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Dissecção da aorta - aneurisma dissecante da aorta

Categoria(s): Cardiogeriatria, Emergências


 Resenha

 Dissecção da aorta

A dissecção aórtica ocorre quando o sangue penetra na parede da artéria a partir da camada íntima do vaso, criando um falso trajeto, como ilustra a figura acima. Este trajeto tem uma extensão variável de sua circunferência e ao longo da artéria.

Esta doença tem alta mortalidade, cêrca de 21% nas primeiras 24 horas, 50% nos quatro primeiros dias; e 90% nos três primeiros meses.

Para que ocorra a dissecção aórtica é necessário uma série de fatores predisponentes, sobretudo, a existência prévia de degeneração da túnica média, que consiste de deterioração do colageno e tecido elástico, freqüentemente com alterações císticas. O processo denominado de médio-necrose cística da aorta e o resultado do “stress” crônico, na parede aórtica, como na hipertensão arterial sistêmica, que é um fator importante encontrado em mais de metade dos casos.

A degeneração cística da média ocorre principalmente na Síndrome de Marfan, na Síndrome de Ehler-Danlos, na Doença de Erdheim e na Síndrome de Turner.
Doenças como coarctação da aorta e valva aórtica bicúspide parecem predispor a dissecção. Na gravidez há infiltração de mucopolissacarides na parede aórtica, o que aliado a outros fatores desconhecidos, predispõe a dissecção da aorta, bem como de artéria coronária, sobretudo no último trimestre.

Quadro clínico

Na dissecção proximal da aorta a dor geralmente é intensa na instalação, localizando-se na região anterior do tórax, podendo irradiar-se amplamente. E uma dor excruciante que atinge pico máximo na sua instalação, estando presente em 90% dos casos. Pode se acompanhar de manifestações vasovagais como sudorese, náuseas, vômitos e desfalecimento. A insuficiência aórtica esta presente em 50% dos casos ou mais, e é decorrente de: a) dilatação da raiz aórtica, com alargamento do anel, de modo que os folhetos não se coaptam na diastole; b) quando a dissecção é assimétrica, a pressão do hematoma deprime o folheto abaixo da linha de fechamento; c) o suporte dos folhetos é alterado ou os próprios folhetos sofrem rotura.

Diferença acentuada de pulsos arteriais ou da pressão sangüínea de um lado em relação ao outro e sugestiva de dissecção. Pode haver manifestações neurológicas com síncope, a qual freqüentemente se associa com tamponamento cardíaco e sinais focais. O atrito pericárdico, quando presente, constitui sinal de alarme, pois implica em rotura para dentro do pericárdio, mecanismo comum de morte na dissecção proximal.

Dentre as manifestações neurológicas pode haver também neuropatia periférica, paraparesia isquêmica (mais comum na dissecção proximal) e déficit nos membros inferiores. Pode haver também, síndrome de Horner (devido a compressão do gânglio simpático cervical superior) paralisia da corda vocal com rouquidão e massas pulsáteis. Pode também ocorrer compressão da arvore traqueobrônquica com sibilos, hemoptise e, finalmente, a dissecção pode atingir o septo interatrial e o NÓ AV resultando em bloqueio AV total.

Diagnóstico

O eletrocardiograma pode ser normal ou exibir sinais decorrente de patologia prévia como a hipertensão arterial sistêmica.

ECO O ecodopplercardiograma mostra o duplo lumem aórtico e o fluxo sangüíneo nos dois sentidos dentro da luz da aorta e na parede, sendo possível distingir o ponto de início da dissecção e quantificar a lesão.

A ecocardiografia transtorácica tem a grande sensibilidade para detectar as delaminações proximais, especialmente com o uso do doppler color. pode-se perceber um “flap” que se movimenta anarquicamente no interior do lumem verdadeiro e que representa o segmento parietal roto.

O ecotransesofágico tem alta sensibilidade e especificidade na definição diagnóstica e do grau de extensão da delaminação aórtica.

A aortografia é o exame mais positivo, podendo mostrar o falso lumem separado do verdadeiro pela íntima. Pode também quantificar o grau de lesão e a anatomia coronária.

Classificação

Segundo De Bakey, podemos classificar a dissecção da aorta da seguinte maneira: tipo I - quando ocorre dissecção total da aorta, desde a porção ascendente; tipo II - quando a dissecção envolve apenas a porção ascendente (arco aórtico); tipo III - que se origina na aorta descendente, imediatamente após a origem da artéria subclávia esquerda (IIIa - com acome-imento do arco aórtico, e IIIb - sem este comprometimento); tipo IV - com dissecção retrograda iatrogênica devido a cateterização arterial e canulação em cirurgia cardíaca.

