que ocorre quando a pessoa muda súbitamente da posição supima (deitada) para ereta (em pé). Veja hipotensão ortostática
O relato do paciente, que está tendo dificuldades para fechar o botão do colarinho da camisa, que estava muito apertado, sugere compressão do seio carotídeo.
Denomina-se seio carotídeo hipersensível se existe resposta exagerada ou hiperativa a compressão mínima do seio carotídeo, com assistolia (por causa sinusal ou Bloqueio AV paroxístico) igual ou maior que 3 segundos (resposta cardioinibitória) e/ou da pressão sistólica igual ou maior que 50 mmHg (resposta vasodepressora). Fala-se em síndrome do seio carotídeo quando além da hipersensibilidade do seio carotídeo, existem sintomas que surgem em decorrência de movimentos rotineiros que estimulam o seio carotídeo (colarinho apertado, ato de barbear ou virar a cabeça, etc).
O diagnóstico é realizado com verificação deste fenômeno no setor de estudo hemodinâmico, com monitorização dos parâmetros cardiovasculares, e aplicando uma massagem no seio carotídeo (veja a figura).
Indica-se o implante de marca-passo nos pacientes com síncopes repetidas, claramente provocadas por estimulação do seio carotídeo, nos quais manobras provocativas míminas produzem assistolia superior a três segundos, na ausência de medicação que deprima a função sinusal ou condução AV.
O seio carotídeo localiza-se na bifurcação da artéria carótida comum nas carótida interna e externa. Essa estrutura nervosa transmite ao cérebro as informações pressóricas que passam na artéria carótida, regulando a pressão arterial e a freqüência cardíaca.
Discute-se a indicação para os pacientes com síncopes ou pré-síncopes repetidas, sem ocorrências provocadoras evidentes e com resposta cardioinibidora superior a três segundos.
Não esta indicado o implante de marcapasso aos pacientes assintomáticos ou com sintomas vagos, como tonturas ou vertigens, mesmo com resposta cardioinibidora a estimulação do seio carotídeo, ou cuja resposta seja exclusivamente vaso-depressora.
Referência:
Lorga AM, Paola AAV, Sosa EA, Maia IG, Pimenta J, Gizzi JC, Rassi SG – Diretrizes para implante de marcapasso cardíaco definitivo. Arq Bras Cardiol. 1988;50(3):209-212.
Tags: assistolia, bradicardia, hipotensão ortostática, seio carotídeo

Eneida Tagliolatto Pires comenta:
23 janeiro, 2008 @ 5:32 AM
Bom dia, Armando.
Achei interessantísimo esse artigo sobre Sindrome do Seio Carotídeo, pois mesmo sendo leiga, é muito bom manter-se informada sobre situações que muitas vezes pode ocorrer com alguém da família.
Tendo uma informação, fica mais fácil de prestarmos atenção se isso acontece repetidamente, aí já procurarmos um especialista ou se for esporádicamente, não precisamos nos assustar muito. Mas mesmo assim é bom ouvir a opinião do (a) especialista. “Precaução e caldo de galinha não faz mal a ninguém”, dizia minha mãe.
Abs, Eneida
Denise Gabinio comenta:
19 fevereiro, 2009 @ 8:50 PM
Dr. Armando
Adorei as informações aqui contidas. Hoje vim de um Neuro com minha filha (22 anos), ela vem apresentando alguns desmaios, depois que resolveu fazer Boxe. Quando adolescente, ela teve por 2 vezes, chegando a perda da consciência, por alguns segundos. Uma vez, estava em um cabelereiro e outra vez em uma festa, fizemos vários exames e não foi descoberto nada. Agora que ela entrou no boxe, estava tendo diariamente, procuramos novamente médicos e até agora nada, até que hoje o neuro surgeriu procurarmos um cardiologista pedindo para que seja pesquisado a Síndrome referida neste artigo. Vim direto para a net, quando cheguei em casa, e achei muito bom o artigo, pois me proporcionou mais esclarecimentos. Obrigada
Denise
soraia Vieira comenta:
6 maio, 2009 @ 6:48 PM
Sou Fonoaudiologa e tenho um paciente que teve derrame o qual ja apresenta muita melhora apesar de o medico nao ter dado esperanças, o mesmo esta com parte motora comprometida dirieta e area da fala a compreençao ja esta quase totalmente integra, porem nao fala.
Ontem ele fez mas uma sessao de botox em regiao de perna direita e braço para melhorar na mobilidade e ter como locomover-se (nao eh a primeira vez que causou reaçoes como diarreia indisposiçao).
Desta vez ocorreu soluço por 7 horas seguidas e quando fui ao seu atendimento ja havia cessado por 12 horas e estava iniciando novamente ficando por aproximadamente por mais 2 horas.
Qual seria o procedimento melhor a tomar se recomeçar?
Carlos Rocha comenta:
8 setembro, 2009 @ 2:54 PM
Tenho 60 anos e faço caminhada e trotes e ando de bicicletas 4 a 5 vezes por semana. Em abril deste ano fiz ergométrico e eco cujos resultados foram normais. Sou hitertenso mais tomo regularmente a medicação e mantenho a pressão controlada. Dito isto vamos ao que interessa, neste dia 7/9/2009 fui à praia fiz 5 Km de caminhada e na volta vim trotando, ao chegar estava bem e passei a fazer alongamentos nas pernas, baixando a cabeça e segurando nas pernas. Apôs uns 3 minutos deitei na nos bancos da praia que fica a cerca de 2 metros de altura, resolvi verificar a freqüência cardíaca e passei a tentar localizar o pulso na carótida, fiz varias tentativas sem sucesso então me sentei retirei o relógio do pulso e tentei outra vez localizar o pulso na carótida, neste instante senti um tremor a vista escureceu e cai de costas na areia da praia. Como relatei anteriormente de uma altura de cerca de 2 metros. Quando retornei a consciência estava vário popular em minha volta perguntando se eu estava bem, logo após apareceu um guarda vida que verificou a minha freqüência cardíaca e solicitou uma ambulância. Fique cerca de 5 minutos deitado e passei a tentar mexer com as pernas e braços verificando que estava bem me levantei e fui para casa. No final por sorte não tive nada, ao cair bati com as contas a altura do rim esquerdo. Procurei o meu cardiologista que fez um eletro cujo resultado não apresentou alterações, e ele me relatou que a poderia ter acontecido uma baixa repentina da pressão em função da manipulação da carótida, e como orientação ele recomendou que após os exercícios não devemos baixar a cabeça e deitar e não manipular na região do pescoço.
Abraços.
Carlos Rocha.
Recife Pe