Utiliza-se mais comumente a classificação em dois tipos: 1. proximal (tipo A); e 2. tipo dissecção distal (tipo B).

Diagnóstico diferencial

O diagnóstico diferencial é feito com infarto agudo do miocárdio, embolia pulmonar, acidente vascular cerebral, rotura de aneurisma do seio de Valsalva e abdome agudo cirúrgico.

Tratamento - O tratamento inicial se faz pela redução da pressão arterial, normalmente elevada, e reparo cirúrgico com reestabelecimento do trajeto sangüíneo para a luz verdadeira da aorta.

Referências:

Roberts WC - Aortic dissection: anatomy, consequences and causes. Am Heart J. 1981;101:195.

Slater EE, De Sanctis RW - The clinical recognition of dissection aortic aneurysm. Am J Med. 1976;60:625.

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7 Comentários »

  1. Adriana comenta:

    16 Março, 2008 @ 15:32

    Olá boa tarde! Bem tenho 35 anos e Dissecção de aorta com aneurisma.Tipo B. OS médicos, me falaram que no momento era muito perigoso fazer a cirurgia,q era apenas para cuidar da pressão arterial. E tb disseram que eles não tinham uma bola de cristal, isso realmente me assustou.Tomo vários medicamentos,para controlar a pressão. Gostaria de saber a opinião de vcs. Devo correr atrás para fazer a cirurgia,ou devo esperar a morte chegar como eles me falaram.
    Atenciosamente

    Adriana*

  2. Dr. Armando Miguel Jr comenta:

    27 Março, 2008 @ 21:55

    Adriana,
    Consulte outros especialista em cirurgia cardiovascular. Especialmente na cidade de São Paulo.

  3. santicleia comenta:

    21 Abril, 2008 @ 20:29

    oi,
    sou de porto velho rondonia, aqui não tem cirurgia para este caso, por causa disso meu esposo de 34 anos faleceu, ficou internado 5 dias e quando foi pra sair daqui não resistiu no avião. A doutora desde o principio soube que dissecação na aorta e não providencio e nem nos alertou pra tirá-lo quanto antes. Ele tinha pelo o que entendi o tipo 1. E pergunto ele poderia resistir se fosse operado logo.

  4. brninha_nolasco.voss@hotmail.com comenta:

    12 Agosto, 2008 @ 22:19

    oii

    moro em itapema santa catarina…meu pai fex uma cirugia de 12 horas devido o aneurisma desecante de aorta ele fez a cirugia no hospital santaiasabel me BLUMENAU SC.. meu pai tem somente 47 anos… e ele ficou um mes na u.t.i ele fez a cirugia a 15gRAUS a temperatura… e trocou tudo por material sintetico…
    ele teve 48 h de recuperaçao… nessas 48 horas n podia dar febre nem emoragia e nem parada respiratoria ele teve yudo isso.. e fez nessas 48 h mais 2 cirugia uma de 5 e outra de 3 h…
    agora ele ta 2 semanas nu quartoo.. o medico disse q foi um milagre ele esta vivo..
    so q agora ele entrou em coma vigio devido a temperatura ter sido muito baixa.. e ter dado afetanil para ele…
    eu queria saber como q ele aguento tudo isso.. e u q pode acontecer daqui pra frente…queria tbm entra em contato com vcs.. pois aqui é muito ruim de explica tudooo
    obrigado epal atençaooo

  5. lucia comenta:

    12 Novembro, 2008 @ 13:04

    Fiz uma ablação a 4 meses para correção de arritimia TPSV, fiz um ecocardiograma e o resultado foi de um pequeno aneurisma septo interatrial, isso é proveniente da ablação? ou é um quadro novo e se for o caso é cirúrgico ou existe tratamento?
    Agradeço desde já a atenção

  6. lucia comenta:

    12 Novembro, 2008 @ 13:05

    Fiz uma ablação a 4 meses para correção de arritimia TPSV, fiz um ecocardiograma recentemente e o resultado foi de um pequeno aneurisma septo interatrial, isso é proveniente da ablação? ou é um quadro novo e se for o caso é cirúrgico ou existe tratamento?
    Agradeço desde já a atenção

  7. Ângela Maria comenta:

    16 Novembro, 2008 @ 13:16

    Olá, meu marido tem 49 anos e já foi diagnosticado uma dissecção da aorta tipo l, os médicos aconselharam ele não fazer a cirurgia, pois ele não sente nenhuam dor, toma medicação e está tendo uma vida normal. Ele é portador da síndrome de Marfhan. Eu queria saber se ele pode ter uma morte súbita?

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